Alguém aí viu o filme “Quebrando a Banca” (21) ? Aquele sobre um grupo de jovens que estouram a banca em Las Vegas? Algumas organizações daqui, como a MANAA – Media Action Network for Asian Americans, que se dedica ao monitoramento da mídia, para garantir um retrato sensitivo, positivo e equilibrado dos orientais americanos, ficaram uma fera. A razão disso? A utillização de atores caucasianos nos lugares dos orientais. O livro Bringing Down the House, de Ben Mezrich se baseou num grupo de estudantes do MIT, composto na sua maioria de orientais, que foram treinados para, em conjunto ganharem muito dinheiro jogando Black Jack ou 21.
Confesso que gostaria de ver uma indústria cinematográfica mais aberta, mais em sintonia com as diversas culturas em busca de uma harmonia global. E se por um milagre, isso fosse acontecer, seria a falência de Hollywwod, claro.
Os filmes são feitos para atender o grande mercado norteamericano, nivelado por baixo, e bota baixo nisso. Filmes europeus e orientais tem a sua versão americana pois o americano evita os filmes que são legendados (leia-se aí, porque são analfabetos). Filmes como Cousin, Cousine (Cousins), Trois hommes et un couffin (Three Men and a Baby), Nikita (Point of No Return), Spoorloos (The Vanishing), Ringu (The Ring), Kairo (The Pulse), Ju On (The Grudge) e um monte de etc foram refeitos especialmente para a lobotomizada audiência americana.
Pelo simples fato dos atores não falarem inglês ou não serem brancos, os filmes ganham o rótulo de filme artístico, ou foreign movie, o que significa que vão ficar restritos ao circuito de filmes de artes, que não geram dim dim, fora de alcance do grande mercado. Daí a razão de substituirem os orientais por faces de atores brancos que falem o inglês americano, sem necessidade de legendas ou de dublagem..
Entretanto tem um nicho que os orientais tomaram conta, o dos filmes de artes marciais, na onda dos sucessos de Bruce Lee na década de 70. Jet Li , Jackie Chan, Chow Yun Fat tem uma enorme audiência. E não adianta botar atores americanos para encabeçar esse gênero de filmes que não emplaca. Acontece exatamente o contrário do que disse antes. Filme de artes marciais tem que ter orientais. E quanto mais fantasioso e mentirosos, melhor.
Quanto aos filmes como “Quebrando a Banca” (21) Hollywood não quer saber de apostas. Hollywood joga com cartas marcadas. Jim Sturgess foi escolhido para fazer o papel baseado no Jeff Ma (um americano de origem chinesa). Ele é inglês de Londres. É aquele mesmo que fez o papel principal do bonito filme Across the Universe, somente com músicas dos Beatles. Como ele não é americano, apesar de ser branco, teve que ter um dialect coach, um especialista que o ensinou a falar inglês americano durante as filmagens.
Imagine um filme como “21” com um monte de coreanos, chineses, japoneses. Quem iria ao cinema? E tenho certeza que essas organizações como MANAA dessa vez, iriam reclamar que o cinema americano estaria eternizando os estereotipos sobre os orientais retratando-os como quadrados, estudiosos, gênios em matemática etc etc.
E quer saber de uma coisa, se a Sony, uma empresa japonesa que é dona da Columbia Pictures que realizou o filme, não está nem aí com esse tipo de problemas, só podemos reclamar mesmo é pro bispo!
Na foto, Jeff Ma e Jim Sturgess. Notaram a extrema semelhança?
Tico tico no fubá, que foi composta por Zequinha de Abreu, em 1917, na interpretação dessa menininha oriental. Ela bem que poderia ser japonesa, vamos fazer de conta que é, mas os traços são mais chineses – se eu conseguir descobrir o nome dela eu atualizo isso daqui. Ou quem souber, por favor bote aí nos comentários.
Li o convite pra fazer uma lista aí do título, num post da Mimi no mês passado e comecei a pensar, pensar, mas acabei deixando de lado como muitas outras coisas, como sempre. E hoje, quando decidi sair um pouquinho do meu marasmo permanente, percebi que estava desaparecido daqui e sem escrever há algum tempo, e aí me lembrei da lista e resolvi retomar o desafio. O convite era pra fazer uma lista de oito coisas que eu gostaria de fazer antes de partir pro andar de cima, que Mimi, por sua vez tinha recebido do Marco. Na verdade, estou relativamente satisfeito com o pouco que tenho mas aí a lista ficaria em branco! Então vamos fazer o seguinte: vamos supor que a frase inicial sofresse uma pequena modificação e ficasse assim: 8 coisas pra fazer antes de morrer, se eu ganhar na loteria ou receber uma grande herança e se fosse 30 anos mais jovem. Sem mais delongas, vamos lá:
1. Conhecer e caminhar pelas ruas de Hiroshima (foto ao lado), Yamagata e Okinawa no Japão. Tókyo também, mas não faço questão, pra falar verdade.
3. E na volta, conhecer a Grande Muralha da China e andar ali no murinho, de ponta a ponta.
4. Viajar por todos os estados do Brasil.
5. Viajar num trailer por todos os estados dos Estados Unidos.
6. Ver as crianças formadas, casadas e ajeitadas na vida.
7. Aprender a não dizer sim quando gostaria de dizer não e a dizer sim, sem medo quando as oportunidades surgirem
8. Refazer esssa lista com coisas realizáveis.
Agora, ninguém precisa ficar preocupado pois não vou passar adiante essa tarefa, que não é do meu feitio, mas assim mesmo, fica um convite aberto a todas as três pessoas que passarem por aqui e tiveram a paciência de ler este post, para que façam a sua lista nos comentários, ou mesmo nos seus blogues.
