Pode estar surgindo um novo ídolo esportivo no Japão. Kurumi Nara, no tênis, um esporte que não produz grande nomes em termos mundiais. No fim da semana passada, clicando o meu controle remoto, navegando pelos canais como faço o tempo todo, me deparei com a final feminina do All Japan Tennis Tournament.
Kurumi Nara uma jovem colegial de apenas 17 anos sagrou-se campeão feminina. Nara mostrou sinais de poder se tornar uma grande atleta, uma das que tem aquele algo a mais. E muita garra e perseverança. Além disso é simpática e se expressa com clareza e inteligência. Tem uma pequena desvantagem em relação às atletas da sua geração. É da turma dos baixinhos, a que pertenço. Ela treinou por anos na Academia de Tênis de Nick Bolletieri na Flórida, a mesma que formou cobrões como Agassi, Monica Seles, as irmãs Williams, Sharapova. Acho que vamos ouvir falar mais dela no futuro, quando ela começar a participar de torneios internacionais.
No teatro kabuki e noh, os homens representam mulheres há séculos, graças a um edito shogunal de 1626. Um Clube do Bolinha, onde meninas não entram. Gostaram tanto que mesmo hoje continuam mantendo essa tradição.
Grupos teatrais no formato ocidental em que as mulheres tiveram acesso, nasceram e morreram, e sobrevivem no Japão de hoje. Mas tem um grupo que existe desde 1913 onde meninos não entram. O Takarazuka Revue, um Clube da Luluzinha. As mulheres representam também os papéis masculinos. E não tem nada de parecido com os tradicionais kabuki ou o noh. As peças escolhidas pelo grupo Takarazuka Revue são em sua grande maioria versões adaptadas de famosos filmes ou peças de teatro, todos ocidentais ou então de mangás.
As atrizes que representam os papéis masculinos fazem o maior sucesso entre o seu fiel público, que é composto praticamente de mulheres. O que é que isso ssignifica? Que as mulheres japonesas tem tendências homossexuais ou bisexuais latentes e reprimidas?
Os costumes utilizados são mais ao estilo de Las Vegas. E fazem isso de forma exagerada, tipo shojo mangá, os mangás destinados às garotas. Ou será que foi o Takarazuka que influenciou as criadoras desses mangás? Os “homens” são todos magros altos, maquiados e penteados impecavelmente. E acho que é disso que as mulheres buscam. Uma válvula de escape para ver o homem idealizado em suas fantasias, o príncipe encantado, o que os homens deveriam ser. Não aqueles que elas enfrentam de volta à realidade, em suas casas, machistas mandões, insensíveis, que roncam e arrotam além de serem carecas e barrigudos!
O que você faria se alguém diz ter sido amiga de Tom Cruise numa encarnação passada? E além disso diz que viajou numa espaçonave e conheceu o planeta Vênus? Concordava com essa pessoa, com medo de contrariar ou mandava internar?
Pois esse alguém vive no Japão, soltinha e bem casada. Uma mulher poderosíssima, Miyuki Hatoyama, 66, nascida em Shangai, China durante ocupação japonesa. Não sei se ela dá essas declarações espalhafatosas para tirar um barato da gente ou se está falando sério. Ela ocupa parte do seu tempo escrevendo livros de receitas de comidas espirituais e também é designer.
Na década de 60 ela foi dançarina e atriz do grupo Takarazuka – que apresenta shows com muitas plumas e paetês, em que as mulheres fazem também os papéis masculinos. Veio depois para os Estados Unidos para estudar numa universidade em California e conheceu o seu marido que estudava em Stanford. Seu segundo marido. O primeiro era um dono de restaurantes e ela se separou para se casar com Yukio Hatoyama, jovem político, de uma família muito influente, econômica e politicamente. A família dele é a dona do Bridgestone, entre outras coisas, e o avô de Yukio foi primeiro-ministro do Japão..
Miyuki Hatoyama está por trás da ascenção do seu marido Yukio Hatoyama ao post de premiê japonês no mês passado.
Num país em que a mulheres são reconhecidamente recatadas, a senhora Hatoyama, está causando furor. Essa primeira-dama japonesa é completamente diferente de todas as que a precederam. Tenho a impressão que a imprensa mundial está adorando essa figura e vai dar muita cobertura a ela. Na semana passada, a Associação Japonesa de Jeans, a elegeu como Best Jeanist de 2009, por usar jeans com classe e num estilo inovador. Que a Michele Obama se cuide.
Se você ainda pensa que as mulheres japonesas são submissas, que andam dois passos atrás dos seus maridos, podem tirar o cavalinho da chuva. Japão não vai ser o mesmo depois da chegada desse tufão.
Quanto ao Tom Cruise, ela disse que ele era japonês numa encarnação passada, que eram muitos amigos e que gostaria de encontrá-lo novamente – disse que diria a ele, “puxa faz tempo que a gente não se vê” - e que gostaria de filmar com ele em Hollywood.
Ah, sim, e quanto ao marido, Yukio Hatoyama, um dos fundadores do Partido Democrático Japonês, impôs uma derrota fragorosa ao desprestigiado Taro Aso. A vitória de Hatoyama se deve mais do que qualquer outro motivo, à crise econômica que afetou Japão e afastou os eleitores do LDP, o partido que esteve no poder praticamente durante todo o período pós segunda guerra. O ministro vai ter uma ajuda muito grande da primeira dama que tem armas de sobra para desviar a atenção da mídia nos momentos mais críticos....
Foto da primeira-dama, daqui e o poster de uma das produções do Takarazuka, daqui
Esta semana Colorado foi notícia no país inteiro porque um balão que possivelmente carregava um menino de seis anos voava pelos ares, desgovernado. Helicópteros de uma rede de televisão e também da Guarda Nacional acompanharam a trajetória desse balão e quando o balão aterrisou, nada do menino. Alguém disse ter visto um objeto caindo do balão e buscas se iniciaram, esperando pelo pior. O país inteiro acompanhou o drama da familia.
Durante o tempo que o balão estava no ar, alguns detalhes sobre a família começaram a ser divulgadas. O pai do menino é inventor, que vive correndo atrás de furacões e tornados. A família tinha também participado de um programa muito popular chamado Wife Swap (Troca de Esposas) há pouco tempo. Quando ouvi isso, fiquei meio desconfiado e acredito que muitas pessoas também devem ter ficado com pulga atrás da orelha.
