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    O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
    Sábado, Março 16, 2013

    por favor acesse esse novo link do gaijin4ever para algumas coisas mais recentes que nem são tão recentes assim.



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    Segunda-feira, Novembro 05, 2012

    A Fascinação Americana com Yellowface






    Numa era de globalização ecômica e cultural, abolição do apartheid, em que o presidente americano é um negro, líderes mundiais são mulheres, a postura politicamente correta é a que todos devemos ter, seria de se esperar que o uso de yellowface no cinema fosse uma coisa do passado.

    Para quem não sabe, yellowface é o nome dado à pratica hollywoodiana de utilizar atores brancos para fazerem papéis de asiáticos, com ajuda de maquiagem, dentes postiços e indumentárias. E o resultado, é o retrato de nós asiáticos como o cinema nos vê, homens dentuços, de olhos puxados com forte sotaque ao estilo como Jô Soares nos vê. As mulheres, servis, muitas vezes como gueixas, que para Hollywood são vistas como prostitutas é uma outra história. As mulheres, talvez por causa do que acabei de dizer estão sendo interpretadas por asiáticas ou mestiças.

    Mas sabe de uma coisa? Você não deve subestimar a capacidade infinita do cinema americano de baixar o nível e continuar a perpetuar preconceitos e discriminação através de esteréotipos raciais. Em pleno ano de 2012 ainda vemos filmes ofensivos às minorias.

    Acabei de ver um filme baseado num best-seller, o Cloud Atlas do britânico David Mitchell que me deu pena. É um filme que está sendo promovido como revolucionário, utilizando um elenco em que atores de diversas etnias fazem papéis múltiplos de raças e mesmo de sexo diferentes.

    No elenco estão nomes como Tom Hanks, Susan Sarandon, Hale Berry, Jim Sturgess, Hugh Grant e o pior yellowface fo filme, Hugo Weaving (The Matrix ) todos eles atuando como personagens diferentes nas seis histórias que atravessam 500 anos, interconectados de uma forma ou outra. No segmento que se passa numa sociedade totalitária em Neo Seoul, Coréia do Sul de 2144, a principal protagonista é a linda atriz sulcoreana Doona Bae, mas quase todos os personagens masculinos coreanos são feitos por atores brancos, por um negro - o ator Keith Davis - e até pela Hale Berry.

    Um dos filmes com yellowfaces mais ofensivos para nós nikkeis na minha opinião é “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany’s), que revi há poucos meses na tevê. A música tema do filme é o Moon River, de Henry Mancini, que ganhou o Oscar de 1961. Apesar da presença de Audrey Hepburn e direção de Blake Edwards, esse filme é o exemplo típico do estereótipo racista de Hollywood. Mickey Rooney faz o papel completamente descartável de um japonês caricato e mesmo naquela época, extremamente ofensivo (foto aí ao lado). Mas o filme não fica só nisso, pois a personagem de Audrey Hebpburn está namorando um rico fazendeiro brasileiro, feito por um ator e aristocrata espanhol, José Luis de Vilallonga com um impecável sotaque espanhol. E tem mais, a personagem principal planeja morar no Brasil e o que faz? Toma lições na vitrola em seu apartamento, num disco que ensina o português de Portugal. Ou seja, Brasil, Espanha, Portugal é tudo a mesma coisa.

    Aqui vai uma pequena lista de outros famosos yellowfaces: Marlon Brando (que fez o papel do intérprete Sakini no filme A Casa de Chá do Luar de Agosto), Peter Lorre (detetive Kentaro Moto), Katharine Hepburn (uma chinesa em Dragon Seed, baseado num livro de Pearl S. Buck), John Wayne (Gengis Khan), Ricardo Montalban (Nakamura em Sayonara), Shirley Maclaine (uma japonesa em Minha Gueixa), Alec Guiness (Koichi Asano, um homem de negócios japonês em A Majority of One), David Carradine (da série de tevê Kung Fu), Eddie Murphy (um chinês em Norbit), Nicolas Cage (Fu Manchu), Keanu Reeves (em 47 Ronin, mas não sei se ele deveria ser mencionado aqui, pois afinal, ele é mestiço, o pai dele é hawaiano-chinês) e um interminável etc.

    Desde 1992 MANAA (Media Action Network for Asian Americans) tem se dedicado a combater o racismo e esteréotipos da media retratando os asiáticos de forma ofensiva aqui nos Estados Unidos. A respeito do filme Cloud Atlas, o mais recente alvo da organização, a vice presidente Miriam Nakamura-Quan disse numa entrevista há poucos dias, que é inconcebível que com o avanço das técnicas de maquiagem em filmes, ver trabalhos tão mal feitos em atores brancos para parecerem asiáticos, que atrapalha totalmente o ritmo do filme. Os caracteres do passado como Fu Manchu e Charlie Chan parecem mais realísticos do que os personagens de Cloud Atlas. Porque não colocaram alguns atores asiáticos americanos bonitões? Faria com que o filme fluisse normalmente, completou Nakamura-Quan..

    Porém, apesar das mancadas dos técnicos em maquiagem com os atores brancos, eles conseguiram melhor resultado quando fizeram com que Hale Berry, Doona Bae e Zhou Xun passassem por brancas em outros episódios do mesmo filme. Ou será que assim me parece? Bom, que eu saiba, até agora os brancos não reclamaram dos whitefaces do filme.

    Muita coisa ainda deve ser feita nesta suposta era pós-racial para educar os americanos sobre pessoas de cor e sensitividade cultural e respeito a todas etnias. Será tão difícil encontrar atores asiáticos hoje em dia? Existem aos montes! A minha mulher aqui do lado sabe de pelo menos 10 atores coreanos lindos de morrer e que ela jura são ótimos intérpretes! É só escolher um e torná-lo um astro como Tom Cruise or Hanks no esquema antropofágico existente e que tanto satisfaz o público no mundo inteiro.

    Fotos de alguns dos famosos yellowfaces, Marlon Brando, tirado daqui; Nicolas Cage daqui, Jim sturgess daqui e de Mickey Rooney, daqui.
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    Segunda-feira, Maio 28, 2012
    Wyoming

    Manuel Felipe Cardoso, uma lenda do velho oeste





    Manuel Felipe Cardoso nasceu no dia 8 de abril de 1832, o quarto filho de uma ninhada de nove do casal Felipe e Maria Cardoso, de Açores. Aos 18 anos se juntou a um navio baleeiro com destino a California, onde ele decidiu ficar. Entrou na corrida do ouro passando por California, Oregon e Idaho nos 15 anos seguintes. Chegou a Montana em 1865. Juntou-se ali aos mineiros que iam para as montanhas de Big Horn, chegando ao Forte Phil Kearny em meados de setembro de 1866. Trabalhou aparentemente no Forte transportando água.