Aocupação de japoneses no Estado de São Paulo fica mais fácil de ser entendida se você conhecer os traçados das estradas de ferro que cortavam o estado. Os primeiros trabalhadores contratados acompanharam as fazendas de café da Mogiana (Mogi, Ribeirão Preto) e depois as da velha Paulista (Araraquara). Depois disso na Sorocabana (Avaré, Ourinhos, Presidentes Venceslau e Prudente) e Noroeste (Bauru, Lins, Araçatuba), onde diversos núcleos se formaram nas plantações de algodão, inicialmente e mais tarde, de café. Na região de Alta Paulista foram onde os japoneses se mudaram para se tornarem os primeiros sitiantes independentes.
Na década de 40 os patrícios começavam a se mudar timidamente dos sitios e fazendas para as cidades. Esse movimento estava se intensificando no início dos 50. Apesar de Duartina não ser conhecida pelo grande número de japoneses, dois dos maiores armazéns de secos e molhados pertenciam à família Murakami e à sociedade Waki & Miki. Os Nogamis tinham uma farmácia, a família Koga, uma tinturaria (claro!), os fotógrafos (claro, claro!) da cidade eram seu Chico, japonês apesar do nome, um dos primeiros a casar com uma brasileira, e o outro, era Honda. O meu pai e meu tio tocavam um bar cada. A família Suguio e Mizumoto (este aqui tinha o melhor sorvete de côco queimado do planeta!) também tinham seus bares. Hirao tinha um bazar em que eu comprei os primeiros discos. A quitanda era dos pais do meu amigo Rubens Ikeda, a doceria, dos pais do Katim. Eu comprava Conga na Casa Nakano. A padaria que fazia o melhor pão francês e pão doce do interior não era de portugueses mas da família do meu amigo Shigueru Kawai.
Na região ainda haviam uma fazenda da propriedade da família Tanaka e inúmeros pequenos sitiantes. Nos arredores da cidade, surgia um fragmento de cinturão verde com as famílias Kassa e Nobemassa plantando e vendendo verduras. Não me lembro de todos mas dá pra ter uma idéia dessa pequena invasão japonesa, certo?
Todas essas famílias e outras que chegaram mais tarde foram recebidas de braços abertos e trabalharam juntos com o povo da cidade para criar uma comunidade melhor para os filhos. Na comemoração do cinquentenário da imigração em 1958, esse grupo que formava a primeira geração (os isseis) decidiu retribuir a generosa acolhida doando uma fonte luminosa à cidade. E a colocaram no centro da praça da Matriz, bagunçando o coreto, ou melhor dizendo, no lugar do coreto, que estava lá sossegadinho antes mesmo da existência da praça. A praça e o jardim,um conjunto que era o orgulho da cidade ficou mais bonito ainda.
Lembro pouca coisa sobre o processo todo, mas acredito que tenha sido algo que requereu muitas idas e vindas entre a comunidade japonesa e a administração da cidade, para conseguir que o plano de construção da fonte fosse aprovado. Vendo hoje, acredito que meu pai deva ter pensado nisso com antecedência, pois ele tinha pedido no ano anterior para que o prefeito da cidade fosse o padrinho de batismo do meu irmão mais novo, recém nascido. Entre compadres, acredito que os planos fluiram com mais facilidade. Meu pai cultivava essas amizades com os “gaijins” com naturalidade e gente como ele foi importante, servindo de ponte entre a comunidade japonesa e a não japonesa.
Deve ter sido um trabalhão arrecadar os fundos para a construção da Fonte. Todas as famílias japonesas da cidade e da redondeza ajudaram. Todos os contribuintes ganharam uma plaquinha de madeira com os seus nomes, que ficaram expostas nas paredes dos salões do clube japonês, o kaikan (sede da associação).
A integração que existe hoje deve muito ao trabalho dos isseis e modéstia à parte, dos nisseis também. Toda essa comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil que estão pipocando por aí e que você já deve estar com o picuá cheio, vale por isso. Vocês não sabem o orgulho e o privilégio de ter genes japonês e ter crescido em meio da alegria, criatividade e malandragem brasileira. Eis aí, mais um motivo para comemorar e bebemorar!
PS: No próximo mês de julho a cidade vai comemorar o centenário e vou ter a oportunidade de participar. É um momento único, pois não é todo ano que se comemora um centenário e ainda mais com os planos de um encontro de velhos amigos duartinenses espalhados pelo mundo, que o Leonel, Paulo Cesar, Shigueru, Clemente, Saito e outros estão preparando. Isso não tem preço!!!
Foto de cima - placa da Fonte Luminosa
Foto de baixo - Parte da comissão organizadora com o Prefeito (meu tio Kotaro, sr. Tanaka, Prefeito Pupo, meu pai, sr. Murakami, sr. Miki e sr. Inokuti)
1958 foi o ano em que o Brasil se sagrou campeão mundial de futebol pela primeira vez. Foi também naquele mesmo ano, que a Adalgisa Colombo, a miss Brasil, quase consegue ser a miss Universo. O título escapou, mas não foi por polegada a menos ou a mais, as suas medidas eram perfeitas, o sorriso mais lindo entre todas as misses, o que faltou mesmo, foi um pouquinho de lobby, que ainda não era o nosso forte. Mas o povo estava contente assim mesmo, afinal era um vice campeonato. A criançada brincava de bambolê, enquanto que nas rádios começávamos a ouvir uma coisa chamada bossa nova e na Inglaterra, Maria Esther Bueno ganhava o torneio de Wimbledon. O otimismo tomava conta do país. Foi um ano que não devia terminar, como diria o título do livro escrito pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos.