A família procurou pelo menino, Falcon Heener, de 6 anos pela casa inteira, ligou para casas dos amiguinhos e nada. Depois se soube que o pai tinha chamado a estação de tv para pedir ajuda, antes de chamar a polícia. Mais pulga atrás da orelha! Começou a coçar à beça! Enquanto todos continuavam grudados na tv ou no computador para saber das últimas novidades, eu perdi interesse. Aí tinha coisa.
Depois de quatro horas, o menino foi descoberto escondido num caixote de papelão na garagem da sua casa. Felizmente! Alívio geral e o país voltou à normalidade. No dia seguinte, fui ler toda a reportagem sobre a saga do balão e descubro que o menino é mestiço, filho de um americano e de uma japonesa. Ai ai ai ai ai...
Não sei vocês, descendentes de outras nacionalidades, mas quando algo de bom acontece com algum nissei ou mesmo um asiático, eu abro um grande sorriso e me sinto bem. Mas quando alguém faz algo errado eu me sinto meio envergonhado como se eu tivesse alguma culpa. Coisa de velho japonês. Por isso fiquei torcendo para que essa família não estivesse pregando uma peça pro país ou pro mundo inteiro em busca de auto promoção barata. Torci para que os pais estivessem desesperados de verdade porque pensavam que o menino tinha realmente partido com o balão, numa travessura impensada.
Mas torci em vão. Quando Wolf Blitz do CNN numa entrevista com a família Heenes perguntou ao Falcon porque ele não havia respondido quando os pais procuravam por ele, ele se virou para o pai e disse algo como: vocês (no plural, ou seja o pai e a mãe) disseram que estávamos fazendo isso para um show!
Mal estar geral e o pai tentou se explicar mas o estrago já tinha sido feito. Com um mandado judicial a polícia do condado de Laramie, onde fica localizado Fort Collins, residência da familia, revistou a casa, levou computadores, arquivos e o sherife declarou à imprensa que tinha material de sobra para processar o casal.
Os telespectadores que viram o Troca de Esposas em que a família participou disse que o pai tem sérios distúrbios mentais e que precisaria ser internado. Veja os comentários aqui. Tenho pena das crianças... E posso garantir que a grande maioria das mulheres japonesas são mais sãs do que a Mayumi Heene.
Foto da família Heene, Mayumi, Richard, Bradford, Falcon e Ryo, tirado daqui.
As crianças de Wyoming aprendem desde cedo na escola que no Parque Nacional de Yellowstone, no cantinho noroeste do estado, se encontra o maior vulcão da América do Norte. Um vulcão totalmente diferente do que conhecemos. Tem uma craterazinha de 30 por 70 km, numa depressão ao invés de ter a sua cratera no topo de uma montanha. A frequência das suas grandes erupções que aconteceram no passado tem intervalos de 600 a 650 mil anos cada uma. Mas é um vulcão ativo e as evidências são visíveis por todo o lado. Uma câmara magmática, que chega a estar a apenas a 8km da superfície em alguns pontos, libera ou serve como combustível para milhares de geisers, termas, e outros acidentes geotermais de Yellowstone.
Os 3 milhões de turistas que visitam o parque anualmente, principalmente no verão, vão para acampar, fazer caminhadas, ver e admirar a natureza, os geisers, as cachoeiras, os canyons, as florestas, os animais. A maioria desses turistas,não percebem que estão caminhando ou dirigindo em cima dessa enorme cratera, mais conhecida como Caldeira de Yellowstone.
A última grande erupção ocorreu faz algum tempinho, há 640 mil anos. Ou seja, esse supervulcão pode voltar a ativa em um ou 10 mil anos e praticamente vivo ao lado dele. Felizmente vulcanologistas do U.S. Geological Survey e da Universidade de Utah que monitoram as atividades vulcânicas da região, em conjunto com o Parque Nacional de Yellowstone nos tranquilizam afirmando que supervulcões dariam diversos sinais advertindo uma erupção com décadas ou mesmo séculos de antecedência. Sinais como terremotos constantes, o inchaço da área ou pequenas erupções, essas coisas...
Eu me lembro de um momento, no mês passado, dentro do Parque: num dos estacionamentos eu fui sair do carro e quase caí Estou ficando velho e preciso me exercitar pensei eu, achando que eu tinha perdido o equilíbrio nas pernas. Ou será que estava meio tonto por causa da altura - 2400m em média – em que o Parque Nacional está localizado? Acho que não foi nada disso.
Cada ano, Yellowstone tem cerca de 3000, sim, isso mesmo, três mil terremotos. Tá certo que são pequenos, cada dia ocorre de 1 a 20 desses pequenos tremores quase imperceptíveis. Ás vezes, os terremotos são mais intensos, chegando a atingir 7.5 e 6.1 na escala Richter, como aconteceu recentemente em 1959 e 1975 respectivamente, fazendo estragos e causando mortes. No comecinho deste ano houve uma frequência irregular onde em apenas 12 dias houve mais de 1000 pequenos tremores. No mês passado teve 177 tremores e um deles foi aquele que senti no estacionamento.
E mesmo assim, não precisamos nos preocupar, dizem aqueles vulcanologistas. Espero que eles saibam o que estão dizendo...
Para aqueles que como eu, precisam ver para entender melhor, você pode checar aqui, um docudrama produzido pela BBC que foi mostrado nos Estados Unidos em 2005 pelo Discovery Channel. De acordo com a chamada do programa,”esta é uma história verdadeira ...só que não aconteceu ainda.” O filme bastante informativo mostra o que poderia acontecer se houvesse uma erupção cataclísmica em Yellowstone. Brianf55 baixou esse docudrama no Youtube dividido em duas partes, com cada parte tendo 6 segmentos de 8 a 10 min cada. Um assunto fascinante!
Depois que vi esse filme, decidi procurar informações sobre um possível emprego e moradia na Patagônia... Brincadeira gente, gosto de viver perigosamente, e vou continuar aqui até ser soterrado pelas lavas ou cinzas vulcânicas, da mesma forma que o pessoal que se mudam para Los Angeles vão para lá, na esperança de pegar o Big One, o terremoto que vai acabar com toda a cidade.
Quem quiser saber mais sobre o assunto, por favor siga os links e tire você mesmo as suas conclusões sobre a existência ou não de um perigo iminente de uma erupção.