    Manuel mudou o seu nome para John Philips mas todos o chamavam pelo apelido. Sim, “Português” (Portugee), ora pois.

    Apesar de eu não ter conhecimento de nenhum gibi com as aventuras do Português, ele ficou conhecido no velho oeste como o homem que levou a notícia do Desastre de Fetterman atravessando mais de 400 km de Forte Phil Kearny até o Forte Laramie, durante uma nevasca com temperaturas gélidas para pedir reforços militares. Ele tem sido celebrado em livros como um dos grandes herói das fronteiras. Com o tempo, a lenda foi dando vez aos fatos, mas ele continuou como um exemplo a ser admirado, de sacrifício e de muita garra.

    Logo depois da fragorosa derrota de Capitão Fetterman, atacado pelos índios, em 21 de dezembro de 1866, o Português se ofereceu para enviar uma mensagem ao mais próximo posto telegráfico, distante cerca de 250 km atravessando o território indígena que não estavam nada contentes com a invasão dos sem terra da hora. Embora tenha feito essa viagem sozinho conforme a lenda, na verdade ele foi acompanhado por um tal de Daniel Dixon até o Forte Reno e por outros cavaleiros durante o restante do trajeto. Ele recebeu 300 dólares por esse bico como mensageiro.

    O Português escolheu o melhor cavalo do regimento e recebeu um rifle repetitivo Spencer com munições. Chegando ao Forte Reno ele recebeu mais uma nova ordem, para seguir até o Forte Laramie para enviar mensagens adicionais. O Português chegou em plena noite de Natal. Estava havendo um grande baile de gala que foi interrompido com a chegada daquele cavaleiro encapotado com pele de búfalo, sujo, super esgotado. Segundo a lenda, o cavalo pereceu assim que alcançou o forte.

    O reforço militar só conseguiu sair no dia 6 de janiero por causa da nevasca.

    Na viagem de volta ao Forte Phil Kearny, na primavera, o Português teve que se defender de um ataque indígena usando o seu rifle de repetição.

    Português continuou trabalhando como mensageiro para o governo mas quando o Forte Phil Kearny foi fechado ele se mudou para Elk Mountain, que fica perto de onde fica a atual cidade de Laramie.

    A estrada de ferro estava sendo construída no sul do estado e ele forneceu materiais para a sua construção. Depois disso ele continuou suprindo materiais para os Forte Laramie e Forte Fetterman. Casou-se na cidade de Cheyenne (atual capital do Estado) no dia 16 de dezembro de 1870 com Hettie Buck, natural de Indiana, então com 28 anos.

    Na década seguinte eles tiveram um rancho em Chugwater onde ele construiu um hotel para acomodar os novos aventureiros que iam para as montanhas de BlackHill em procura de ouro. Eu tive que passar uma noite no mesmo local, num novo hotel que foi construído no lugar do antigo, durante uma tempestade de neve no último inverno. O Português mudou-se para Cheyenne após vender o rancho e hotel, onde faleceu em 1883. A sua mulher Hattie faleceu aos 94 anos de idade em 1936 na cidade de Los Angeles.

    Um monumento dedicado a John Português Philips pode ser visto pertinho do Forte Phil Kearny, que hoje é uma pequena atração turísitca. Fica a menos de duas horas daqui de Casper, entre Buffalo e Sheridan.



    Baseado num texto de John D. McDermott sobre Forte Phil Kearny.
    Quadro de John Português Philips chegando em Forte Laramie, de Phoebe Blair, tirado do site de Forte Phil Kearny

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    Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

    Jeremy Lin – persistência e a luta contra estereótipos





    Quem estiver antenado no noticiário esportivo deve ter ouvido falar de Jeremy Lin, a mais nova sensação da NBA. Ele ocupou o noticiário em todo o país durante este mês.

    Jeremy era reserva do reserva do reserva, de uma das piores equipes da liga, prestes a ser dispensado quando uma série de fatos, como a contusão de diversos jogadores titulares, a intervenção do astro do time Carmelo Anthony (ex Denver Nuggets) pedindo ao técnico para que o escalasse desde o início das partidas, colocaram ele, como num passe de mágica, como o armador titular da equipe, sua última chance.

    E o que ele jogou nessa e nas partidas seguintes foi algo extraordinário. Entrou para a história dos recordes para novatos da liga, sendo comparado com os gigantes da NBA.. Jogo após jogo ele foi melhorando e quebrando recordes jogando com a confiança de um veterano.

    Quando o vi jogando pela primeira vez pensei que fosse mais um atleta importado da China, como acontecera com Yao Ming em 2002. Jeremy no entanto é americano, nascido na California, de pais imigrantes taiwaneses. E teve que lutar muito, ser persistente ao extremo desde que decidiu ainda garotinho, pelo basketball. Nunca desistiu do seu sonho.

    A gente pode ver o fenômeno Lin, batizado aqui de Linsanidade ou Lindemônium, de diversos ângulos. Mas o que mais me chama atenção, é o preconceito. O estereótipo do asiático bom de matematica mas ruim nos esportes, prevalente aqui nos Estados Unidos o perseguiu a vida toda. Em todos os níveis em que Lin participou. Desde o High School até virar profissional. Foi um dos melhores atletas durante os seus anos no High School, levando a sua escola ao título estadual e nenhuma universidade de California deu bola, nenhuma universidade o “draftou” (recrutou). Sem outra alternativa procurou uma escola na costa leste e acabou sendo aceito pela Harvard, que como sabemos, não é famosa pela sua equipe de basketball. O último atleta que saiu dessa escola para ser profissional na NBA, aconteceu em 1954, quando havia muito mais brancos jogando do que hoje em dia.


    Depois que se formou, apesar de ter feito o que nenhum atleta harvardiano em termos estatísticos, não foi “draftado” por nenhuma equipe profissional. Conseguiu a duras penas ser convidado para a triagem na equipe de São Francisco, sua cidade. Apesar de lotar o ginásio com a colônia chinesa torcendo por ele, nos poucos minutos que ele entrava na quadra no final do jogo, foi enviado para jogar na divisão inferior. Passou depois por Houston e depois de dispensado jogou uma temporada na liga chinesa. De regresso aos Estados Unidos, conseguiu que o convidassem para triagem na equipe de Nova York Knicks.