Comemorávamos também o cinquentenário da imigração japonesa ao Brasil. O Japão recobrava-se rapidamente dos escombros da guerra com a ajuda dos americanos. Recebíamos a primeira visita de um membro da família imperial, o Prícipe Mikasa, irmão do imperador Hirohito. O príncipe visitou diversas cidades do interior de São Paulo e do Paraná, mas não parou por um minuto sequer em Duartina.
A equipe de beisebol da Universidade de Waseda, também visitou o país, inaugurando estádios de beisebol por onde passava, inclusive o de Bom Retiro em São Paulo, que hoje se chama Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi. Essa equipe de estudantes também ignorou Duartina, afinal não teria com quem jogar e nem sequer tínhamos um estádio. E se houvesse esse tal jogo, inventado por americanos e bastante popular entre os imigrantes japoneses, duvido que alguém fosse entender. Então, niguém ficou triste, pelo que sei. A equipe de Waseda jogou com uma seleção regional aplicando uma surra histórica, no Estádio Fragata em Marília, que como sabemos, é praticamente uma parte de Duartina. Em sua passagem pelo país, os japoneses fizeram 372 carreiras contra somente 5 das diversas equipes brasileiras que enfrentaram os universitários.
Houve também um desfile dos estudantes duartinenses pelas ruas principais da cidade, com a participação de diversos carros alegóricos. Marchei com os meus colegas do ginásio e depois saí correndo para subir num desses caminhões que tinham uns bonecos representando agricultores com enxada na mão, chapéus de palha no meio de um milharal ou coisa parecida.
E à noite, no Kaikan, o clube japonês, teve um enguei-kai. O enguei-kai é uma apresentação de danças, músicas e pequenos sketches cômicos ou até coisas mais sérias. A cortina do palco do kaikan se abria para cada nova apresentação com batidas de toc-toc-toc, vindo de dois toquinhos de madeira que alguém escondido ali atrás das vistas do público, ficava batendo enquanto a cortina se abria. O mestre de cerimônia, ou o apresentador foi o Gilberto Alonso, que mais tarde seria o prefeito da cidade. Houve ensaios e mais ensaios com a participação de todos da comunidade, e muitas das pessoas que conhecia no dia a dia, me surpreenderam com as suas habilidades artísticas que eu nunca suspeitava que tivessem.
No mês de junho, a Copa do Mundo na Suécia estava em pleno andamento. Os japoneses duartinenses resolveram que futebol seria melhor do que jogar beisebol como uma forma de celebrar o cinquentenário. Assim, depois de tudo planejado, o Estádio Municipal Theófilo Cordovil foi o palco de duas grandes partidas em meados do mês de julho. Na partida principal jogaram os moços (os seinens) contra rapazes que faziam o ginasial e o colegial, e na preliminar, a equipe Infantil, de que fiz parte, contra os Veteranos, os nossos velhos. Foi a primeira vez que nós, acostumados a jogar nas ruas de terra ou no máximo, no campinho do Cascão, pisamos num campo de verdade. Também, foi a primeira vez que os velhos jogaram bola, mas acho que eles andavam treinando secretamente am algum lugar na cidade. O embate foi bastante emocionante e terminamos ganhando dos velhos por 4x2. Ninguém dali virou um jogador profissional, apesar do talento de alguns. O Duartina F.C. bem que poderia usar alguns desses brasileiros de olhos puxados, para reforçar o valoroso onze tricolor e subir para a segundona.
Essas foram algumas coisas que aconteceram em 1958 comemorando os cinquenta anos da chegada dos japoneses ao país do futebol e do carnaval. Os japoneses já conformados de que o sonho de regresso tinha se dissolvido, preocupavam em dar educação aos filhos, mudavam das roças para as cidades, das cidadezinhas para cidades maiores em busca de melhores oportunidades.
Foto do carro "alegórico" com alguns penetras (ói eu ali na frente) e um trio "muito afinado" no engueikai (meu pai, Miki-san e Tanaka-san) tentando cantar uma música floclórica japonesa.
Estamos comemorando este ano o centenário da imigração japonesa ao Brasil, como todos vocês devem estar cansados de saber. Mas, vem cá: somos os únicos a celebrar a imigração? Nunca vi ou ouvi espanhóis, chineses, italianos, alemães, poloneses, marcianos ou quem quer que seja comemorar a chegada deles ao Brasil. Será que só nos temos motivos para tanta celebração?
Quem tiver uma ótima ou mesmo uma péssima explicação, por favor escreva umas linhas aí nos comentários. Vou ver se falo algo mais sobre a imigração num próximo post.
Uma das minhas cervejas preferidas é a Killian’s Red Irish. Originalmente era uma ale irlandesa. Ela é produzida aqui nos Estados Unidos pela Cervejaria Coors, de Boulder, Colorado sob licença da Brasseries Pelforth, atual dona dos direitos de utilização da marca. Para complicar um pouquinho mais, a versão gringa sofreu umas adaptações para agradar ao paladar do americano comum e virou uma lager, com a cor avermelhada da original, que era produzida por George Killian desde 1864.
Se você gosta de uma ale, vai achar que a cerveja é meio aguada e que é uma propaganda enganosa por parte da Killian pois não é uma verdadeira Irish Red, ou seja, ela é uma falsa ruiva. Não tem o mesmo sabor de uma Irish Red como a Murphy´s Red or Smithwicks. É uma cerveja popular e barata, que utiliza o nome histórico de George Killian. Entretanto, apesar de não ter nada da cerveja original, agrada àqueles que foram criados com a Antártica e Brahma ou Bud Light e Coors, como eu.
