Estamos comemorando este ano o centenário da imigração japonesa ao Brasil, como todos vocês devem estar cansados de saber. Mas, vem cá: somos os únicos a celebrar a imigração? Nunca vi ou ouvi espanhóis, chineses, italianos, alemães, poloneses, marcianos ou quem quer que seja comemorar a chegada deles ao Brasil. Será que só nos temos motivos para tanta celebração?
Quem tiver uma ótima ou mesmo uma péssima explicação, por favor escreva umas linhas aí nos comentários. Vou ver se falo algo mais sobre a imigração num próximo post.
Uma das minhas cervejas preferidas é a Killian’s Red Irish. Originalmente era uma ale irlandesa. Ela é produzida aqui nos Estados Unidos pela Cervejaria Coors, de Boulder, Colorado sob licença da Brasseries Pelforth, atual dona dos direitos de utilização da marca. Para complicar um pouquinho mais, a versão gringa sofreu umas adaptações para agradar ao paladar do americano comum e virou uma lager, com a cor avermelhada da original, que era produzida por George Killian desde 1864.
Se você gosta de uma ale, vai achar que a cerveja é meio aguada e que é uma propaganda enganosa por parte da Killian pois não é uma verdadeira Irish Red, ou seja, ela é uma falsa ruiva. Não tem o mesmo sabor de uma Irish Red como a Murphy´s Red or Smithwicks. É uma cerveja popular e barata, que utiliza o nome histórico de George Killian. Entretanto, apesar de não ter nada da cerveja original, agrada àqueles que foram criados com a Antártica e Brahma ou Bud Light e Coors, como eu.
Bebi algumas neste domingo que passou, para amenizar o choque pela derrota do São Paulo. Me senti bem melhor depois da segunda garrafa... E se o meu São Paulo continuar assim vou acabar é ficando alcoólatra...
Um rancho no Texas que abriga um grupo religioso, que se separou da corrente principal dos mórmons há cerca de 100 anos, que aceita ou prega a poligamia, foi invadido no início do mês por causa de uma denúncia anônima de que um caso de abuso sexual numa garota de 16 anos estaria ocorrendo ali. A polícia invadiu o rancho e todas as crianças foram tiradas do abrigo das mães como medidas de proteção. Esse caso está virando um pesadelo jurídico com a enorme quantidade de advogados que vão defender os mais de 400 menores envolvidos nessa bagunça. E os piores prejudicados vão ser aqueles que o Estado “quer” proteger: as crianças. A menor de 16 anos não foi localizada até agora e ao que parece nenhuma investigação foi feita para checar a veracidade da chamada anônima.
A poligamia existe ainda em alguns países da África e do Oriente Médio, os xeiques e reis do petróleo continuam adotando esse costume. Historicamente quase todos os povos tiveram no passado práticas similares. Então porque esse carnaval todo?
A poligamia é ilegal nos Estados Unidos e uma das formas de furar a lei é de obter o divórcio e casar com a nova mulher, e repetir esse processo sucessivamente, até que o polígamo esteja casado com a sua mulher mais recente. Após o divórcio, as ex-mulheres continuam vivendo sobre o mesmo teto e mantem o nome. Ah, está começando a ter umas idéias?
A separação do estado e a religião, como se pode ver, inexiste na prática, nos Estados Unidos, principalmente porque a igreja conservadora tem uma força muito grande na escolha dos presidentes e de todos os que pleiteiam a cargos públicos. Acho muito interessante ouvirmos um trecho do Drauzio Varela a respeito da intolerância, que vai aqui em baixo.
Philip Kilbride, antropolgista e professor universitário americano escreveu um livro, Plural Marriage for Our Times: A Reinvented Option? (Casamento Pluralista para os Nossos Tempos: Uma Opção Reinventada?) em que levanta a possibilidade de que poligamia seria a solução para um dos maiores males da sociedade americana, o divórcio. A grande maioria dos casos de divórcio acontecem porque um dos cônjuges andou pulando a cerca. A poligamia, ou a aceitação dos pares diminuiria o impacto emocional, afetivo das crianças, a maior vítima nesses casos. Diz Kilbride que as mulheres idosas poderiam se beneficiar dessa forma de casamento também. Dependendo a quem você perguntar, de todos os primeiros casamentos nos Estados Unidos, de 43% a 50% acabam em separação!
Eu, o que acho de tudo isso? Não sou contra nem a favor, muito pelo contrário.