Recebemos uma rara visita do Brasil! Marga e Issamu e a minha eterna cunhada Di, a ex-esposa do meu irmão, que fica mais linda cada ano que passa, vieram aqui pra Wyoming. Uai homem? Wyoming?! Não sei o que eles fizeram de errado para terem de vir até aui. Só sei que mesmo sabendo que fica prá lá do fim do mundo, eles enfrentaram filas e interrogatórios para conseguirem vistos para nos visitar. E já que chegaram até aqui, resolvemos sair por aí para descobrir o que Wyoming (e Colorado) tem de bom. E fomos agradavelmente surpreendidos.
Wyoming é um daqueles estados quadrados no meio do mapa dos Estados Unidos, que a gente ouviu muito nos filmes de faroeste. Assim como as cidades com nomes como Laramie, Cheyenne, reserva de tribos indígenas Shoshoni e Arapahoe. Tem ainda uma enorme criação de gados. As maiores fontes de renda para o estado são os poços de petróleo e a exploração de minerais, principalmente o carvão. Tem uma população de quase 600 mil habitantes numa área mais ou menos igual a do estado do Paraná. As maiores cidades são Cheyenne, a capital do estado com 60 mil habitantes e Casper, onde vivo, que tem cerca de 55 mil habitantes.
Fomos recebê-los no aeroporto de Denver, que é a melhor opção, pois apesar dos 400 km que separa de Casper, fica mais em conta descer naquele moderno, bonito e super movimentado aeroporto. É o maior aeroporto americano em área e foi o décimo de todo o mundo em termos de movimento de passageiros no ano passado.
Denver
Há muita coisa para se fazer em Denver além das excursões aos inúmeros shopping centers que tomou grande parte do nosso tempo. É incrível a fascinação que as marcas famosas tem entre os compradores, principalmente brasileiros e japoneses! Aquele selinho, carimbo, a logomarca mágica que custa mais do que o produto em si...
Apesar da intensa correria pelas lojas conseguimos arranjar uma folguinha para passear. Fomos ao Red Rocks, andamos pelo centro da cidade onde estão localizados os estádios de beisebol, de futebol, o Pepsi Center e muitos muitos restaurantes, incluindo aí um Fogo de Chão e o Rodízio (é o nome do restaurante!). Fomos ao Cirque du Soleil, provamos deliciosas e enormes sopas vietnamitas, comidas apimentadas coreanas, um breakfast no Panera e outro no Diner Chuck Wagon, um jantar num dos Old Chicago onde servem mais de 110 marcas diferentes de cerveja. Só tomei uma...as outras 109 ficam pra outra vez.
Dakota do Sul
Uma das maiores atrações daqui da redondeza são os rostos esculpidos de presidentes americanos nas rochas no Monte Rushmore em Dakota do Sul. Uma viagenzinha de 4 horas daqui de Casper para checar o patriotismo dos americanos. Depois de uma pequena caminhada e uns sorvetes, fomos para Deadwood onde muitos pistoleiros e bandidos fizeram história e que está sendo recontada numa série de tv. Um dos famosos nomes do faroeste americano, Wild Bill Hicock foi assassinado covardemente num saloon da rua principal quando estava entretido num jogo de poker. Isso aconteceu no Saloon Número 10 ainda em pleno funcionamento. Apesar do saloon estar cheio, decidimos não entrar, primeiro, por causa dessa reputação e segundo, porque não estávamos a fim de arriscar as nossas vidas. Toda precaução é pouca no faroeste! Entretanto, jogamos a nossa sorte em alguns dos muitos cassinos da cidade e nem é preciso dizer que não ganhamos nada, né. Deadwood é vizinha de Sturgis onde os motoqueiros americanos se juntam num monstruoso rally no início do mês de agosto, todos os anos. A cidade fica superlotada por semanas. E se você seguir o link, vai saber porque é tão popular...
Wyoming
Passamos também pelo Devil’s Tower onde os extra terrestres desceram e fizeram Contatos Imediatos de Terceiro Grau naquele filme de Steven Spelberg, da década de 70. Ao invés de extraterrestres, vimos um pessoal escalando a rocha. Pegamos estrada novamente, a Interestadual 80, até a Sheridan, passando por Gillette e suas enormes minas de carvão, a céu aberto.
Saímos da I-80 e pegamos a Rodovia Estadual 14, atravessando o cenário impressionante do Canyon de Big Horns, passamos por Greybull e chegamos em Cody, a cidade que Buffalo Bill, outro personagem famoso do faroeste, fundou no final do século 19.
O Buffalo Bill Historic Center localizado em Cody, é um dos museus com um dos acervos mais impressionantes sobre a história natural da região, da conquista (ou a invasão e apoderação) do Oeste e da história dos indígenas da área.
Yellowstone National Park
O Parque Nacional de Yellowstone foi o primeiro parque nacional no mundo inteiro. Foi criado em 1872, para preservar a natureza e os animais. Continua sendo um dos mais movimentados de todos os parque nacionais americanos e continua sendo um exemplo a ser seguido em todo o mundo. A maior atração alí são os geisers, e o mais famoso, o Old Faithful. E foi ali pertinho que ficamos durante todo o dia, caminhando e almoçando no Old Faithful Inn, o maior e mais antigo hotel do parque. Falo mais sobre o Yellowstone num outro dia.
No parque vimos alces, veados e búfalos. É preciso dirigir bem devagarinho pois não se sabe quando vamos cruzar com animais que andam soltos em todo o parque.
Wyoming e também o Colorado ainda não são destinos muito populares para turistas brasileiros. Em Wyoming não há muitas alternativas em termos de excursões mais populares entre os meus conterrâneos: as compras! Além de Wal Marts, só temos um shopping mall em todo o estado, muito mixuruca aqui em Casper. Mas Colorado é um paraíso ainda não descoberto e pode concorrer com muitas vantagens com qualquer um dos outros destinos como Nova Iorque ou Miami, para alegrar sacoleiros de todos os gostos e de todas as classes. E com mais uma grande vantagem: Denver tem mais dias de sol num ano do que outras grandes metrópoles americanas como Miami ou San Diego.
Vamos voltar a falar da memória escolar! Como vocês sabem ou desconfiam, sou do tempo em que Tomé de Souza fazia campanha eleitoral para se tornar o primeiro Governador-Geral do Brasil. Portanto, aqui vai mais material para um papo com seus pais, tios e avôs.