Bebi algumas neste domingo que passou, para amenizar o choque pela derrota do São Paulo. Me senti bem melhor depois da segunda garrafa... E se o meu São Paulo continuar assim vou acabar é ficando alcoólatra...
Um rancho no Texas que abriga um grupo religioso, que se separou da corrente principal dos mórmons há cerca de 100 anos, que aceita ou prega a poligamia, foi invadido no início do mês por causa de uma denúncia anônima de que um caso de abuso sexual numa garota de 16 anos estaria ocorrendo ali. A polícia invadiu o rancho e todas as crianças foram tiradas do abrigo das mães como medidas de proteção. Esse caso está virando um pesadelo jurídico com a enorme quantidade de advogados que vão defender os mais de 400 menores envolvidos nessa bagunça. E os piores prejudicados vão ser aqueles que o Estado “quer” proteger: as crianças. A menor de 16 anos não foi localizada até agora e ao que parece nenhuma investigação foi feita para checar a veracidade da chamada anônima.
A poligamia existe ainda em alguns países da África e do Oriente Médio, os xeiques e reis do petróleo continuam adotando esse costume. Historicamente quase todos os povos tiveram no passado práticas similares.
Então porque esse carnaval todo? A poligamia é ilegal nos Estados Unidos. Entretanto, muita gente dá um "jeitinho". Uma das formas de furar a lei é de obter o divórcio e casar com a nova mulher, e repetir esse processo sucessivamente, até que o polígamo esteja casado com a sua mulher mais recente. Após o divórcio, as ex-mulheres continuam vivendo sob o mesmo teto e mantem o nome. Ah, está começando a ter umas idéias?
A separação do estado e a religião, como se pode ver, inexiste na prática, nos Estados Unidos, principalmente porque a igreja conservadora tem uma força muito grande na escolha dos presidentes e de todos os que pleiteiam a cargos públicos. Acho muito interessante ouvirmos um trecho do Drauzio Varela a respeito da intolerância, que vai aqui em baixo.
Philip Kilbride, antropolgista e professor universitário americano escreveu um livro, Plural Marriage for Our Times: A Reinvented Option? (Casamento Pluralista para os Nossos Tempos: Uma Opção Reinventada?) em que levanta a possibilidade de que poligamia seria a solução para um dos maiores males da sociedade americana, o divórcio. A grande maioria dos casos de divórcio acontecem porque um dos cônjuges andou pulando a cerca. A poligamia, ou a aceitação dos pares diminuiria o impacto emocional, afetivo das crianças, a maior vítima nesses casos. Diz Kilbride que as mulheres idosas poderiam se beneficiar dessa forma de casamento também. Dependendo a quem você perguntar, de todos os primeiros casamentos nos Estados Unidos, de 43% a 50% acabam em separação!
Eu, o que acho de tudo isso? Não sou contra nem a favor, muito pelo contrário.
Dentre os diversos choques nessa terra estranha, alguns continuam me impressionando mesmo depois de anos de vivência aqui, como a forma com que os americanos enfrentam a comida. Na primeira ida a um cinema, quase caí pra trás com o tamanho do “saquinho” (um balde!) de pipoca e do “copinho” (meio galão!) de pepsi. Pensei que era pra uma família de 10, mas não vi ninguém em volta do sujeito. Tudo aquilo era só pra ele. Depois caí pra trás literalmente quando vi o preço daquilo. Daria para mim e a Ruth comer do bom e melhor em qualquer restaurante da cidade!
Confirmou-se esta mania de grandeza americana quando me serviram a primeira macarronada na casa de uma família americana. A quantidade de molho que veio no meu prato daria para cobrir pelo menos mais cinco pratos de macarrão. A mesma surpresa toda vez que vejo um americano comendo panquecas submersas naquele xarope (syrup) adocicado no seu café da manhã. Fico olhando e duvidando que o cowboy vá conseguir comer tudo aquilo e sempre me engano! E já vi muitos deles beberem o que restou do xarope! Não é à toa que os americanos sejam o povo mais obeso do planeta. Espero que os brasileiros abram os olhos e consigam escapar da esfera de influência americana na nossa maneira de comer.
O que fazer? Se fossemos levar a sério esse problema de obesidade que está virando (ou já virou?) uma calamidade, que resulta em gastos astronômicos com a saúde pública, e consequentemente afetando o bolso da gente, é só mudar os hábitos alimentares. Uma dessas possíveis sugestões, encontrei aqui em casa mesmo, num dos livros de cabeceira da Ruth. O livro foi escrito por Naomi Moriyama em parceria com o seu marido americano William Doyle. Ela é uma ex-executiva japonesa que mora em Nova York. O livro Mulheres Japonesas não Envelhecem nem Engordam já foi traduzido para o português (Editora Rocco, 276 pag, 2007).
Naomi conta sobre a redescoberta da comidinha da sua mãe, a dona Chizuko, que preparava diariamente, com muito carinho para toda família, na sua mini cozinha em Tóquio. A comidinha que toda mãe japonesa prepara para a família. E essa comida simples e saudável, parece ser muito importante para explicar o fato das mulheres japonesas terem a menor taxa de obesidade (3%) entre os países industrializados (as americanas estão lá atrás com seus respeitáveis 34%), a maior expectativa de vida (86 anos), a maior expectativa de vida saudável no mundo (77.7 anos). Muita gente diz que a explicação está nos genes, mas isso é facilmente provado que não é verdade. Por exemplo, está começando a aumentar a obesidade entre os jovens japoneses que consomem a comida gordurosa americana dos fast foods que pipocam em todo o Japão. Conheço também muitos descendentes de japoneses que vivem aqui nos Estados Unidos, e alguns no Brasil, obesos, por terem aderidos completamente ao modo ocidental de alimentação, com índices similares de doenças como diabetes, doenças cardio-vasculares etc do resto da população. Gosto de mulher gordinha mas infelizmente, também sei que ela pode ter mais problemas de saúde por causa disso.