    Com que cara ficam todos os recrutadores e técnicos das universidades e das equipes profissionais que o encostaram, agora que ele conseguiu uma chance de jogar e está mostrando pro mundo todo, a sua incrível habilidade com a bola?

    Jeremy Lin bagunçou a estrutura do basketball americano. Hoje em dia estão todos pensando, será que não tem mais um Jeremy Lin no banco de reservas que não teve o tempo suficiente para mostrar as suas habilidades? Será que o modelo de recrutamento deve ser modificado?

    Ele é um modelo a ser seguido pelos asiáticos que gostam de basketball, mas também pela sua incrível tenacidade e persistência, por todos aqueles que foram um dia rejeitados pelos técnicos ou ficaram por último na escolha do seu time no jogo de queimada.

    Como asiático, ele sempre enfrentou comentários racistas onde quer que fosse jogar, do tipo "abra os olhos, chinês", sendo chamado de chink, wantan e outras gozações e comentários preconceituosas como os que o JôSoares vive repetindo em seu programa, e nós, os bobos asiaticos brasileiros com o nosso riso amarelo, aceitamos, ao invés de mostrar a nossa indignação.

    Não sei por quanto tempo vai durar esse namoro da mídia com Jeremy Lin. O New York Knicks já perdeu duas vezes com ele no time - até este momento em que escrevo estas maltraçadas- apesar dele ter repetido as suas boas atuações. E ele continua nas manchetes. Confira.

    Acho bastante apropriado para ele, o que o jornalista esportivo Jimmy Cannon disse há muito tempo, a respeito do boxeador Joe Louis: “Ele é um crédito para a sua raça .... a raça humana”.

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    Sábado, Fevereiro 04, 2012

    A pata nada pata pa nada na






    No início da década de 50, os imigrantes japoneses continuavam a sua migração do campo para as cidades. Em Duartina, apesar dos japoneses não serem em grande número, funcionava uma escolinha japonesa, que ficava num galpão bem rústico. Será que os nossos pais ainda mantinham os sonhos de um dia regressarem para o Japão com dinheiro que iriam fazer aqui no Brasil? Será que foi por isso que eu e meus dois irmãos fomos matriculados nessa escolinha? O professor era Suguio sensei que, se não me falha a memória, tinha um barzinho ali pertinho da Estação.

    Nas ruas, brincávamos com os amiguinhos da vizinhança nos comunicando com um misto de japonês, português e gestos, que devia ser muito difícil de ser entendido pelos garotos gaijins. Mas em casa, falávamos praticamente só japonês. E por isso e mais o fato de continuarmos enclausurados na colônia, o pessoal nissei da minha geração, sofria um bocado quando entrava na escola primária, no antigo Grupo Escolar Theodósio Lopes Pedroso. Cheguei a ficar de castigo sem saber porque, fazia tarefas erradas, coisas desse tipo. Acho que deve ter sido um pouquinho mais fácil pros meus irmãos que vieram depois. Passei por maus bocados nas mãos da minha primeira professora. Mas para quem tinha experiência de uma escola japonesa, a professora nazista não me deixou sequelas...eu acho. E para melhorar um pouco, dona Quininha, a segunda profesora, reverteu o quadro pessimista que eu estava formando da escola. Era um amor de professora e ainda por cima, mãe de um grande amigo da época, o Fernando. A família dela era a dona da farmácia, vizinha da padaria da família do Shigueru e Emília Kawai.

    Como muitos da minha geração, fui alfabetizado com a Cartilha Sodré (de autoria de Benedicta Stahl Sodré), que chegou a vender mais de 6 milhões de exemplares em suas 273 edições.A primeira lição começava assim, A pata nada pata pa nada na. Alguém se lembra disso?

    Tenho a impressão que fiz parte da última turma que se alfabetizou com essa cartilha em Duartina. Sim, pois os meus irmãos menores, tiveram uma cartilha diferente, que tem mais de 40 milhões de vendas nas costas, a Caminho Suave (de Branca Alves de Lima).

    A Cartilha Sodré começava com vogais, primeiro o A, introduzindo todas as consoantes e assim por diante. A Caminho Suave apresentava todas as vogais, encontros vocálicos e depois partia para silabação.

    As crianças de hoje chegam às escolas com uma tremenda bagagem de informações - milhares de horas de tevê e internet- a que não tínhamos acesso. Outra coisa que deve ter mudado é o tempo em que as crianças conseguem se manter atentas. Em decorrência de anos de condicionamento em frente da tevê, uso de computadores e smartphones e toda a parafernália tecnológica, acredito que 15 minutos de atenção já é pedir muito, hoje em dia. E some-se a isso as precárias condições das escolas pública, o vergonhoso salário dos professores e temos um quadro realmente negro da educação no Brasil. E os novos livros, ricamente ilustrados e custando os olhos da cara, parecem não dar conta do recado pelos resultados das pesquisas sobre o desempenho escolar dos meninos brasileiros. Um enorme desafio para os nossos valentes professores.

    E quanto a nós - regressando no tempo - antes de começarmos o curso ginasial, eu e meus irmãos não falávamos praticamente mais nada de japonês. Os nossos pais falavam em japonês e respondíamos em português, com algumas pitadas de japonês. Dá pra acreditar?

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    Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

    JOVENS JAPONESAS E MULHERES MADURAS SÃO CHEERLEADERS DA NFL






    Domingo passado além do jogo do Corinthinas na tevê, eu estava exercitando a minha pobre capacidade de um velho multitasker espiando um jogo de futebol americano entre os Jets de Nova Iorque e Buffalo Bills e notei que uma das cheerleaders era uma oriental. Fui checar e vi que é uma japonesa.

    Na carreira de cheerleaders, o ponto máximo é fazer parte de uma das equipes do futebol americano da NFL. Essa carreira começa bem cedinho. As garotinhas do ensino Fundamental I ( Elementary School aqui) são pressionadas por suas mães para fazer parte da equipe de cheerleaders da escola. E fica cada vez mais competitivo à medida que as meninas crescem e seguem estudando.

    O Japão sempre foi fascinado por tudo que é americano. Parece até um povo que conheço...abaixo do Equador. Mesmo assim me surpreendeu o número de japonesas que já foram cheerleaders da primeira divisão do futebol americano. Nada menos que 16 delas já vestiram ou vestem os diversos uniformes curtinhos agitando pompons para animar a torcida e fazer a alegria dos marmanjos.

    Em San Francisco, Miho Satake, foi a única das sete candidatas japonesas a ser aceita na equipe do Gold Rush Cheerleaders. A mais nova seria Kisato Nishimura de 22 anos, que ganhou um lugarzinho na equipe do Oakland Raiders (chamadas de Raiderettes) para a temporada que está em andamento mas não está incluída no site oficial . A Emi Koike já é uma veterana, faz parte dos Jets, naquele jogo que vi na tevê. O resultado final do jogo? Desculpe, não sei, não estava prestando atenção no jogo...