Nem caneta existia. Bom, pelo menos era assim no primeiro ano do antigo primário. Só usávamos lápis. Tínhamos aulas de caligrafia, aprendíamos a rabiscar as primeiras letras num caderno pautado, com linhas traçadas para fazer as minúsculas e maiúsculas. Eu mais apagava do que escrevia, cada folha era uma obra de arte, que a dona Floripes, a professora sem nenhum senso artístico, achava horrível e me obrigava a fazer tudo de novo.
Aprendíamos um montão de hinos – o da Independência, o da República, o da Bandeira, o Cisne Branco e tudo mais que inculcava o espírito cívico bem cedinho nas cucas dos futuros cidadãos da nossa pátria.
Usávamos também, um alongador metálico, onde colocávamos o nosso lápis para usar até sobrar somente um toquinho. Começávamos a decorar a tabuada, usávamos papel manilha para encapar os cadernos, goma-arábica para trabalhos ou no meu caso, trapalhadas manuais, oportunidade para fazer mais sujeira.
No segundo ano, uma mudança brusca, aterradora. Tínhamos de escrever com caneta de pena! A gente comprava uma varetinha, a caneta porta pena, e na ponta encaixávamos penas de metal, que vinham em diversas espessuras e até fonts diferentes. Cada vez que escrevíamos algo, molhávamos a pena num recipiente de vidro que continha a tinta. Este vidrinho ficava encaixado num buraco bem no meio, na parte superior do banco escolar. Cada banco era divido por dois alunos. Já deu pra pressentir o drama que criava esse precário arranjo para alguém meio descuidado e meio desastrado? Não tinha um dia que não voltasse pra casa, sujo de tinta e camisas brancas manchadas. E nem o mata-borrão era de muita ajuda apesar de chupar um pouco da tinta em excesso. Infelizmente não existia Omo nem máquina de lavar roupa para aliviar a trabalheira da minha mãe.
Felizmente, a indústria de tintas estava de olho nesses desastres e criou um recipiente, uma latinha metálica que foi desenhada para não entornar a tinta, mesmo que derrubássemos a latinha. Não sei que nome tinha essa criação tecnológica, mas não deve ter tido um marketing muito eficiente pois tenho certeza que nenhum de vocês ouviu falar desse produto.
As coisas melhoraram um pouquinho quando ganhei uma caneta tinteiro Compactor. Gostaria mesmo era de ter uma Sheaffer ou uma Parker ou até uma Pilot, que chegou um pouquinho mais tarde. A Parker “51” ou “61”, não me lembro direito, era de uso exclusivo do meu velho, que acredito, deveria ser bem mais cara. Mesmo com esse pequeno avanço, acidentes aconteciam, os invevitáveis borrões, principalmente quando a tinta acabava e tinha que recarregar usando uma bombinha do tipo que se usa para conta gotas, depois de desenroscar o corpo da caneta.
Aqueles que tinham uma das canetas da marca Parker (21, 45, 51, 61 etc) usavam as tintas da Parker, que se chamavam Quink. A última novidade era a tinta azul real lavável. Aqueles que tinham uma Sheaffer, o que aconteceu comigo alguns anos mais tarde, teriam que usar a Skrip, que era a tinta fabricada para ser usada com a caneta. A vida não era tão simples nos anos 50 como todos vocês pensam!
Foi então que surgiu a salvação. Uma das maravilhas do século passado. A caneta esferográfica, que chegou nos anos 60, veio facilitar a minha vida escolar e depois, a profissional. E por tabela, a da minha mãe, que não precisava mais colocar uma tonelada de aguarrás nas camisas para tirar as manchas. Pelo menos, não com a mesma constância de antes...
(Cópia do texto que postei no Playground dos Dinossauros desta semana – por conta de um pouquinho de falta de tempo e principalmente, de muita preguiça...).
Crescendo no interior folheei por muito tempo as páginas daquela revista em formato de um livrinho com um monte de artigos e versões condensadas de livros. Sim, o Seleções de Reader’s Digest que meu pai assinava. Lia bastante e como outros da minha geração, parei de ler quando foi taxada de instrumento de propaganda do American Way of Life, reacionária e burguesa, pela polícia ideológica. Mas se todos os esquerdistas fossem coerentes, iriam deixar de ir ao cinema, ver tv, ler jornais. Muito sem graça isso, não é mesmo?
O que eu quero dizer, era que uma das seções favoritas daquela revista, além das piadas (Piadas da Caserna, Rir é o Melhor Remédio), o Enriqueça o seu Vocabulário, era o Meu Tipó Inesquecível. E a partir disso, dei uma chacoalhada na minha velha cachola para lembrar de alguns dos meus tipos inesquecíveis. São vários.
Um desses, encontrei aqui nos Estados Unidos. Era um Americano alto, com pinta de ter parado na década de 70, com cabelos longos como um hippie. Imagine um sujeito como Peter Fonda do Easy Rider, de cabelos compridos e de barba. O nome dele era Stephen Curtis Marshall, de Baltimore (foto ao lado). Era conhecido como Stephen St. Croix, nome que ele adotou depois de ter conhecido e se apaixonado pelas Ilhas de St Croix nas Bahamas.
Ele era um dos fregueses mais frequentes de um restaurante que gerenciei em Lutherville, na área metropolitana de Baltimore em Maryland. Stephen era um gênio na área de remasterização sonora tendo inventado um processo que foi batizado de revectorização, que foi usado para digitalizar a parte sonora de filmes clássicos como E o Vento Levou, O Mágico de Oz. Ao mesmo tempo gostava de mexer com mecânica, envenenando os seus carros e suas motos. Toda vez que ele vinha com um novo brinquedo desses fazia questão de levar a gente para ver e explicar o que ele tinha modificado e como tinha feito tudo aquilo. Eu admirava o trabalho dele mas não entendia patavinas do que ele explicava.
Ele tinha se tornado um milionário, ainda jovem, com a invenção do Marshall Time Modulator que os músicos usavam para modificar ou multiplicar as suas vozes. Esse processo foi utilizado também para criar aquela voz do Darth Vader do Guerra nas Estrelas. Ajudou a parte técnica nas gravações de Stevie Wonder e também de Michael Jackson. Viajava o tempo todo.