Quando se fala em comida japonesa, qual a sua primeira imagem? Sushi! Comida cara! O sushi faz parte da cozinha japonesa, mas não é a comida doméstica diária. O livro da Naomi conta sobre os prazeres da comida simples, do dia a dia com que fui criado também. Saudável e deliciosa, você pode ter uma amostra dessa cozinha, indo a qualquer bom restaurante japonês e pedir um teishoku – uma refeição completa composta normalmente de um prato principal, arroz, sopa de misso (missoshiru), picles (tsukemono), sunomono, tempura e uma fruta, com variações que depende do restaurante . É mais ou menos o que se comia diariamente em qualquer casa de um nissei da minha geração. Com o passar do tempo muita coisa mudou, com a influência de outras cozinhas. Em casa por exemplo, era comum comermos o feijão com arroz, mas o arroz era o branco japonês.
Então está aí, uma sugestãozinha para mudar os seus hábitos alimentares para uma vida saudável, sem ter que passar fome e o mais importante: sem fazer regime ou dieta. É só ignorar as propagandas e as prateleiras de supermercados dominados pelos gigantes da indústria alimentícia e ignorar as facilidades e conveniência dos fast foods. Fácil dizer.. deve ser tão ou mais difiícil do que vencer o vício do cigarro e outras drogas. Vou tentar fazer a minha parte e tentar reproduzir a comidinha da minha mãe ou da minha sogra pelo menos por alguns dias da semana...
PS1 - para maiores detalhes sobre essa comida diária do japonês faça uma visita ao na cozinha, o site da minha prima Ely, que passou anos no Japão, vive na Bahia e é a especialista no assunto. Você vai se deliciar!
Quando cheguei nos Estados Unidos, enquanto eu fazia um curso de mestrado trabalhei em restaurante japonês para poder sobreviver. Os meus contatos eram japoneses no serviço e uma mistura internacional na escola. Depois de algum tempo tive oportunidade de visitar americanos que fui conhecendo pelo caminho. E confesso que passei por alguns choques inesperados. O primeiro aconteceu logo na primeira visita. Lá pelas tantas, quando eu disse ao meu anfitrião que estava ficando tarde, que era hora de me mandar, ele se levantou, pegou a minha jaqueta no armário, e ajudando a me enjaquetar agradeceu pela visita. E lascou um sorridente Good Night! Foi um choque. Choque sim, porque estava esperando que ele fosse me oferecer uma saideira, um cafezinho, insistir para que ficasse um pouco mais porque o papo estava gostoso, sabe, essas coisas todas ? Me senti rejeitado e fui embora meio abatido. Será que o meu desodorante tinha vencido? Ou seria o maldito do meu mau hálito? Nem dormi direito naquela noite...
Demorou mais algumas visitas a outras famílias americanas para descobrir que aquela frieza era a forma delas respeitarem a minha individualidade. Tá certo, tá certo, mas foi difícil, pois tanto na cultura japonesa como na brasileira, que me moldaram, pro bem ou pro mal, a visita é tratada de maneira um pouquinho diferente. O anfitrião japonês, sempre tentando mostrar humildade, pede desculpas pela bagunça da casa, mesmo que a casa esteja imaculadamente limpa e organizada, oferece bebidas ou comidas, muitas vezes sem perguntar se quero ou não, acrescido de comentários do tipo, desculpe pela simplicidade da comida ou da bebida que estamos oferecendo, que não estão a altura da sua visita, mesmo que seja um banquete luxuoso. Com os amigos brasileiros você inicia o processo de retirada com pelo menos uma hora de antecedência pois os anfitriões vão insistir para você ficar um pouquinho mais, dizendo que ainda é cedo, mesmo com o sol já nascendo. E acaba que ficamos para o ultimo cafezinho ou docinho, ou ambos, até sermos finalmente liberados. É o calor brasileiro e vamos perceber de forma mais aguda a falta que isso faz, aqui no exterior.
Desde criança, tanto a cultura japonesa como a brasileira nos mima e nos paparica, ambas bastante protetoras, e a grande maioria de nós vivemos com os pais, até resolvermos sair para morar ou casar com alguém. Os americanos, por outro lado, a partir de um certo momento, preparam as crianças para serem independentes e esse tratamento de respeitar a individualidade é extendido à sociedade toda. Quando o adolescente termina o colegial os pais esperam que ele saia de casa e vá enfrentar a vida. Não só isso, esse adolescente, ele mesmo, também não quer ficar em casa, e quer freedom! Liberdade, longe dos pais. Entretanto, hoje em dia, do meu ponto de vista de um xereta expert, a grande maioria desses adolescentes está mal preparada para enfrentar a dura realidade do mundo. Vejo algumas cabeças maduras, mas a grande maioria se beneficiaria se esperassem até terminar a faculdade para sair de casa... Como no Brasil e como no Japão...
Começou hoje a amostra Art Show 2008 do Colégio Kelly Walsh na West Wind Arts Gallery em Casper. O Emerson teve algumas de suas fotos selecionadas para serem exibidas ali.
Estamos no meio da temporada teatral! O Colégio Kelly Walsh apresentou o musical Oliver (foto aí ao lado) neste fim de semana que passou. O Emo fez parte do elenco cantando bastante e pulando pra lá e pra cá.