    As cheerleaders dos Jets são conhecidas como Tripulação de Vôo dos Jets (Jets Flight Crew). Não entendo o porquê da mudança de nome, mas acho que é por causa dessa mania dos americanos de tentarem dar um tom menos sexista, mas no fim, elas fazem exatamente o mesmo que todas as outras equipes de cheerleaders do país todo.

    A Emi Koike tem a distinção de ser a primeira japonesa a ter feito parte de outras equipes nos outros esportes da elite profissionaldos Estados Unidos. Emi já foi cheerleader da NBA, da equipe de Basketball de Atlanta e também da NHL, da equipe de Hoquei no gelo de Nashville. E apesar dela estar perto dos 30 anos, ela não é a mais velhinha de todas as cheerleaders na ativa. Essa honra cabe à Laura Vikmanis de 42 anos, que conseguiu passar pela seleção rigorosa na equipe de cheerleaders de Cincinatti Bengals .A história da sua incrível tenacidade e determinação vai virar um filme logo logo. E falando de mulheres maduras na NFL, a mesma equipe da Kisato tem uma avò animando a torcida. E não é junto da torcida do lado de fora. Susie Sanchez, de 37 anos(se não estiver mentindo a sua idade...) é avó de uma linda garotinha e está ali dentro do campo junto com outras cheerleaders bem mais novinhas.

    Não é a toa que os estádios estão todos lotados nos jogos da NFL. Basta checar os sites nos links que citei no texto de hoje. Mas acredite ou não, Chicago Bears, Cleveland Browns, New York Giants, Detroit Lions, Green Bay Packers (invictos nesta temporada) e Pittsburgh Steelers não tem cheerleaders. O que se passa com os dirigentes dessas equipes? Bom, azar deles... Ou da gente?


    Nas fotos, em ordem, Miho Satake de São Francisco Gold Rushers, na segunda foto as Raiderettes Kisato Nishimura, Jessica e a vovózinha sexy Susie Sanchez. Depois, três poses da Emi Koike e a mais velhinha das cheerleaders, a Ben-Gal, Laura Vikimanis.

    Os links para as fotos: Miho Satake, aqui: Kisato com a Susie, aqui, Emi Koike aqui e da Laura Vikimanis aqui.

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    Sexta-feira, Novembro 25, 2011

    CIDADES ABANDONADAS





    Atlantic City, Pittsburg, Baltimore, Bonanza, Harvard City e Jeffrey City. O que estas cidades tem em comum? São todos nomes de algumas cidades fantasma de Wyoming e Colorado.


    A corrida pelos minerais preciosos no século 19 viu o surgimento de cidades de um dia pro outro, sem nenhum planejamento. Depois de esgotados as fontes e sem mais nada para sustentar a economia, essas cidades foram abandonadas e estão por aí, com as ruínas do antigo esplendor – bem, nem tanto assim - ainda visíveis.

    Só aqui em Wyoming tem mais de 70 dessas cidades e outras tantas que ainda não são consideradas ghost city mas mostram sinais de decadência decorrentes das mudanças econômicas que inviabilizaram a permanência da maioria da população.

    Jeffrey City é provavelmente uma das mais recentes vítimas no vai e vem dos ventos econômicos. Ao contrário da maioria das outras cidades abandonadas, Jeffrey City cresceu e morreu com a Guerra Fria. A existência de urânio, mineral importante na produção de energia nuclear deu surgimento a uma vibrante comunidade. Entretanto, depois das tragédias de Three Mile Island e Chernobyl e com a produção de urânio mais puro e mais barato fora dali,a empresa mineradora começou a efetuar cortes e eventualmente deixou Jeffrey City, com problemas ambientais de contaminação e a cidade perdeu a razão de existir.

    Hoje as casas estão abandonadas, a escola pública que abrigava os estudantes de até o 12º grau, que contava inclusive com um moderno ginásio de esportes com piscina olímpica e tudo o mais está abandonada.

    A demanda por urânio está crescendo de novo. Será que Jeffrey City vai se beneficiar com uma revitalização?

    Em Colorado, cidades fantasma como Central City e Black Hawk, bem pertinho de Denver, que cresceram e morreram com a exploração do ouro, renasceram das cinzas. Cassinos foram estabelecidos ali e muitos dos edifícios do século 19 estão de pé, recuperados, mas ao mesmo tempo, a ganância imobiliária derrubou muitos outros edifícios que deveriam ser tombados. Isso acontece aqui também...

    No Brasil os americanos deixaram a sua marca em Fordlândia (foto lá de cima), um projeto fracassado de Ford nas selvas amazônicas. Outras cidades foram abandonadas pelo mundo afora por razões diversas. Este link tem muita coisa interessante sobre o assunto. Confira.



    Fotos de Fordlândia daqui, de Jeffrey City dali e de Black Hawk acolá.


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    Domingo, Outubro 23, 2011

    CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS






    Campo de Concentração? Nos Estados Unidos? Sim, e teve um aqui perto em Wyoming.

    Porque? Mas, não somos Americanos? Porque estão nos tratando como criminosos? Fizemos algo de errado? Essas e muitas outras perguntas dos nisseis americanos vivendo na costa oeste americana em 1942 não foram respondidas. Entretanto, depois do ataque japonês a Pearl Harbor,a histeria tomou conta da mídia e políticos oportunistas incitaram o povo e o governo tomou a decisão finalmente de encurralar os japoness e descendentes de japoneses em campos de concentração, através da Ordem Executiva 9066 .

    Durante a Segunda Guerra Mundial foram construídos 10 deles aqui nos Estados Unidos, em áreas desertas, longe das grandes cidades, espalhados pelo interior do país. O de Colorado, Camp Amache ficava em Granada a 4 horas de Denver. O de Heart Mountain em Wyoming a 4 horas daqui de Casper entre as cidades de Cody e Powell.

    Heart Mountain recebeu ao todo cerca de 14 mil nikkeis (japoneses e uma grande maioria de nisseis americanos) que foram praticamente arrancados de suas casas e propriedades, sem nada, levando apenas o que poderiam carregar em duas malas, começando do zero. Rapidamente os concentrados criaram uma pequena comunidade que chegou a ser a terceira mais populosa do estado, com escolas, jornais, criação de um setor hortifrutigranjeiro, grupos de escoteiros, equipes de futebol, beisebol, tudo que pudesse lembrar um pouquinho a vida normal que acontecia fora dos limites do campo cercado de arame farpado.