Era um sujeito cujo ego era enorme e não cansava de contar as suas proezas. Eu não acreditava em tudo o que ele contava. Como é que um milionário como ele, que tinha o seu próprio jatinho, e que ele mesmo ajudava a pilotar em suas viagens para Europa vinha vestido como um hippie para comer no restaurante deixando uma gorjetinha mixuruca? Ele adorava sushi mas nada de coisa muito radical. A maioria da sua seleção não incluia os peixes crus. Ficou muito chegado ao Yuiti um jovem sushi chef japonês com quem dividíamos o nosso apartamento na época e em decorrência disso, virou nosso amigo também. Pois, a pedido do Steven, o Yuichi criou o St. Croix Roll, que ficou muito popular. Dizia Steven que em todos os suhi bares que ele frequentava mundo afora ensinava aos chefs como preparar um ótimo St. Croix Roll...Uma vez chegou até a jogar soft-ball (um beisebol mais leve...) com a gente.
Contou me uma vez, que os seus cabelos compridos que muitas vezes vinham cobertos por uma bandana, eram para celebrar e honrar os seus amigos indigenas, os pimas. com quem conviveu na adolescência em Arizona.
Quando decidi deixar Maryland em fins de 1996, para trabalhar numa área de esqui em Colorado ele disse que estaria em Denver dois meses depois e ligaria para a empresa, para combinarmos nos encontrar num dos muitos ótimos restaurantes japoneses de lá, para comermos sushis juntos. Quando cheguei ao novo emprego, os planos tinham mudado e estava fazendo um curso profissionalizante em Denver, e a ligação dele para a empresa não foi transmitida pra mim e acabamos não nos encontrando. Como ele surfava mas não esquiava, e eu nunca mais fui para Baltimore, nunca nos encontramos depois disso.
Mais tarde li os artigos escritos por ele na revista MIX (uma pequena amostra aqui)onde ele era consultor técnico e assinava uma das colunas mais populares dessa revista, que se chamava Fast Lane, Mix é uma revista dirigida para músicos profissionais. Gostei mais dele ao ler nas páginas dessa revista os artigos nem sempre técnicos, mas coisas assim como a importância da música em sua vida.
Ele continuou inquieto como sempre e criou mais equipamentos técnicos que hoje estão sendo utilizados pelo governo americano no combate ao terror e pela polícia do país inteiro. Ele faleceu em 2006 de câncer na pele. Os editores da revista juntaram uma seleção de seus artigos e botaram num livro, que pedi e estou aguardando. Não sei se com o tempo eu iria entender um pouco mais o que existia atrás do seu enorme ego e debaixo da sua carapuça de Peter Fonda do Easy Rider, mas com certeza os seus escritos vão me ajudar nesse processo.
Viveu sempre na pista mais rápida como o nome da sua coluna na revista... .
Foto da capa do livro Life in the Fast Lane, tirado deste site.
A grande mudança que ocorria quando saíamos da escola primária para entrar no ginasial eram os professores. Para cada matéria tinha um diferente. No primário era a mesma professora o ano todo até passar pro ano seguinte. A não ser que você repetisse de ano. Dona Floripes, dona Quininha, dona Rosária e dona Aparecida. Quatro professoras mais o seu Rubens e a dona Janete no Preparatório ou Curso de Admissão, em quatro anos. E só.
No primeiro ano do ginasial do Gebara tínhamos mais professores do que tivemos durante toda a nossa longa jornada pelo primário que fiz todinho no Grupo Escolar Coronel Teodósio Lopes Pedroso. Nunca fui aplicado, dedicado ou disciplinado nos tempos de escola.
Gostava das aulas de Educação Física apesar do meu primeiro professor ter sido um militar meio relaxado que não levava as suas funções como mestre muito a sério. O segundo, foi o seu Joaquim, que vinha de Marília, como outros grandes mestres da época. Ele dava aulas também no Senai de Marília. Esse sabia motivar os alunos! Promoveu torneios, trouxe o time de São Carlos, onde ele havia se formado, para jogar basquetebol em Duartina, nos ensinou a jogar handebol, fez o diabo. E sabia o nome de cada um dos seus alunos, inclusive dos japoneses!
Eu gostava também dos desfiles com a fanfarra puxando o resto dos alunos, desfilando pela avenida principal da cidade. Nunca participei da fanfarra, para a felicidade de toda a população duartinense. Eu era (e ainda sou) péssimo em matéria de música... Via os jogos de futebol do time do ginásio, grudado no alambrado do campo. Admirava os meus colegas recitando poesias no palco, na frente de todos, as demonstrações de ginástica rítmica em datas cívicas. Ah, sim, que coisa mais linda! As garotas com as pernas de fora, alunas da dona Zuleide, que eu observava acanhado e tímido. Os meus olhos não conseguiam desgrudar daquele espetáculo no Estádio Municipal Theófilo Cordovil todo lotado!
Do que mais me lembro? Dos uniformes caquis do ginasial – as meninas, mais elegantes, com blusas brancas e saias plissadas em azul marinho. Das sabatinas, as provas ou testes semanais que podiam ser escritas ou orais, que apesar do nome, não aconteciam aos sábados.
E dos livros! Os de Geografia eram de Aroldo de Azevedo, os de História de Joaquim Silva, os de Ciências de José Coimbra Duarte, os de Matemática, em que me cansei de ficar para segunda época – o termo mais apropriado seria “segunda e última chance” - eram de Oswaldo Sangiorgi. Eu deixava os estudos para última hora, pois férias são férias e como que por milagre, passava de ano raspando. Não sei se tinha a mão do meu pai nisso, prometendo ao lendário professor Zé Antonio (que chamávamos de Vermelhão pelas suas costas), que eu iria ser mais aplicado no ano seguinte e que eu estava me esforçando ao máximo ou se pelo meu próprio esforço, o que duvido...
Apesar do medo ou respeito que tinha pelos professores, no ginasial não houve ninguém que abusasse ou castigasse física ou verbalmente os alunos. Só fui ter um fascista como professor quando fui fazer o curso Científico no Colégio Aplicação em São Paulo. Era um professor de Física, recalcado que chamava todos os alunos de burro e berrava quando algum aluno não respondia às suas perguntas corretamente. Imagino como ele seria tratado hoje em dia se ousasse fazer isso com algum aluno... Depois daquele ano nunca mais quis saber de Física... Em compensação voltei a gostar de matemática graças ao professor Scipione Di Pierro Netto, que também dava aulas nessa escola.
Os meus livros didáticos devem ter sido passados para os meus irmãos mais novos, pois era uma prática comum na época, mas não tenho lembrança disso. Preciso checar com os meus brothers. Hoje o livros parecem revistas, de tanta ilustração, fotos, quadros e muitos etc. Assim, até eu viraria um bom estudante!
Você guardou ou ainda se lembra dos seus livros escolares ?
