Quando comecei a ouvir o rádio, isto é, a ter o controle do dial sem interferência dos adultos, a época de ouro das radionovelas no Brasil já estava chegando ao fim. Os meus programas favoritos eram os musicais do tipo Pickup do Picapau, Telefone Pedindo Bis, Hoje é dia de Rock, Vitrola Mágica, mas acompanhava algumas novelas também. Sim, radionovelas! As que eram dirigidas para o público adolescente, isto é, eu, nessa época. As radionovelas tradicionais tinham como público alvo as mulheres, que permaneciam em casa cuidando dos afazeres domésticos, enquanto os maridos saíam para o trabalho.
No início, os textos das novelas eram importadas do México e de Cuba, trazidas pelas multi-nacionais de publicidade que eram as empresas que estavam por detrás de tudo isso, em toda América Latina, assim como acontecia com o nosso Repórter Esso, produzida pela McCann-Erickson. A popularidade das novelas e a demanda por uma temática nacional fez surgir um grande número de escritores, que anos mais tarde iriam fazer o mesmo para uma mídia diferente, a tevê, como aconteceu com Ivani Ribeiro, Amaral Gurgel, Janete Clair, Oduvaldo Viana, Dias Gomes e muitos outros.
Agora, uma pequena pausa para os nossos comerciais. Os patrocinadores da programação das novelas nas rádios eram Gessy, Lever (Lux), Colgate, Palmolive, Eucalol, Biotônico Fontoura, Melhoral que como se pode ver, .eram produtos em que as mulheres tinham, na maioria de vezes, a decisão de compra.
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Entre as radionovelas eu gostava de ouvir as aventuras do Anjo e de seus amigos, na luta contra o mal, e do Jerônimo, o herói do sertão, que acompanhávamos antes do A Hora do Brasil começar. Esses dois programas eram transmitidos pela Rádio Nacional do Rio, que a gente pegava pelas ondas curtas lá em Duartina, com muito chiados. O rádio ocupava um lugar de destaque na sala da casa de todos os brasileiros. Principalmente quando acoplado de uma vitrola para tocar a última novidade tecnológica, os discos LP que vieram substituir os antiquados de 78 rpm!!!
Voltando ao tema de hoje, esses dois heróis tiveram, devido ao sucesso na rádio, as suas aventuras registradas em quadrinhos, cada um em seu gibi, que eu os comprava religiosamente na única banca de revistas da cidade. As aventuras do Anjo eram escritas pelo próprio Álvaro Aguiar que fazia o papel título na novela e os desenhos eram do Flavio Colin. Jerônimo era criação do Moysés Weltman e os desenhos eram do Edmundo Rodrigues. Você se lembra da turma do Anjo? Um dos companheiros era o Metralha com a sua fiel metralhadora Matilde. O companheiro de Jerônimo era o Moleque Saci, o favorito da garotada. Aninha era a noiva do Jerônimo, o ponto fraco do nosso herói. Os bandidos e os coronéis sequestravam a pobre Aninha e Jerônimo tinha que se virar de tudo quanto é jeito para salvá-la.
Quando penso em toda a violência dos dias de hoje, sinto que é preciso ressucitar heróis brasileiros como esses, que serviam de modelo para a garotada, pela integridade de caráter e senso de justiça que inculcavam nas crianças. Hoje tudo isso foi substituído por imagens negativas de traficantes ganhando a batalha contra uma polícia incapaz e corrupta e dos ricos e poderosos tirando vantagem dos fracos e oprimidos...
Entrevista com Jiro
Já que mencionei o meu mano Jiro Takahashi no post anterior, como atleta, como mesatenista que crescia inacreditavelmente em finais de competições, vou dar continuidade aqui, mas mostrando o seu lado, digamos profissional, numa entrevista-depoimento, que foi uma iniciativa da
Luciana Pessanha Pires na comunidade
Discutindo Literatura no Orkut. Vou dirigir vocês para o site
Literatura Clandestina onde Elenilson Nascimento um dos colaboradores, editou a entrevista, para maior facilidade de leitura. Para os que quiserem acompanhar toda a entrevista
aqui é o lugar.
Ele esclarece muitas dúvidas de autores ou amantes das letras e expõe alguns dos seus pontos de vista sobre a situação editorial brasileira e estrangeira ou ainda sobre como passar o gosto da leitura aos jovens e muitas coisas mais. Espero que gostem tanto quanto eu, mas claro, sou bastante parcial pois sou fã de carteirinha do Jiro desde quando éramos garotos.
O Jiro, como todos os meus irmãos, nasceu em Duartina, interior de São Paulo, tem 3 filhas, 5 netos e mora atualmente em Santos. Inteligente, sempre foi o primeiro da classe durante a sua vida escolar. É professor de Literatura e disciplinas correlatas, como Leitura e Produção de Textos, Estilística no Centro Universitário Ibero-Americano, no curso de Letras. É Tradutor e Interpréte desde 1979, com algumas interrupções por conta do trabalho editorial no Rio (6 anos) e em Londres (um ano). Estudou Direito e Letras.
Foi o primeiro editor da Ática. Atuou como gerente editorial da Ediouro, com passagens pela Abril, Nova Fronteira, Estação Liberdade e Editora do Brasil.