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    O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
    Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

    Brigar é igual a brincar?




    Brigar não é brincar! Aprendi isso de uma forma traumática, quando criança. Vamos às explicações, ou desculpas... Antes dos meus sete anos, antes da escola primária, falávamos praticamente só em japonês em casa. A televisão ainda não havia chegado, o rádio era daqueles que vinham acoplados com toca-discos e ouvíamos muita música japonesa. Canções para crianças e música para gente grande naqueles bolachões pesados de 78 rpm. Não tinha descoberto os gibis ainda. Então, o pouco de português que eu aprendia era com outros meninos da vizinhança, que pareciam entender o que eu gesticulava e falava, uma mistura incoerente de português com japonês. Naquele exato momento desse meu longo aprendizado dessas duas linguas tão distintas, o meu português era pior. E entre outras confusões na minha mente, brigar e brincar significavam a mesma coisa.
    Estava eu brincando ou seria brigando? com meus primos, jogando bola, quando o Teró, um ano mais novo que eu, mas do meu tamanho, se aproximou de mim, e perguntou se eu queria brigar com ele. Falei, claro, quero brigar com você também. E ele, quer mesmo? E eu, sim! De repente, POW, recebi um direto no meu queixo, caí de costas e ele veio em cima de mim, e eu tonto, zonzo, vendo estrelas, sem saber o que estava acontecendo. Não fosse os outros garotos tirarem ele e evitar um massacre, acho que não estaria escrevendo isso hoje. O Teró não era brincadeira...
    Adulto, continuo sendo mal entendido. Dessa vez é aqui com os americanos, em ingês, mas nada muito sério ... por enquanto. Eu deveria é me limitar a falar o português e nada mais...
    Quanto ao Teró, é hoje, depois de mais de 50 anos, um primo amigão. Ele me trata muito bem! Mas eu, ó, estou sempre com um pé atrás quando me encontro com ele. Afinal, gato escaldado tem medo de água fria. Ou seria, quem bate esquece, mas quem apanha lembra?


    Foto daqui deste site.
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    Segunda-feira, Janeiro 25, 2010
    Feliz aniversário São Paulo!
    Aproveitando a oportunidade, vou colocar mais uma vez um texto do meu irmão Jiro, que ele havia escrito há alguns anos para o caderno Programe-se da Folha da Tarde. Espero que gostem.



    Carta a São Paulo





    Fui chegando aos poucos a São Paulo. Porque São Paulo não é uma, são muitas. A sedução foi total, de uma vez, mas o convívio foi se desenvolvendo aos poucos.

    Eu tinha seis anos quando desci na Estação da Luz e tive minha primeira experiência de São Paulo. A cidade era uma festa, muita agitação, muitas luzes. Era o seu quarto centenário e Mário Zan tocava direto nas rádios. O parque do Ibirapuera cheio de bandeiras. Essa imagem de festa foi muito forte. Primeiro, porque foi quando descobri que o mundo era bem maior que Duartina, minha cidade. Depois porque essa imagem festiva de São Paulo nunca mais me deixou, mesmo nesse quadro bravo de recessão e no período mais brutal da ditadura.

    Na sequência, vieram outras experiências de São Paulo. Praticamente passava todas as férias escolares aqui, fazendo um percurso contrário ao que vemos hoje, quando a grande maioria deixa a cidade em qualquer feriado prolongado. São Paulo era movida a bondes, e eu, a cinema e sorvete. Aqui a gente assistia a filmes que só chegariam a Duartina anos mais tarde. Ia muito ao cine Trianon (hoje Belas Artes) e os cinemas do centro eram suntuosos, muito deles ainda exigindo paletó e gravata. Havia a Simbad, uma sorveteria na rua Augusta, junto à Paulista, a Confeitaria Vienense, no centro, com uma variedade de sorvetes que meus olhos caipiras nunca tinham visto.

    Com 18 anos, vim definitivamente para cá. Banco do Brasil na Penha, direito no largo de São Francisco e muita passeata pelas ruas do centro, 1º. de Maio de 68 , na praça da Sé, paus e pedras voavam enquanto o governador Sodré corria escadaria acima para dentro da catedral e, em seguida, Plínio Marcos discursava no palanque. Havia o Ponto de Encontro na galeria Metrópole, onde Eduardo Alves da Costa declamava seu poema que, mais tarde, muitos inventaram ser de Maiacovski. Havia o Teatro de Arena, o Oficina, o Ruth Escobar, a "Roda Viva" e "O Balcão", de Genet. O teatro era um belíssimo comício. Havia já o Redondo, junto ao Arena, o sempre Brahma, no famoso cruzamento, o Ponto Chic, no Paissandu, o restaurante A.P.I., na Liberdade. Tomávamos muita cerveja, mas, na época, também tomávamos faculdades.

    Porém, enquanto desapareciam os bondes, foram aparecendo a 23 de Maio, a Radial Leste, as Marginais, e a geografia de São Paulo nuncamais foi a mesma. Com isso, tudo cresceu mais ainda. A miséria, os shopping centers, a falta de moradias, restaurante de todos os tipos, o congestionamento no trânsito, a poluição. Mas do mirante do Alto de Pinheiros ou das janelas do São Paulo Press Center, na Faria Lima, ainda se pode ver o mais lindo pôr-de-sol, num raro momento de harmonia da poluição com a natureza.