O Casper College está apresentando Galileo, de Bertolt Brecht no Krampert Theatre no campus da faculdade, que vamos ver hoje, enfrentando a neve e tudo mais. Vi a peça no século passado, no Teatro Oficina com o Claudio Correa Castro no papel principal, Fernando Peixoto no de Sarti e um monte de artistas ótimos, sob direção do José Celso Martinez Correa, na época da ditadura.
O Colégio Natrona County vai encenar um outro musical, o Footloose. De Nova Iorque vem a produção de Cats que vamos ver no dia 10 de março no Casper Events Center.
O Stage III está também com nova programação e que por enquanto não está nos nossos planos por falta de "tempo". O tempo anda muito curto...
O Clube de Cinema está apresentando uns filmes interessantes todas as quartas feiras no Rialto, no centro da cidade. Já fomos ver Darjeeling Limited, de Wes Anderson e Before the Devil Knows You’re Dead do Sidney Lumet. Amanhã vamos ver Lars and the Real Girl. A série está ótima e compramos bilhetes para toda a temporada. Nenhum filme brasileiro, infelizmente... e nem japonês...
Houve um tempo em que você andava pelo bairro da Liberdade na cidade de São Paulo e você se sentia no Japão. Bem mais do que hoje em dia. A cada duas ou três quadras você dava de cara com um cinema exibindo um filme japonês. Tinha o cine Niterói, o primeirão, que abriu as suas portas em 1953, ali na Galvão Bueno onde hoje passa a Radial Leste. Tinha capacidade para 1500 pessoas! E com um restaurante e hotel no mesmo prédio, todos pertencentes à família Tanaka. E porque o nome Niterói, que fica no Rio e não tem nada de japonês? De acordo com Susumu Tanaka, o irmão sobreviente, o nome surgiu da combinação de Nitto (Japão, japonês) com herói, portanto, Herói do Japão ou coisa parecida.
Tinha também o Cine Jóia, na Praça Carlos Gomes, o Nippon na Santa Luzia e o Tókyo, que depois mudou de nome para Nikkatsu, na São Joaquim. Todos eles eram exibidores exclusivos das grandes produtoras japonesas, colocando um filme novo a cada semana.
E antes disso, quando não existiam todas essas salas, como é que os japoneses ficavam por dentro do que o Japão produzia?
Não sei como acontecia na Capital, mas no interior de São Paulo, esperávamos ansiosos pelos cinemeiros ambulantes. Eram o cinema-ya-san e sua equipe, que iam percorrendo as cidades para mostrar as últimas produções japonesas. Esses filmes eram anunciados com antecedência através de pequenos cartazes, que davam um resumo do filme, nomes dos artistas e uma reprodução do cartaz, escritos em português e japonês. Esses cartazes eram afixados nas lojas e armazéns de propriedade de japoneses por toda a cidade. Esses bravos empreendedores japoneses iniciaram esse cinema itinerante na década de 1920. Como quase todas as transformações que eu vivi, peguei o finzinho desse período romântico.
O clipe do Youtube que embeleza esse texto (se ainda estiver disponível...) é de um filme em preto e branco, da década de 50 , uma pequena amostra do que víamos numa dessas exibições. E já vinha legendado para as crianças como eu que estava "esquecendo" o japonês que aprenderamos em casa e para os poucos gaijins que se aventuravam a pegar um desses filmes. O filme se chama "Ano Oka o Koete", em japonês, (não sei o título em português, mas significa Atravessando Aquele Morro) de uma das maiores cantores e atrizes do Japão, Missora Hibari (1937-1989), ainda criança, que em toda sua carreira fez mais de 150 filmes e gravou cerca de 1200 músicas.
Na minha cidadezinha, os filmes eram exibidos no kaikan, o clube japonês, que virava cinema por um dia. Nem sala de projeção existia. Os projetores ficavam ali no meio do salão e que ninguém se atravesse a cruzar pelo facho atrapalhando a projeção! Eu me lembro que assistia ao filme, sentado ali no chão mesmo, com um zabutom (uma almofada) por baixo, que todos carregavam para o “cinema”. Era um acontecimento social em que o pessoal das fazendas e sítios da redondeza se juntavam com o pessoal da cidade pra botar a prosa e os mexericos em dia. E para os mais jovens, uma chance para iniciarem as trocas de olhares que poderiam levar a um futuro namoro. Os rapazes que faziam a parte dessa família de cinemeiros ambulantes eram assediados pelas meninas mais saidinhas e a rapaziada da cidade ficavam todos com bronca ou ciúmes daquela popularidade besta e sem sentido.
Nas cidades maiores com maior concentração de japoneses houve a necessidade de um local mais apropriado. Assim, em Marília, o maior cinema da cidade, o Cine Marília, que ficava na Sampaio Vidal, a principal avenida, começou a exibir filmes japoneses uma vez por semana. Na década de 60, como disse no início, a produção cinematográfica japonesa era tão grande, que um segundo salão foi necessário, para atender a demanda dos nikkeis marilienses. Esse cinema era também, o teatro e auditório de uma escola de freiras, o Sagrado Coração de Jesus, na Nelson Spielman do outro lado da linha de trem.
Entretanto no final dessa mesma década foi também quando começou a diminuição da produção japonesa, que aliada ao crescimento cada vez maior da televisão, forçou o fechamento pouco a pouco de todas essas salas. Talvez isso tenha contribuído para uma maior e mais rápida assimilação de nós nisseis à sociedade brasileira. E o cinema japonês infelizmente, virou material para exibição em salas de artes e festivais para um público reduzido...