Nas fotos, algumas capas dos livros escolares do século passado e o esquadrão do G.E. Benedito Gebara (Duartina, 5/5/1960) - Em pé: Prof. Colado, Dico, Vertão, Renê, Beto, Fernando, Puskas e Eliézer. Agachados: Hidequi, Lula, Nuno, Gilson, Carlão e seu Edgar. (foto cedida pelo Nuno Zanin, que tem uma memória incrível sobre os acontecimentos desse tempo).
T udo terminou bem para as duas jornalistas americanas, Euna Lee, 36 e Laura Ling 32 que tinham sido condenadas a 12 anos de trabalho forçado pelo governo da Coréia do Norte por terem entrado ilegalmente no país. Graças à pressão do povo americano e dos trabalhos por trás da cena, do Governo Obama, o ditador Kim Jong-Il concedeu perdão especial aceitando o pedido de desculpas do emissário americano Clinton, ex presidente dos Estados Unidos. O governo norte coreano está tão isolado do mundo que deve estar pensando que Clinton ainda é o presidente americano...
Al Gore respirou aliviado e agradeceu a Clinton pelo sucesso do esforço diplomático pois as duas jornalistas trabalham para Current TV, da California, que foi fundada por Gore. Elas estariam fazendo uma reportagem investigativa sobre tráfico humano que estaria acontecendo na Coréia do Norte, e nesse processo, entrado no país ilegalmente.
A escolha das duas jornalistas orientais americanas para esse projeto, foi obviamente para poder enganar os coreanos do norte pois quem quer que fosse o mentor dessa idéia imaginava que elas passariam despercebidas. Afinal na cabeça desses gênios, todos os asiáticos são parecidos...
Eu quero fazer a perguntinha que não cala: Porque é que essas duas jornalistas e agora, um hiker que está preso no Iran, põe em risco toda a política exterior do governo americano, desobedecendo/desafiando as leis desses países ? Não estão cansados de saber o perigo que enfrentam? Você vai a um país desses, você não tem os mesmos direitos civis ou constitucionais que você tem em seu país de origem! E não adianta espernear e reclamar argumentando que o regime deles é desumano ou que está tudo errado ali. É a lei deles e você precisa respeitar por mais absurda que seja.
Estou feliz em saber que as jornalistas estão de volta, assim como com o regresso da Roxana Saberi, outra jornalista que foi liberta pelo governo iraniano há alguna meses. Apesar de tudo, continuo achando uma tremenda irresponsabilidade o que elas fizeram.
Euna Lee e Laura Ling devem ter recebido muitos convites para escreverem um livro relatando as suas experiências e assim, faturar alto com essa experiência. Algumas coisas nunca mudam nessa terra...
Deu nos jornais daqui e também nos do Brasil. O Tampa Bay Rays, time profissional de beisebol vai montar um centro de desenvolvimento de jogadores desse estranho esporte no Brasil. Mais especificamente em Marília, no interior do estado de São Paulo. A organização americana localizada na Florida vai injetar um milhão e meio de dólares por ano, por quatro anos, com os brasileiros entrando com uma soma razoável para construir e levar adiante os planos dessa escolinha com planos para colher os frutos depois de uns dez anos.
O beisebol, a exemplo de outros esportes profissionais americanos está abrindo o leque para tentar internacionalizar tanto o número de atletas como de espectadores. O beisebol americano tem atletas dominicanos, venezuelanos, japoneses, chineses, koreanos mas ninguém de destaque do Brasil.
O beisebol no Brasil está praticamente restrito a atletas da colônia japonesa. O esporte chegou através de americanos que foram enviados para trabalhar nas grandes empresas que iniciavam a expansão global no início do século passado. Mas nada foi organizado ou estruturado a longo prazo até a chegada dos japoneses, que nessa época já tinham a sua liga profissional e aficionados fanáticos em seu país de origem.
No Brasil foram formadas equipes em São Paulo e nas diversas regiões, mais ou menos seguindo as diversas linhas de trens. Assim, na região coberta pela E.F. Sorocabana, as cidades dessa linha se juntavam para jogar entre si e formavam uma seleção. Na região da E.F. Noroeste do Brasil, a mesma coisa. E assim por dainte. Todos os anos, numa cidade escolhida antecipadamente pelos participantes se realizava o Inter-Regional, o chamado Sembatsu. Cada região tinha o seu estandarte, mas o objetivo era levar para casa o estandarte da Competição que seleção campeã teria a honra de manter em suas mãos até o ano seguinte.
O tenis de mesa na colonia japonesa seguiu um trajeto semelhante, com campeonatos nas cidades, depois um campeonato regional e as finais o Inter-Colonial, que antigamente era realizado sempre em São Paulo mas passou a ser mais ou menos itinerante. No próximo mês de janeiro, o campeonato vai ser realizado em São Bernardo do Campo, comemorarando a sua 60ª. edição. E o torneio mais bem organizado de todo o continente. Participei como atleta e depois como dirigente, ajudando na organização por uns 15 anos. Tá dando uma coceirinha danada para fazer uma visita e rever os amigos...
Mas voltando ao tema de hoje, espero que o beisebol pegue entre o restante da garotada brasileira. Já existe em Ibiúna, onde mora o meu irmãozinho Jorge, um centro de desenvolvimento dirigido aos garotos com potencial para jogar na seleção brasileira, sob o patrocínio da Yakult. Técnicos estrangeiros foram contratados. E o trabalho ali tem dado ótimos resultados. Nas seleções de base, nas categorias infantis e juvenis, Brasil tem feito bonito internacionalmente.
Falta aquele pouquinho mais, uma estrutura profissional, a cobertura da midia, um oba oba em cima de um bonitão que jogue bem, de preferência nas Grandes Ligas nos Estados Unidos, sabe, essas coisas todas que atraem atenção do público, para que o beisebol comece a fazer bonito também entre os adultos. Já temos 11 brasileiros nas equipes americanas, jogando por enquanto nas ligas inferiores e mais um tanto no Japão.Um pouquinho de relações públicas não ficaria nada mal.
Será que vamos ver um brasileiro jogando numa dessas grandes equipes no futuro? Os salários são astronômicos para os super craques. Alex Rodrigues do New York Yankees deve faturar esse ano mais de 30 milhões de dólares. O japonês mais bem pago é o Itiro Suzuki que joga pelo Seatle, que deve faturar cerca de 18 milhões de dólares este ano. O Tampa Bay contratou Leonardo Reginato, de 19 anos, um jovem brasileiro que está jogando numa equipe do grupo, na Venezuela. Será que ele vai ser o Nenê ou o Leandrinho do beisebol?