Dentre os diversos choques nessa terra estranha, alguns continuam me impressionando mesmo depois de anos de vivência aqui, como a forma com que os americanos enfrentam a comida. Na primeira ida a um cinema, quase caí pra trás com o tamanho do “saquinho” (um balde!) de pipoca e do “copinho” (meio galão!) de pepsi. Pensei que era pra uma família de 10, mas não vi ninguém em volta do sujeito. Tudo aquilo era só pra ele. Depois caí pra trás literalmente quando vi o preço daquilo. Daria para mim e a Ruth comer do bom e melhor em qualquer restaurante da cidade!
Confirmou-se esta mania de grandeza americana quando me serviram a primeira macarronada na casa de uma família americana. A quantidade de molho que veio no meu prato daria para cobrir pelo menos mais cinco pratos de macarrão. A mesma surpresa toda vez que vejo um americano comendo panquecas submersas naquele xarope (syrup) adocicado no seu café da manhã. Fico olhando e duvidando que o cowboy vá conseguir comer tudo aquilo e sempre me engano! E já vi muitos deles beberem o que restou do xarope! Não é à toa que os americanos sejam o povo mais obeso do planeta. Espero que os brasileiros abram os olhos e consigam escapar da esfera de influência americana na nossa maneira de comer.
O que fazer? Se fossemos levar a sério esse problema de obesidade que está virando (ou já virou?) uma calamidade, que resulta em gastos astronômicos com a saúde pública, e consequentemente afetando o bolso da gente, é só mudar os hábitos alimentares. Uma dessas possíveis sugestões, encontrei aqui em casa mesmo, num dos livros de cabeceira da Ruth. O livro foi escrito por Naomi Moriyama em parceria com o seu marido americano William Doyle. Ela é uma ex-executiva japonesa que mora em Nova York. O livro Mulheres Japonesas não Envelhecem nem Engordam já foi traduzido para o português (Editora Rocco, 276 pag, 2007).
Naomi conta sobre a redescoberta da comidinha da sua mãe, a dona Chizuko, que preparava diariamente, com muito carinho para toda família, na sua mini cozinha em Tóquio. A comidinha que toda mãe japonesa prepara para a família. E essa comida simples e saudável, parece ser muito importante para explicar o fato das mulheres japonesas terem a menor taxa de obesidade (3%) entre os países industrializados (as americanas estão lá atrás com seus respeitáveis 34%), a maior expectativa de vida (86 anos), a maior expectativa de vida saudável no mundo (77.7 anos). Muita gente diz que a explicação está nos genes, mas isso é facilmente provado que não é verdade. Por exemplo, está começando a aumentar a obesidade entre os jovens japoneses que consomem a comida gordurosa americana dos fast foods que pipocam em todo o Japão. Conheço também muitos descendentes de japoneses que vivem aqui nos Estados Unidos, e alguns no Brasil, obesos, por terem aderidos completamente ao modo ocidental de alimentação, com índices similares de doenças como diabetes, doenças cardio-vasculares etc do resto da população. Gosto de mulher gordinha mas infelizmente, também sei que ela pode ter mais problemas de saúde por causa disso.
Quando se fala em comida japonesa, qual a sua primeira imagem? Sushi! Comida cara! O sushi faz parte da cozinha japonesa, mas não é a comida doméstica diária. O livro da Naomi conta sobre os prazeres da comida simples, do dia a dia com que fui criado também. Saudável e deliciosa, você pode ter uma amostra dessa cozinha, indo a qualquer bom restaurante japonês e pedir um teishoku – uma refeição completa composta normalmente de um prato principal, arroz, sopa de misso (missoshiru), picles (tsukemono), sunomono, tempura e uma fruta, com variações que depende do restaurante . É mais ou menos o que se comia diariamente em qualquer casa de um nissei da minha geração. Com o passar do tempo muita coisa mudou, com a influência de outras cozinhas. Em casa por exemplo, era comum comermos o feijão com arroz, mas o arroz era o branco japonês.
Então está aí, uma sugestãozinha para mudar os seus hábitos alimentares para uma vida saudável, sem ter que passar fome e o mais importante: sem fazer regime ou dieta. É só ignorar as propagandas e as prateleiras de supermercados dominados pelos gigantes da indústria alimentícia e ignorar as facilidades e conveniência dos fast foods. Fácil dizer.. deve ser tão ou mais difiícil do que vencer o vício do cigarro e outras drogas. Vou tentar fazer a minha parte e tentar reproduzir a comidinha da minha mãe ou da minha sogra pelo menos por alguns dias da semana...
PS1 - para maiores detalhes sobre essa comida diária do japonês faça uma visita ao na cozinha, o site da minha prima Ely, que passou anos no Japão, vive na Bahia e é a especialista no assunto. Você vai se deliciar!