    Esses campos de concentrações receberam o nome official de Centros de Relocações pelo governo Roosevelt. A terrível injustiça que os nikkeis sofreram era um assunto que não se mencionava nas famílias daqueles que passaram por essa experiência. Uma vergonhosa experiência na concepção desses americanos descendentes de japoneses, apesar de serem eles, as vítimas. Por isso, não é de estranhar que não são muitos os monumentos ou memoriais erigidos nesses locais, mesmo hoje, quase setenta depois.

    O Campo Amache em Granada, Colorado está sendo lembrado por alunos de uma escola secundária, onde não há um simples descendente de japoneses, que percorrem pelo país, para contar a outros estudantes sobre esse triste episódio da recente história americana.

    Há pouco mais de um ano fui a Cody, para conhecer onde ficava o Campo de Concentração de Heart Mountain. Existia um pequeno monumento e uma pequena trilha com marcos explicando como era aquele local durante os trés anos em que funcionou o “Centro deRelocação”. Voltei no mês passado pouco depois da inauguração do Heart Mountain Interpretive Learning Center, um museu moderno com filmes, várias mostras inter-ativas e o mais importante, ele honra a incrível capacidade de nós, os nikkeis de suportar as mais terríveis agruras e se recuperar dessas experiências ainda mais fortalecidos.







    fotos destes sites 1, 2, 3, 4.

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    Sábado, Julho 16, 2011
    Cruzei com um blog do Barry Levinson (de Baltimore, que fez o Diner, Rain Man, Tin Man, Avalon e muitos outros filmes) esta semana no Huffington Post que achei interessante e resolvi botar aqui. A minha tradução é tosca, mas espero que gostem.

    Dr. Flúor



    por Barry Levinson

    vou lhe contar uma história. Aconteceu há dois anos e eu não tinha dado muita atenção, apesar de estranho. Mas fiquei a matutar e achei que deveria contar aqui.

    Foi um encontro casual. Em um Diner. O tipo de restaurante que eu amo. Ele se sentou no balcão, um homem alto, de vários dias de barba a fazer, fora isso, bem vestido. Eu sentei ao lado dele e, de vez em quando notei que ele ria ria para si mesmo, um sinal de alerta evidente para mim. Cuidado com o louco, ou assim eu pensava. Evite contato visual direto a todo custo. Mas ao tentar pegar o açucar, nossos olhos se cruzaram e ele começou a falar comigo como se fôssemos velhos amigos.

    "É como em Dr. Fantástico, exceto que o general não foi suficientemente longe."

    "O quê?" Eu perguntei, sabendo que eu estava cometendo um erro, incentivando-o.

    Ele acrescentou: "O General no filme, disse que o flúor estava destruindo a nossa essência, nossos líquidos corporais. Ele disse que era uma conspiração comunista. Introduzir uma substância estranha para o abastecimento de água sem o nosso conhecimento e deixá-lo entrar em fluidos corporais. Mas ele não foi suficientemente longe. "

    Eu sabia que estava cometendo um erro assim que eu perguntei: "O que você quer dizer?"

    E ele respondeu rapidamente "Os comunistas sabiam que nunca poderiam destruir os EUA em uma guerra;..... Somos muito poderosos militarmente. Eles não poderiam nos bater no campo econômico. Somos inventivos, um país capitalista girando como um pião brilhante. Mas eles poderiam nos bater com a ajuda do flúor."

    E ele prosseguiu...Ele disse que os soviéticos trabalharam num projeto onde não só adicionou o flúor na água de abastecimento de água através de empresas diversas, mas incluiram um outro ingrediente que com o tempo nos fariam mais burros. Lentamente, essa mistura ia fazer um estrago geral, ano após ano, e dessa forma a URSS seria capaz de nos derrotar. Ficaríamos tão estúpidos que nem notaríamos. Essa técnica utilizada a partir da Guerra Fria é inigualável nos anais de truques sujos.

    "Ano após ano, você pode ver os resultados, se você quiser. Os resultados dos testes dos estudantes tem caído todos os anos. O nível de debate entre estudantes entrou em colapso. Ninguém consegue debater uma questão com clareza. A mídia confunde, cheia de imprecisões, e o Congresso é incapaz de qualquer lógica.
    Mas os soviéticos eram metódicos;. eles colocaram uma dose maior da droga de emburrecimento em Washington como podemos notar. “

    Eu pensei que aí havia um furo lógico e confrontei-o de forma agressiva: "Ok, se esse era o plano, você deixou de fora o fato de que houve o colapso da União Soviética e a Guerra Fria acabou. Vencemos".

    Ele sorriu. Bebeu um gole de café. Então disse: "Isso é o que torna tudo isso tão maquiavélico."

    "O quê? Eu não entendo." Fiquei intrigado e confuso.

    "Eles entregaram os planos secretos a altos funcionários do governo aqui, e eles adoraram a idéia. Eles discutiram os planos imediatamente com algumas grandes corporações que também pensaram que a idéia era fantástica. E assim continuaram o emburrecimento da América."

    "Por quê? Qual é a vantagem?"

    Ele ficou furioso. "Por que, por quê? Porque um eleitorado estúpido vota contra seus próprios interesses. Não sabem distinguir o certo do errado. Você pode vender qualquer coisa a um público mal-informado! Seria de imaginar que um alerta geral fosse acionado, mas não há nada. Nas escolas, os adolescentes não tem a mínima idéia quais eram as 13 colônias. Mais da metade não sabem em que século aconteceu a Guerra Civil, ou quais os países envolvidos na Segunda Guerra Mundial, ou o que foi a Guerra Fria. E Matemática? Ciência? Cada vez mais idiotas. E de quem é a culpa? A culpa é do professor. Eles são pagos demais! " E então ele começou a rir tanto que ele quase engasgou. "Nós temíamos os foguetes e as bombas ... mas é assim que estamos sendo derrotados."

    Ele ficou quieto por alguns minutos, e eu não queria incentivá-lo a continuar, sem saber o que fazer com a sua história maluca. E então ele disse calmamente: "Esta é a segunda vez que uma grande civilização se destruiu."

    Eu não entendi. "Roma se envenenou com flúor?"

    "Flúor não!" ele gritou. " "Chumbo! A elite, os ricos e poderosos foram enloquecendo por envenenamento por chumbo. O encanamento instalado nas mansões eram feito de chumbo. Com o tempo eles ficaram malucos. Envenenamento por chumbo. O comportamento da elite e dos ricos ficou cada vez mais estranho, mais irracional. Eles iniciaram guerras inúteis, aumentando seu império até que se desintegrou completamente. "

    Ele tirou uns trocados para pagar a conta. Então se virou para mim: "Você toma muita água?"