Foto do arquivo da Família Taneko Honda, do Museu Saburo Yamanaka, de Bastos. Os senhores Honda, Hayashi e Koga, de Bastos eram os proprietários desse cinema itinerante, foto tirada em outubro de 1936, anunciando um filme falado. Em Duartina, uma outra família, de Marília, fazia esse mesmo papel.
Esteve nas manchetes do mundo todo o falecimento do gênio americano de xadrês Bobby Fischer, aos 64 anos na Islândia no último dia 17.
Virou assunto aqui no G4E, por conta de um fato que pouca gente conhece. Esse excêntrico gênio do xadrês, que foi campeão americano aos 14 anos e ficou famoso mundialmente ao bater o russo Spasski em 1972, viveu no Japão por alguns anos. Ele era procurado pelo governo americano desde 1992, quando ele foi jogar uma revanche com Spasski na antiga Iugoslávia violando as rigorosa sanções internacionais das Nações Unidas.
Não pensem que viveu sozinho, escondido de todos. O danado esteve bem acompanhado, vivendo em plena Toquio, junto com uma antiga admiradora japonesa, Miyoko Watai, ex campeã japonesa e na época, a presidente da Federação Japonesa de Xadrês. Ela foi entrevistada pelo Chessboard News, em 2004, algum tempo depois que Fischer foi preso pelas autoridades japonesas no Aeroporto de Narita por estar com passaporte vencido quando ia para Filipinas. Ela conta o dia-a-dia com Fischer, inclusive de que, um dos pratos prediletos do grande mestre era o natto, aquele feijãozinho fermentado, que é odiado ou adorado pelos amantes da comida japonesa. Ela diz que iriam oficializar a união, o que não aconteceu porque Fischer necessitava de documentos adicionais americanos para poder casar com uma cidadã japonesa.
Bobbie Fischer vai ser lembrado pela sua genialidade e pelas suas excentricidades mas ele deixou definitivamente marcas no mundo do xadrês.
Nas minhas andanças pelas terras do Tio Sam conheci e trabalhei com alguns jovens orientais americanos que não tinham nada de oriental em seus nomes. Eles eram filhos adotivos de casais americanos. E bem ajustados. É uma cena comum nos shopping malls cruzar com esses casais americanos, loiros, desfilando orgulhosos com seus filhos adotados, brancos, orientais ou negros.
Os países que fornecem mais nenês para adoção para os papais americanos são a China, Guatemala, Rússia e a Coréia do Sul. O Brasil está lá atrás em 17º. lugar. Isso tudo, de acordo com os dados oficiais do governo americano. Os países como China e a Coréia do Sul tem diversas restrições e regulamentos para o processo de aprovação de uma adoção. Não se aceitam por exemplo, pessoas solteiras, divorciadas, ou idosas acima de 50 anos ou mesmo pessoas obesas.
Foi por isso, que li chocado, notícias na internet há quase duas semanas sobre o casal de diplomatas holandeses, Raymond e Meta Poeteray (foto aí do lado), que haviam adotado uma criança sulcoreana de quatro meses em 2000 e de repente, depois de sete anos, resolveram descartar-se dela, entregando-a para o Departamento de Serviços Sociais de Hong Kong onde o casal morava ultimamente. A desculpa dada foi que a Jade, a criança, não se adaptava à família e à cultura holandesa. A mulher do diplomata, na época da adoção pensava que era infértil, mas depois que o casal resolvera adotar a Jade, tiveram dois filhos biológicos. A babá da família em Jacarta, na Indonésia, onde a família morava antes de se mudarem para Hong Kong, em entrevista a um jornal, disse que o casal tratava a Jade diferentemente dos filhos biológicos e que a mãe nunca a abraçava.
Deve ser difícil criar uma criança adotada. Nunca se sabe que tipo de problemas ela vai ter e como os pais adotivos vão reagir. Adoção é uma coisa para ser pensada seriamente, não é como comprar um brinquedo, não gostou ou está com defeito e você vai devolver. O processo todo é sério, exige compromisso e responsabilidade. Por isso é que existem as longas etapas preliminares, entrevistas, análise do casal, de compatibilidade, exames médicos etc e mais etc.
O assunto virou um incidente diplomático que a Coréia do Sul e a Holanda terão de investigar a fundo e resolver a questão da melhor forma, pois houve uma revolta muito grande por parte da população de ambos países. A Jade não recebeu cidadania holandesa, continua sendo uma sulcoreana que não sabe um “a” de coreano, sabe falar um pouco de holandês (fala bem o inglês e chinês, de acordo com as fontes que eu li, o que me parece um pouco estranho) e tudo que sabe é da cultura holandesa dos pais adotivos.
A Coréia da Sul estava começando a restringir a adoção de suas crianças por parte de estrangeiros e acredito que com esse incidente vá aumentar ainda mais as restrições, por causa da grita popular que esse incidente provocou, e provavelmente vai privar muitos órfãos de serem adotados por pais bem melhores que esse casal holandês.
O Ministério das Relações Estrangeiras do governo holandês chamou o casal de diplomatas de volta, muito discretamente, dizendo não acreditar na existência de um problema legal, mas tudo leva a crer que o recall ocorreu por causa desse incidente.
Ao mesmo tempo em que o casal holandês descartava a Jade, no Brasil, Luciano Huck presenteava e homenageava o casal Rosário (Abigail e seu Carlos) com A Festa é Sua e apresentava a incrível hstória desse casal que com um salário de 1.300 reais do marido e de ajuda dos amigos, adotaram (oficialmente) mais de 50 filhos, além de três filhos biológicos. E segundo a dona Rosário, ela escolhia justamente aquelas crianças que não passariam pelo “controle de qualidade” de uma adoção normal, aquelas de mais idade, portadores de síndrome de Down e com outros problemas. O casal holandês poderia aprender um pouquinho com os Rosários de Joinville, o que é preciso para ser pais adotivos de verdade, oferecendo calor humano, compreensão e muito amor às crianças. O programa do Luciano Huck foi ao ar neste sábado e foi muito emocionante. Quanta diferença entre esses dois casais!