Foto do Centro de Treinamento de Beisebol da Yakult em Ibiúna, tirada deste site.
O verão chegou definitivamente aqui em Wyoming. Ao invés de malhar nos diversos clubes, tenho visto muita gente andando, passeando, correndo e se exercitando nos parques e nas muitas trilhas espalhadas pela cidade.
Aqui perto de casa tem uma trilha que atravessa praticamente toda a cidade beirando o rio que citei aqui mesmo há algum tempo. Mudamos de casa, e agora, moramos perto de um campo de golfe, praticamente ao lado do centro da cidade. Levo uns cinco minutos a pé daqui de casa para chegar às margens do campo de golfe. E é lá que andamos na trilha ao redor do campo para desenferrujar os ossos, junto com o pessoal da vizinhança. Uns levam os bebês nos carrinhos outros vão com os seus cachorros, outros vão patinar ou andar de bicicleta. Enfim, tem de tudo.
O interessante desse campo de golfe é que era o local da antiga refinaria de petróleo da Amoco, que funcionou de 1913 até 1991. Como vocês devem imaginar essa refinaria abandonada deixou sua marca de sujeira e detritos de quase oitenta anos de operações. O governo através da EPA – que nome mais apropriado ein? – a Environmental Protection Agency, forçou a Amoco a limpar toda a sujeira ou levaria uma multa gigantesca. Enquanto isso a BP – British Petroleum entra na jogada pois havia adquirido a Amoco. Ela entrou num acordo com a cidade e envolvendo diversas organizações, mais de 350 km de tubos foram retirados do subsolo, removeram o solo contaminado, plantaram mais de 2000 árvores, projetaram e construiram esse lindo campo de golfe cuja sede tem também um restaurante, uma réplica de um antigo posto de gasolina. Um business park foi projetado num outro ponto do terreno, o fluxo de água contaminada que corria para o rio, foi contido. Ficou tudo pronto há dois anos.
E a área onde vivo, onde residiam uma grande parte dos operários da refinaria - muitos deles ainda estão por aqui, mas todos aposentados - melhorou de status um tiquinho. Graças ao trabalho conjunto da Amoco-BP com a comunidade, diálogo aberto e transparente, da mútua confiança e colaboração de todos, a área que era uma mancha negra na imagem da cidade, é exatamente o oposto hoje. Uma jóia, um motivo de orgulho de Casper.
A população de Greeley é de 90 mil habitantes. Foi fundada em 1869 por Nathan Meeker, um jornalista de Nova York que adquiriu uma área em Colorado onde ele planejava criar uma comunidade sujeita a padrões morais rigorosos. Nada de bares, bebidas alcoólicas ou prostitutas na comunidade. A cidade se chamou inicialmente Union Colony, mas depois passou a se chamar Greeley, que Meeker, num arroubo de puxa-saquismo, resolveu homenagear Horace Greeley, seu chefe que publicava o New York Tribune. Greeley foi um dos maiores incentivadores da ocupação do oeste americano. É ele que tornou famosa a frase “Go West, young man” e que completava com “and grow up with the country”. E apenas como curiosidade, o correspondente europeu do jornal de Greeley era um sujeito chamado Karl Marx. Será que foi Marx quem fez a cabeça do Meeker?
A idéia de criação de comunidades utópicas auto-sustentáveis não começou com os hippies nos anos 60. Houve diversas outras experiências, inclusive outras, aqui nos Estados Unidos no século 19. Ford tentou uma coisa um pouco diferente, em Fordlândia, recriando uma cidade americana em plena selva amazônica, tentando impor uma cultura completamente estranha, goela abaixo aos trabalhadores brasileiros em 1928. Na sua cidade, que Ford nunca chegou a visitar, era proibido consumir bebidas alcólicas e nada de farinha ou feijão. Comida tinha que ser a mesma consumida em Michigan. Tinha espinafre todos os dias. Houve uma rebelião no refeitório da empresa. Pô, espinafre todos os dias? Até eu me rebelaria...
Bom, quanto a Greeley, as suas rígidas normas poderiam estar no papel, mas tinha uma boa porção de marmanjos que não tinham princípios morais tão rigorosos como os de Mr. Meeker. Eles descobriram rapidamente que outras cidades da vizinhança os receberiam, digamos, de braços abertos, pra não dizer também de outras partes do corpo...
Os brasileiros antenados no mundo dos negócios, devem estar pensando, onde é que ouvi o nome dessa cidade antes? Greeley, é onde fica a sede da Swift, que como sabemos está nas maõs de um grupo brasileiro, JBS, aquele do Friboi, comandado por Wesley Batista. Passando em frente da sede, em Greeley, a bandeira brasileira tremula ao lado da dos Estados Unidos. Li num noticiário recente que JBS está meio encrencado, na mira da Receita Federal no Brasil, por conta de possíveis irregularidades. Aqui também, mas por causa do medo dos americanos de perder todo o mercado de carnes processadas para uma família brasileira...
Quanto a Greeley, a lei seca felizmente não existe mais, apesar de ter durado até 1972! É uma cidade em que os imigrantes legais ou ilegais estão ocupando um espaço cada vez maior.
A foto acima não é de Greeley, mas de um Falansterio, tirado daqui.
Um dia desses, dirigindo a minha caminhonete Toyota caindo aos pedaços, pelas ruas de Casper, estava ouvindo a npr, a national public radio, quando fiquei sabendo do lançamento do livro chamado Fordlandia – The Rise and Fall of Henry Ford´s Forgotten Jungle City, de Greg Grandin.
Daí, enquanto dirigia, veio uma imagem de um hidrante americano em plena selva amazônica que devo ter visto num livro didático. quando ainda cursava o ginasial antigo lá na minha Duartina. Penso que foi num dos livros de geografia de Aroldo de Azevedo. Foi a primeira vez que ouvi falar de Fordlândia.
Fordlândia foi um projeto gigantesco de Henry Ford. Ele tinha idéias definitivas e inflexíveis de como produzir carros e como tratar os seus empregados. Ele dizia por exemplo que os carros que saiam da sua linha de produção poderiam ser de qualquer cor desde que eles fossem pretos.