    "Eu não bebo da torneira, só água engarrafada" respondi.

    "Água engarrafada?" E ele se afastou gargalhando.



    Foto de Peter Sellers no filme "Dr. Fantástico ou Como eu Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba" que tirei daqui.

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    Domingo, Junho 19, 2011

    Extintos e Obsoletos


    Recebi o meu novo celular hoje, para substituir um que tinha perdido na semana passada. Não é a última palavra em tecnologia, mas é um desses smart phones, que é como o bom bril, tem mil e uma utilidades, serve para tudo. Eu, saudoso do Brasil gosto de usar esse equipamento para ouvir radios brasileiras enquanto dirijo. Tiro fotos e quando vou a alguma cidade desconhecida, uso como navegador, ou GPS para não perder tempo perguntando onde é que fica a rua x, pois como todos vocês sabem, homem que é homem não pede informações mesmo que esteja perdido por dias afora. Visito sites na internet e às vezes até utilizo para ligar para alguém ou receber uma chamada, porque além de outras coisas funciona também como telefone. E aí, comecei a matutar...

    As mudanças ocorrem hoje em dia com tamanha rapidez que não dá nem tempo para sentir saudades. Logo logo não vão existir os telefones da forma que conhecíamos.

    Muitos sons, objetos, profissões desapareceram ou estão em vias de extinção. Ainda outro dia, um dia desses na década de 50...

    ... de dentro de casa ouço o assobio caracteristico do afiador de facas e tesouras. Ele passa com o seu carrinho pelas ruas da cidade e ouvindo o apito de flauta, as donas de casa saem com as suas facas cegas que vão ganhar uma nova vida na mão do amolador.

    De tardezinha, o tec tec de uma matraca anuncia o vendedor de bijus e saio correndo pegando uns trocados da minha mãe atrás do som mágico. Esse vendedor leva os bijus num tamborzinho e a tampa é uma roleta com numeração que roda e você recebe a quantidade de bijus de acordo com o número na roleta quando para de rodar. Comigo, quase sempre esse número é o 1. O biju é o meu preferido entre os doces vendidos na rua. Tem o martelinho que é vendido na saída da escola e também, o vendedor de pirulitos, aqueles em forma de conezeinhos coloridos que ficam expostos num tabuleiro cheio de buracos. O papel que cobre o pirulito fica grudado e é praticamente impossivel de despregar. Aí vai com papel mesmo uai.

    Já o vendedor de peixes, tem uma carroça puxada por um burro, com uma enorme caixa cheia de gelo. Ele grita lá de fora aprooximando-se da nossa casa, “sakana-yá!” (peixeiro ou peixaria em japonês) mas o cheiro chega antes. Bom, o citado “sakana-yá” o peixeiro amigo grita somente em frente das casas dos japoneses, claro o nosso caso....pois não sabemos o significado do seu grito normal de peixeiro!

    O bucheiro também tem a sua carroça. Ele vende carnes e miúdos de boi, além do bucho que nas mãos da minha mãe, vai virar uma dobradinha de fazer inveja às donas de casa gaijins. E ela, uma precursora da cozinha fusion, faz um bucho com molho de missô que vocês deveriam provar!

    Tem um tintureiro na cidade. Adivinha quem são os donos? Pois é, da família do meu amigo Koga. Mas existem também as lavadeiras, que lavam roupas para o pessoal mais preguiçoso ou com mais grana. E as roupas, lençóis, toalhas e o que mais fosse, vem de volta lavados e passados.


    Estou para me formar do ginásio, é hora de pensar no futuro e estou pensando em procurar um emprego. Que fazer? Aula de datilografia com a dona Luíza! Uma das melhores alunas da classe, acho que ela é uma ex-aluna, bate muito rapidamente sem olhar nas teclas. Já eu, utilizo uma técnica avançada, a de catador de milho... Pois essa menina trabalha de operadora telefônica da central telefônica da cidade, instrumentista musical e além de tudo muito bonita, mas sou invisível pra ela. E por cima pelo menos uns cinco anos mais jovem que ela....


    Está escurecendo. Vejo com carinho o solitário acendedor de lâmpadas das ruas da cidade começando a sua rotina diária. Não tivemos lampiões de gás, a iluminação elétrica existiu desde o nascimento da cidade mas as lâmpadas nas ruas precisam desse funcionário da prefeitura que anda com uma vareta comprida com algo afunilado na ponta para girar a lâmpada. Todia dia, faça sol (ou lua, no caso) ou chuva ele caminha pelas ruas para acender a luzes e depois de mahãzinha para apagar fazendo o mesmo trajeto.

    Se o tempo continuar bom assim, vou pegar um filme no Cine São Paulo, o único da cidade. Se o filme for proibido para menores vou ver se me encontro com os amigos para brincar de pique ou descer as ruas no carrinho de rolimã.


    De repente Edith Piaff está cantando e interpretando o Je Ne Regrette Rien. Continua tocando. Pô, peraí, esse é o meu ringtone do meu celular, o tal do "smartphone"! Vejo que é o meu filho me chamando. Desculpe tenho que atender. Ele deve estar precisando de dinheiro ou de algum tipo de ajuda....

    Fotos surrupiadas destes sites: daqui e daqui também.

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    Sexta-feira, Junho 03, 2011

    Denver - Sonoda, Hora Dobrada e Samurais Assassinos


    Fui para Denver novamente, aproveitando o feriado de Memorial Day, um dia de finados dedicado aos soldados mortos. Denver estava uma maravilha com as ruas praticamente vazias, livre de engarrafamentos. Aproveitei também para renovar a minha japonesidade indo a um dos melhores e um dos mais antigos restaurantes japoneses de Denver, o Sonoda. E uma bela surpresa, fomos atendidos por Randy, que trabalhou comigo há anos num outro restaurante, em Lakewood, que fica na área metropolitana de Denver.

    Fui ver dois filmes que não vão passar jamais em Casper, onde vivo. O primeiro foi um italiano, dirigido por Giuseppe Capotondi, The Double Hours ou no original, La Doppia Ora (Hora Dobrada, ou coisa parecida – como se chama por exemplo quando o relógio está marcando 23:23?). Muito bom.