Ainda não consigo acreditar no que lí nas notícias. Criar uma criança por mais de seis anos e depois desfazer-se dela alegando que a criança tem hábitos alimentares diferentes e não se adaptava! Quem deveria ser descartado e afastado da sociedade é esse casal irresponsável. Será que eles vão fazer o mesmo com os filhos biológicos colocando-os para adoção quando enfrentarem alguma crise mais pra frente?
No fim de tudo isso, acho que foi até melhor que a Jade tenha se separado desses pais adotivos, pois ela e nem ninguém merece uns pais desses. Espero que a Jade encontre um lar como o dos Rosários para acolhê-la com bastante amor...
foto do casal tirado daqui e a das crianças, daqui.
Comer, comer fora, é uma das minhas atividades favoritas, na verdade, a segunda na minha lista de top 5. Por isso, nessa terra de caubóis e petróleo, onde estamos pelo menos vinte anos atrasado em relação ao resto do país, no que toca às novidades e modismos, fiquei muito surpreso e pulei de alegria quando finalmente, um restaurante japonês abriu as suas portas há dois meses no centro da cidade. O House of Sushi.
E já que era pra tirar o atraso, há menos de um mês, foi aberto o segundo restaurante oriental, o Dsasumo, um tailandês. Casper tem dessas coisas, surpreende a gente.
O House of Sushi fica no número 260 da South Center Street, pertence a um grupo de Califórnia. Veio com a equipe completa e desde a primeira semana mostrou ser muito profissional e bem organizado. Ninguém fala um tico de japonês, que parece ser um fato completamente normal na grande maioria dos novos restaurantes japoneses americanos. Os funcionários no entanto, são todos simpáticos orientais, uma mistura de coreanos, indonésios, vietnamitas e chineses, nenhum japonês. Mas não é tudo igual ? Não, não é, mas deixa isso pra lá. O importante é que o House of Sushi, que felizmente não se restringe somente a sushis, a trancos e barrancos, está educando os caubóis sobre a saudável cozinha japonesa, mesmo com nomes errados em alguns pratos,. E a comida é boa, não fica devendo nada aos restaurantes japoneses de Denver, que eu achava muito bons.
O restaurante tailandês fica um pouquinho mais afastado do centrão (320 W. 1st St) numa área que está no plano de reurbanização da cidade. O restaurante teve a infeliz idéia de utilizar as iniciais dos proprietários para criar um nome oriental para o restaurante, que no fim, não tem nenhum significado. Dsasumo?! Sem comentários.
A decoração do restaurante Dsasumo, que ocupa um antigo salão do VFW - associação dos veteranos de guerras no estrangeiro, é toda em preto, bonita e simples com móveis elegantes. O restaurante acomoda cerca de 100 fregueses e tem ainda, um bar de tamanho razoável, para cerca de mais 50 pessoas, com telas de televisão, mas não consigo ver essa área cheia. Vou ficar muito surpreso se o bar fizer sucesso. Não faz parte do perfil do consumidor de comidas orientais daqui dos Estados Unidos, frequentar o bar e beliscar aperitivos enquanto curte um jogo de futebol americano.
O Dsasumo tem ainda um sushi bar, mas no primeiro dia em que fomos, tinha acabado o arroz do sushi e o nosso pedido iria levar mais de 30 minutos. Resultado, suspendemos o sushi e pedimos as especialidades tailandesas.
O meu prato preferido tailandês é o curry massamam. É um curry originário ou com influência muçulmana, e o nome parece ser uma modificação de “muslim man curry”. Os navegadores portugueses foram os que levaram o curry da Índia e do mundo árabe para a Tailândia. O massaman, tem como ingredientes além do curry, leite de côco, amendoim ou castanha de caju torrado, batata cozida cortada em cubinhos, uma pitada de açúcar de palmito, molho de peixe e outros ingredientes que mudam de acordo com o gosto do cozinheiro e uma carne, que na minha opinião, é melhor quando é de frango. Estava uma delícia. Pedimos também um enrolado de folhas de alface com uma pasta de carne com amendoin que você mesmo enrola; lula frito servido com molho agridoce tailandês e uma sopa de frutos de mar. O cardápio é bastante rico com cerca de 80% consistindo de comida tailandesa e o restante uma mistura de comida japonesa e chinesa.
Fomos, eu, Ruth, John, um amigo americano, testar pela segunda vez, e pudemos provar o sushi finalmente, que não decepcionou. Entretanto, ficamos sem um dos sushi que pedimos, por falta de ingrediente. Hummm....
A minha previsão é que o House of Sushi tem tudo para se firmar, mas o tailandês tem 50-50 de chances de sobreviver, que vai depender não só da aceitação da comida tailandesa pelos mesmos caubóis, mas também de uma melhor organização da cozinha. E também, de uma maior visibilidade dos proprietários, visitando as mesas e conversar com as suas visitas para ter um mínimo de feedback. Estou torcendo para que esses dois orientais fiquem por aqui por um bom tempo e atraiam mais cozinhas étnicas. Porque como disse no início, adoro comer, experimentar de tudo.
PS. Ah, e para aqueles mais curiosos, a minha atividade favorita, a primeira na minha lista de top 5, é claro, a de dormir. Ai que sono!... O que mais poderia ser com a minha idade?