A sua fábrica de carros precisava também de pneus. E o seu plano foi o de instalar uma fábrica com toda uma infra-estrutura americana, na fonte, onde havia seringais a dar de pau. Ou seja, na nossa Amazonia. Uma cidade americana foi planejada para abrigar os trabalhadores e a equipe técnica trazida dos Estados Unidos. Casas iguaizinhas as de Dearborn em Michigan, a sede da Ford, com gramado e cerquinhas brancas. E salão de danças, cinema, hidrantes nas ruas.
O projeto foi iniciado em 1928. Mão de obra e materiais americanos foram enviados para a selva para tornar o sonho uma realidade. Os americanos não se adaptavam às duras condições do local e houve uma rotação muito grande dessa mão de obra especializada e cara. O desconhecimento da cultura de seringais, o completo descaso para problemas culturais que nem imaginava existirem, fizeram com que o projeto fosse um grande desastre. Calcula-se que foi despejado de 20 a 30 milhões de dólares na empreitada, que hoje equivaleria a 200 a 300 milhões.
Mas alguém com o perfil de Ford é também muito teimoso. Depois de abandonar o projeto em Fordlândia original, ele insistiu com o projeto, dessa vez um pouco mais perto da civilização, próximo de Santarém, em Belterra. Teve o mesmo resultado. Toda essa área, duas vezes o tamanho do estado de Delaware, foi vendida nos anos 40, de volta para o governo federal brasileiro por 250 mil dólares.
Pelo que ouvi da reportagem sobre o livro, Belterra ainda mostra vestígios desse sonho ou pesadelo americano mesmo depois de mais de 50 anos. Um plano que foi pro brejo devido ao completo desprezo às condições da nova terra e principalmente à cultura local por parte dos americanos. E parece que nunca vão aprender pelo que fizeram e ainda fazem mundo afora...
Voltando mais uma vez a falar sobre Los Angeles, onde estivemos no começo do mês... Caipira quando sai pra viajar é triste, não é mesmo? Prometo que vai ser o último texto sobre Los Angeles ... até o próximo.
Fomos ver um jogo de beisebol no Estádio dos Dodgers. Ele fica bem pertinho do centro da cidade embora não seja visível andando de carro pelos inúmeros highways que cortam a cidade. O estádio foi construído numa área chamada Ravina de Chavez. Nos anos 40, início da década de 50, era uma área rural habitada principalmente por latinos, mexicanos e descendentes, todos pobres. A proximidade com o centro da cidade tornou a área um alvo para a voracidade imobiliária. Depois disso foi uma questão de tempo – desapropriação pela prefeitura; a prefeitura vende o terreno de volta para o setor privado a preço de banana; um clube de beisebol decide mudar para a cidade; mais uma troca de favores e nasce um enorme estádio. Inaugurado em 1962 o Dodgers Stadium é bonito mas está meio velhinho. Um plano de expansão e modernização já está em andamento. Recentemente foi o palco da partida final da versão beisebolística da Copa do Mundo.
Little Tokyo
É a versão angelina do nosso bairro da Liberdade em São Paulo. Tem inclusive o Centro Cultural ( Bunka Center), muitas lojas vendendo doces, comidas e artigos japoneses mas principalmente, mais de 60 restaurantes japoneses num raio de uns 200 metros. Renovei a minha japonesidade. Ali fica também o Museu Histórico dos Japoneses Americanos. Infelizmente o museu estava fechado. Só abre de fim de semana ou durante a semana para grupos especiais, que precisam agendar com bastante antecedência.
A comida é boa e os preços bem razoáveis nos diversos restaurantes. Ao contrário do que acontece no resto do país, os chefes dos restaurantes no Little Tokyo são em sua grande maioria, japoneses mesmo. Aqui em Casper são vietnamitas. Nada contra, mas inevitavelmente a comida sofre influência do background do chef e consequentemente a comida sofre modificações. Um tempura aqui não é o mesmo que um tempura num restaurante japonês da California. Principalmente o molho, que na versão original japonesa é bem suave e delicado. Na área de Los Angeles está a maior população de expatriados japoneses em todo o mundo. Os restaurantes tem que andar na linha para satisfazer o gosto e o bolso dos executivos japoneses e de suas familias. E a gente se beneficia disso.
O que eu gosto da comida japonesa não é sushi nem sashimi, que são tradicionalmente comidas para dias de festa. O bom mesmo é comer a comida caseira do dia a dia e esses restaurantes oferecem uma variedade enorme disso. É como o arroz com feijão e um bife acebolado com batatinhas fritas. Tem o mesmo efeito de nos levar ao conforto familiar da comidinha da mamãe.
Santa Monica, Venice
Passamos rapidamente pelos canais da Veneza californiana , pelos piers e praias em Venice e Santa Monica. Nas calçadas em frente da praia muito comércio ambulante e muitos artistas famintos apresentando seus trabalhos em suas barracas.
CBS
Encontramos um tempinho para assistir a uma gravação do show de Craig Ferguson, um comediante escocês que está lutando por um lugar ao sol na terra do tio Sam. Fomos até um dos estúdios da CBS e pegamos a fila para o show dele. Como dizia a prima da vizinha da minha avó, de graça, até injeção.... Ferguson é o apresentador do talk-show Late Late Show, que passa aqui nos Estados Unidos depois do show do David Letterman. Ficamos quase uma hora tendo que aguentar um “lubricator”, um cara sem graça que tem a função de preparar a audiência a rir, mesmo que as piadas sejam sem graça. Acho que funcionaria bem melhor na base da reação natural da audiência pois o Ferguson é bom. Ele faz o mesmo que outros apresentadores, contando piadas na abertura, que no caso dele segue um determinado tema, que muda em cada um dos seus programas na base de muita improvisação, que é raro entre apresentadores americanos. No dia em que estivemos lá o entrevistado foi o George Hamilton, velhinho mas ainda em boa forma, que foi galã de um monte de filmes sem nenhuma relevância no século passado. A entrevista foi muito gostosa, bem conduzida pelo Craig Ferguson.
Das três maiores cidades dos Estados Unidos (Nova Iorque, Chicago e Los Angeles) conheço mais Nova Iorque, que visitava muito no tempo em que morei na costa leste. Mas se tiver que escolher baseado na primeira impressão que tive dessas cidades, fico com Los Angeles. Não foi a primeira vez que fui a Los Angeles, mas a cidade continua me fascinando. Coisa mais brega, mas fazer o quê...
Fotos tiradas durante a viagem relâmpago a Los Angeles, maio de 2009.