    O segundo filme, foi um japonês, que fui ver no Denver Film Center. O excelente 13 Assassins (Jusan-nin no Shikaku), que é um remake de um filme feito por Eiichi Kudo em 1963. A nova versão é dirigido por Takashi Miike, de quem eu tinha visto o Sukiyaki Western: Django o faroeste mais doido que vi na minha vida, na verdade uma paródia de paródia, misturando samurais agindo como cowboys, num elenco totalmente japonês. Claro, se italiano pode fazer um Faroeste-espaguete, porque o japonês não pode fazer um Faroeste-Sukiyaki? Filmado em cores berrantes e atuação dos atores também exagerada, foi o maior barato.

    Pois agora, com esse novo filme, uma produção de 2010, Miike mostra que pode fazer coisa séria. A ação do filme se passa nos extertores do shogunato, quando os samurais estão virando burocratas. Os 13 assassinos são samurais escolhidos a dedo por Shinzaemon (feito por Koji Yakusho e que na versão de 1963 foi feito por Chiezo Kataoka), é um samurai veterano, braço direito de um conselheiro do shogunato. A missão de Shinzaemon é de agir sem deixar traços, independentemente e eliminar o meio irmão do Shogun, Lord Naritsugu, um sadista, sanguinário, estrupador e assassino das mulheres e filhas de seus aliados provinciais. Naritsugu é impune pois é irmão do Shogun e ninguém ousa contrariá-lo pois está subindo na hierarquia do Shogunato. Naritsugu, interpretado com classe e frieza por Goro Inagaki cobra o bushido, o código de honra dos samurais no seu grau mais extremo dos seus subordinados. Se ele for elevado à posição do braço direito do Shogun, de acordo com a percepção do conselheiro, levaria o país a uma calamidade, daí , a formação desse esquadrão da morte.

    Os 13 samurais escolhem um vilarejo para atrair a caravana de Lorde Naritsugu, que sai de Edo, a capital do Shogunato, para uma viagem anual a uma das províncias. Essa caravana seria composta de 70 guardas. Acontece que o chefe da guarda de Naritsugu, um ex companheiro dos tempos de academia de Shinzaemon fica sabendo dos seus planos e reforça a caravana, que conta agora com mais de 200 guardas de elite. Miike mudou de estilo mas continuou com a mania de nos chocar. A sequência dessa batalha no vilarejo deve ser a mais longa da história do cinema, com quase 50 minutos de duração. No fim, sobrevivem ou ficam sobrando... bom, fica sobrando então, a minha recomendação para que vejam o filme quando chegar aí.
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    Terça-feira, Maio 03, 2011

    Velozes e Furiosos 5



    Depois do desenho Rio que mostra a Cidade Matavilhosa sob um ângulo mais ou menos positivo, chegou às telas americanas o Velozes e Furiosos 5 (Fast Five) que mostra o Rio estereotipado da forma que os americanos tem feito desde que o cinema foi inventado.

    O V&F5, como os outros filmes da série é empacotado com muita ação, muita testosterona, adrenalina, hps, alguns efeitos especiais, cenários lindos – apesar que nem tudo é Brasil, a começar pelos personagens brasileiros, interpretados todos por estrangeiros com sotaque bem pior do que o do meu filho, que nasceu aqui nos Estados Unidos. Já que a história se passa no Brasil – mesmo que não tenha usado quase nada das locações brasileiras, a produção poderia fazer um pequeno esforço para contratar alguns atores brasileiros para ganhar um mínimo de veracidade, pelo menos com o grande e fiel público brasileiro.

    Os críticos gostaram e acham que é o melhor filme da série V&F, que na verdade é o mesmo que dizer que é menos pior de todos...

    Para mim, a única coisa boa desse filme (além da espanhola Elsa Pataky, aí ao lado – que faz o papel da policial brasileira que vai integrar o time do The Rock) foi a de tê-lo visto numa sala com uma tela gigantesca, no sistema IMAX em Denver. Já tinha visto documentários e filmes especiais, mais ou menos educativos produzidos especialmente para o sistema IMAX, mas o V&F5 foi o primeiro filme comercial. Foi uma verdadeira festa visual e auditiva. E nem posso me queixar, afinal o filme não promete nenhuma experiência cultural... Por isso, a minha sugestão é que você deixe o cérebro do lado de fora, relaxe e aproveite.

    O preço de uma entrada de um filme em IMAX em Denver é de 17 dólares por pessoa. Se você acrescentar a pipoca (ou um nacho, o meu caso) com refrigerante você vai desembolsar mais uns 10 a12 dólares. Muito caro. Muitíssimo caro para quem vive em Casper e paga 5 a 6 dólares por uma entrada de cinema.

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    Sexta-feira, Abril 08, 2011



    Hoje estou aqui reproduzindo um texto emocionante e emocionado da escritora Vivina de Assis Viana, do programa Primeira Hora, Rede Transamérica, dedicado ao meu mano Jiro, a propósito da postura japonesa diante da tragédia.


    Felicidade Suprema


    (de Vivina de Assis Viana)
    Para Jiro Takahashi

    Tenho pensado em meus amigos de origem japonesa.

    Alguns, de longa, longa data, como Jiro Takahashi, autor do mais belo depoimento que já ouvi sobre o ofício de editor. Anos oitenta, Bienal Nestlé de Literatura, coordenação de Ricardo e Iraty Ramos, amigos de adolescência e de sobrenome, sem parentesco algum.

    Pode ser que, modesto, Jiro não se lembre – ou nem saiba –, mas houve quem, libertando a emoção, chorasse. Não pouca gente.

    Também de longa data, Eiko, Lídia, Reiko, Zuleika. Em épocas e lugares diferentes, foram me conquistando em momentos simples, cotidianos, aparentemente sem importância. Aparentemente. Afinal, a conversa rápida antes da aula de natação, a decisão na hora de cortar o cabelo, a emoção do nascimento do primeiro neto, o cuidado das mãos durante a massagem semanal, quem inventou que isso não tem importância? A maior importância.

    De curta data, que – felizmente – se alonga dia a dia, Jorge Nagao, sorriso manso e olhar mais ainda, companheiro dessas crônicas.

    Tenho pensado nesses meus amigos desde o primeiro espanto com a visão da onda gigantesca que arrastava carros e casas, “como se fossem brinquedos” (a expressão não é minha, muitos disseram o mesmo).

    Enquanto me pergunto se terão familiares e/ou amigos nas cenas das tragédias, tento reconhecer, nas faces expostas na tevê, nos jornais e na Internet, algum traço, alguma expressão que me lembre o carinho e a solidariedade que, aqui e ali, vi cada um deles demonstrar diante de perdas alheias. De minhas perdas.

