Centenário da Imigração em Duartina
Içá, Japurá, Negro, Jamundá, Trombetas, Jari ; Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu. Estes são alguns dos afluentes do rio Amazonas que a Dona Aparecida, a nossa professora do quarto ano primário botou para sempre na minha e na cabeça de todos que passaram pela sua sala de aula no Grupo Escolar Teodósio Lopes Pedroso, Duartina no final dos anos 50. E ali estava o Nuno, há duas semanas, recitando pra gente no Barracão em Duartina, no meio de uma rodada de cerveja, relembrando também de todos os nomes dos alunos e os respectivos números na lista de chamada. Não sei agora, mas naqueles dias, a professora dizia o nome um por um e os alunos respondiam: presente! quando o seu nome era citado. Eu era o número 9 e o Jaime Petit era 10, ainda segundo o Nuno. Muito mais gente se juntou a nós no fim de semana em que estivemos em Duartina para celebrar o Centenário da Imigração Japonesa, incluindo aí os meus primos Aquio que vive em Nova York e Coitiro que toca a sua indústria textil em Sergipe.
No dia 12 de julho, foi inaugurada a Praça dos 100 Anos da Imigração Japonesa, localizada no final da Avenida Ecoparque Ciro Simão. O marco da praça é um monumento dos 100 anos de imigração, desenhada pelo artista plástico Edson Jampietro. Não, acho que ele não é japonês nem parece ter um tico de sangue japonês. O resultado foi um trabalho simples e bonito. Parece até coisa de japonês...
Depois disso fomos para uma recepção na sede do Duartina Tênis Clube dada pela Prefeitura com ajuda da colônia japonesa e do Rotary Clube. Nem prestei muita atenção na farta comida, que incluiu makisushis e outras iguarias japonesas entretido que estava em reconhecer os velhos amigos, que não os via desde que saí da terrinha.
A comissão organizadora homenageou alguns japoneses que fizeram parte da história da presença japonesa em Duartina, entre eles o meu tio Kotaro Takahashi que está com quase 90 anos e continua forte como um touro. Imagine que há dois meses ele participou da caminhada do Centenário de Santos a São Paulo! Eu me cansaria e desistiria rapidinho e nem conseguiria sair de Santos... Outros homenageados foram Hideo Tanaka (que era sócio do meu pai), Massao Yanagiwara e Noriko Inokuchi, mãe do meu amigo Ricardo e irmã do Shiguerão.
Mais tarde, fomos para um encontro mais íntimo no restaurante do Pesqueiro tentando botar o papo em dia e ouvindo músicas comandados pelo Nivaldo e Clemente. À noitinha, a continuação dos papos no Barracão, que mencionei acima. Essa choperia fica ao lado do antigo Comercial União, um armazém de secos e molhados em que meu pai era sócio, hoje uma agência do Santander. Um dia de muitas emoções que trouxe doces lembranças!
Mais do que a celebração dos 100 anos de imigração, o reencontro com os amigos e parentes me tocou mais fundo. Fizemos uma enorme colcha, juntando retalhos de lembranças de um e outro, conversamos e rimos muito. E para melhorar tudo isso, o Paulo Cesar Andreo fez um enorme trabalho de compilação de imagens antigas e recentes dos amigos e da cidade e botou tudo em dois dvds. Ganhei uma cópia que trouxe e está guardado aqui em casa. Um verdadeiro arquivo histórico da cidade.
Notas sobre a inauguração da praça aqui.
QUEBRANDO A BANCA
Alguém aí viu o filme “Quebrando a Banca” (21) ? Aquele sobre um grupo de jovens que estouram a banca em Las Vegas? Algumas organizações daqui, como a
MANAA – Media Action Network for Asian Americans, que se dedica ao monitoramento da mídia, para garantir um retrato sensitivo, positivo e equilibrado dos orientais americanos, ficaram uma fera. A razão disso? A utillização de atores caucasianos nos lugares dos orientais. O livro
Bringing Down the House, de Ben Mezrich se baseou num grupo de estudantes do MIT, composto na sua maioria de orientais, que foram treinados para, em conjunto ganharem muito dinheiro jogando Black Jack ou 21.
Confesso que gostaria de ver uma indústria cinematográfica mais aberta, mais em sintonia com as diversas culturas em busca de uma harmonia global. E se por um milagre, isso fosse acontecer, seria a falência de Hollywwod, claro.
Os filmes são feitos para atender o grande mercado norteamericano, nivelado por baixo, e bota baixo nisso. Filmes europeus e orientais tem a sua versão americana pois o americano evita os filmes que são legendados (leia-se aí, porque são analfabetos). Filmes como
Cousin, Cousine (Cousins),
Trois hommes et un couffin (Three Men and a Baby),
Nikita (Point of No Return),
Spoorloos (The Vanishing),
Ringu (The Ring),
Kairo (The Pulse),
Ju On (The Grudge) e um monte de etc foram refeitos especialmente para a lobotomizada audiência americana.
Pelo simples fato dos atores não falarem inglês ou não serem brancos, os filmes ganham o rótulo de filme artístico, ou
foreign movie, o que significa que vão ficar restritos ao circuito de filmes de artes, que não geram dim dim, fora de alcance do grande mercado. Daí a razão de substituirem os orientais por faces de atores brancos que falem o inglês americano, sem necessidade de legendas ou de dublagem..
Entretanto tem um nicho que os orientais tomaram conta, o dos filmes de artes marciais, na onda dos sucessos de Bruce Lee na década de 70. Jet Li , Jackie Chan, Chow Yun Fat tem uma enorme audiência. E não adianta botar atores americanos para encabeçar esse gênero de filmes que não emplaca. Acontece exatamente o contrário do que disse antes. Filme de artes marciais tem que ter orientais. E quanto mais fantasioso e mentirosos, melhor.

Quanto aos filmes como “Quebrando a Banca” (21) Hollywood não quer saber de apostas. Hollywood joga com cartas marcadas. Jim Sturgess foi escolhido para fazer o papel baseado no Jeff Ma (um americano de origem chinesa). Ele é inglês de Londres. É aquele mesmo que fez o papel principal do bonito filme
Across the Universe, somente com músicas dos Beatles. Como ele não é americano, apesar de ser branco, teve que ter um
dialect coach, um especialista que o ensinou a falar inglês americano durante as filmagens.
Imagine um filme como “21” com um monte de coreanos, chineses, japoneses. Quem iria ao cinema? E tenho certeza que essas organizações como MANAA dessa vez, iriam reclamar que o cinema americano estaria eternizando os estereotipos sobre os orientais retratando-os como quadrados, estudiosos, gênios em matemática etc etc.
E quer saber de uma coisa, se a Sony, uma empresa japonesa que é dona da Columbia Pictures que realizou o filme, não está nem aí com esse tipo de problemas, só podemos reclamar mesmo é pro bispo!
Na foto, Jeff Ma e Jim Sturgess. Notaram a extrema semelhança?