    Tarefa fácil. Basta descansar o olhar em quem anda por aqueles cenários de completa desolação. Descansar o olhar em soldados, bombeiros, civis. Idosos, jovens, voluntários. Seres impregnados de esperança e de coragem, vindas sei lá de onde.

    Sem desespero, sem gritos, transmitem força e confiança. E vivem uma felicidade incontida quando, após dias e dias de procura, enganando a morte, encontram a vida.

    Sempre senti que – às vezes –, os olhos amendoados e serenos de meus amigos de origens tão longínquas me diziam coisas que eu não entendia muito bem. Coisas misteriosas, além de mim. Coisas que me enlevavam, como o depoimento do Jiro, tão emocionado e emocionante que, durante algum tempo, pensei que a felicidade suprema seria ser editor e viver cada uma daquelas palavras, considerações, leituras.

    Felicidade suprema, se existir, deve ser aprender a viver os momentos mais trágicos, os mistérios mais insondáveis, como se a vida continuasse. E continua. Além da compreensão, além de nós. Ao alcance do sonho e da fantasia, partes, pedaços de nós.

    Este aqui é o link do site do primeira hora com o texto original e comentários. Obrigado Vivina!

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    Terça-feira, Março 29, 2011

    Capitão América, Oriente Médio e Apito



    Depois das intervenções catastróficas no Afeganistão e no Iraque, que já consumiu mais de um trilhão de dólares dos cofres americanos, com tudo indicando que mais serão gastos, era de se esperar que os americanos aprendessem alguma coisa.

    Obama chegou à presidência prometendo retirar os soldados americanos do Oriente Médio mas nada considerável aconteceu até agora. Prometeu fechar Guantanamo e nada. Continua mantendo o mesmo pessoal que assessorava o presidente anterior e pior, resolveu se intrometer na Líbia. Dessa vez conseguiu que a França de Sarcozy, que enfraquecido internamente quer recobrar a sua popularidade inutilmente, se aliasse aos americanos e britânicos e fingisse que estaria no comando da ofensiva aliada.

    Não sabemos no que vai dar, mas uma intervenção desse tipo já foi mostrado que não se resolve de um dia para outro como querem acreditar os americanos. Acho que deveriam ver menos filmes dos heróis americanos resolvendo tudo à John Wayne ou Rambo, ou como nos video games. A realidade como tem mostrado Afeganistão e Iraque é bem outra... E coloque nessa mistura a completa ignorância americana para entender a cultura árabe e já sabemos que a fedentina vai continuar.

    A proteção dos civis que estão sendo massacrados pelo Coronel Gadafi, Kaddafi ou seja lá como se escreve o nome desse ditador está sendo usado como pretexto. Sabemos também que muitos mais serão vítimas de casualidades da guerra nas mãos dos americanos e aliados como tem acontecido desde sempre.

    O defensor dos fracos e oprimidos, o papel de Capitão América utilizado por Obama é uma liderança aparentemente diferente da do cowboy Bush mas a política externa continua sendo a mesma em relação ao Oriente Médio. Qualquer desculpa é um bom motivo para que a plutocracia americana bote as mãos no que realmente interessa. Se houvesse consistência política e militar, os americanos teriam evitado a “limpeza étnica” que ocorreu em Ruanda - a maioria hutu eliminou cerca de 800 mil tutsi em pouco mais de três meses sem que nenhuma potência mundial levantasse um dedo para evitar o massacre.

    Gostei que o Brasil resolveu não apoiar as medidas adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU para aprovar o No-Fly Zone na Líbia e não gostei de todo oba oba da mídia brasileira diante da simpatia de Obama e família durante a visita ao Brasil, enquanto os seus mísseis iniciavam a “intervenção” no Oriente Médio. Vamos continuar de olhos abertos e não nos deslumbrarmos com os “apitos” e “espelhos” que os colonizadores trazem para os ingênuos nativos e não vamos botar a perder toda a imagem de um país maduro e independente que o último governo brasileiro construiu no exterior.

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    Sexta-feira, Fevereiro 11, 2011

    Hefeweizens e Belgians White




    Parei de escrever sobre as cervejas mas continuei bebendo, que convenhamos, é bem mais fácil.

    Entre as cervejas que tenho provado ultimamente, acho que as de trigo são as minhas favoritas da hora.

    Nessa categoria existem as hefeweizen feita com malte de trigo, cevada, lúpulo e levedura (fermento) bastante popular na Alemanha. E por causa disso, comecei com uma alemã, a Paulaner Hefeweizen, de cor amarelada-marrom. Não devolva a cerveja se ela parecer opaca ou turva! É assim mesmo, pois ela não é filtrada. Quem gostar dessa experiência pode dar mais um passo nessa aventura e experimentar uma Dunkelweizen, de gosto mais forte, também de trigo, mas mais escura. A minha última experiência foi uma hefeweizen feita pela Windmer (Windmer Brothers, Ordinary Brothers Exceptional Beers), uma cervejaria do estado de Oregon, que acompanhou o sukiyaki que comi hoje à noite.

    Se você não gostar da aparência opaca da cerveja não se preocupe. Existem cervejas de trigo filtradas que são chamadas de kristalweizen e a cervejaria New Belgium daqui perto de Colorado lançou a Sunshine Wheat, também uma das minhas favoritas. Uma loirinha transparente, de aparência muito muito linda. Fácil de descer para quem como eu foi introduzido ao mundo da cerveja pelas mesmices das Brahmas e Antarcticas.

    E gosto mais ainda das cervejas de trigo feitas no estilo belga. Essas, chamadas de Witbeer (cervejas brancas) são acrescidas de coentro e tem um sabor cítrico que vem da casca de laranja e pode ser acrescido de outras especiarias. Os exemplares mais populares aqui nos Estados Unidos são a Blue Moon (surpresa, surpresa, ela é produzida pela Molson-Coors), Shock Top (pela Budweiser) . Existem muitas outras marcas que estão entrando nesse mercado que ganha muita popularidade, em especial entre as mulheres por sererem leves, adocicadas e pelo gosto refrescante, cítrico. A Blue Moon tem teor alcoólico um pouquinho maior e tem também mais calorias. Estas cervejas são servidas com uma rodela de laranja nos bares e restaurantes. Eu prefiro sem a fruta, já que o sabor cítrico é o suficiente pra mim.

    Não sou fiel a uma marca nem tenho um relacionamento de lealdade com um estilo ou variedade de cerveja. A surpresa de descobrir uma jóia rara ou me decepcionar com alguma recomendação de um amigo, faz com que a vida fique mais interessante! Infelizmente a vida é muito curta para provar todas...

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