    Para mim, São Paulo permanece basicamente a mesma. Como alguém que só vê os outros se transformarem porque se vê - a si próprio - por dentro, assim também vejo São Paulo: por dentro. Por dentro de mim. Talvez por isso, no intervalo de algum show dentro do Ópera Room, ainda possa sentir o barulho de algum bonde passando pela Teodoro Sampaio, ali perto.

    Um dia, estava conversando com um brazilianista amigo sobre essa dificuldade de se pensar uma única imagem para esta São Paulo tão múltipla, após sair da USP e parar no Senzala para uma cerveja. Estimulado por alguns copos e pela imagem do Ceboloão da praça Panamericana, em frente, me ocorreu essa imagem de São Paulo. Uma grande cebola.

    Como uma grande cebola, São Paulo é feita de camadas superpostas, em círculos. Quem já se perdeu no trânsito de São Paulo, deve ter tido alguma vez a sensação de estar andando em círculos. Além disso, São Paulo tem vias superpostas, pessoas superpostas, poderes superpostos, misérias superpostas, lazeres superpostos. Tudo isso tem um sabor bem peculiar de uma cidade que sempre se antecipou ao planejamento. E tudo isso, às vezes nos faz chorar. Como uma grande cebola. Ou Big Onion, se for para exportação. Como gosto de cebola, é uma imagem gostosa que acabou ficando em mim. Uma imagem que fui criando desde a minha primeira experiência de São Paulo. São Paulo nunca perde a capacidade de me espantar e surpreender. É disso que eu mais gosto. Só não gosto muito do seu nome. Sempre achei que deveria se chamar Corínthians.

    Jiro Takahashi além de ser meu irmão, é editor, tradutor e professor de Literatura e disciplinas correlatas no Centro Universitário Ibero-Americano (Unibero), em São Paulo.
    Discordo dele quanto ao nome da cidade, acho que deveria ficar como São Paulo, acrescido de FC, assim como Washington DC...

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    Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

    Um rio mais limpo




    O rio North Platte atravessa a cidade de Casper, como o Serrote atravessa Duartina. Como muitos outros rios pelo mundo afora, o North Platte sofreu muito com a poluição por muitos anos. Um dos maiores poluidores, a refinaria de petróleo da Amoco cessou suas operações em 1991 depois de estar em funcionamento por mais de 80 anos. Pensam que ficou por isso mesmo? Obrigado, pra quem fica txau? Ela foi obrigada a dar um jeito na sujeira toda ou iria pagar uma multa gigantesca. O bom senso prevalesceu e a BP, que havia comprado a Amoco, trabalhou junto com o governo local e diversos grupos comunitários. O local da antiga refinaria virou um campo de golfe, com uma área reservada para edifícios para um parque comercial. O rio está limpo, dá pra nadar e é um lugar preferido para o pessoal praticar o kayaquismo e nas margens tem trilhas para ciclismo e caminhadas.
    Mesmo assim, muita sujeira ainda é jogada no rio e nas margens. Felizmente, todo ano um grupo de voluntários fazem a limpeza do rio. Em três anos mais de meio milhão de toneladas de lixo foram retiradas. Não é um motivo de regozijo pois o ideal, dizem os organizadores dessa limpeza, é que não houvesse necessidade de se efetuar limpeza alguma.

    Fotos do rio no verão e agora no inverno, em dois pontos diferentes, aqui em Casper.
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    Terça-feira, Dezembro 29, 2009

    Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo



    Qual o seu programa para o reveillon? Nem todos celebram da mesma forma, como vim descobrir aqui nos States. Principalmente aqui no meio do nada onde nada acontece. O dia 31 de dezembro parece ser apenas mais uma data no calendário. O dia primeiro, a mesma coisa. Nada parecido com o jeito brasileiro.

    E noutro lado do planeta, no Japão, da mesma forma, o reveillon parece que praticamente não existe. As famílias ficam em frente da tevê na véspera de ano vendo um programa tradicional de desafio musical entre cantores e grupos mais famosos do país, divididos em dois grupos, o vermelho, dos homens contra o branco, das mulhereshomens. O ano novo, o dia primeiro é mais importante, talvez a data festiva mais importante do calendário nipônico. E celebram a entrada de ano por pelo menos por três dias.

    Nós, os nisseis brasileiros tivemos a sorte de poder celebrar, juntando as tradições das duas culturas. Na minha adolescência em Marília, no último dia do ano, íamos aos bailes de reveillon, no Esporte Clube Mariliense. O baile era como outro qualquer até a meia noite. Com a batida da meia noite recebíamos o ano novo, pulando carnaval feito gaijin e abraçando todos aqueles que víamos pela frente. E o carnaval ia até um pouquinho antes do sol raiar.

    E no dia seguinte, o primeiro de ano, celebrávamos à moda japonesa. Eu disse sorte? Éramos arrancados da cama um pouquinho depois termos deitado, ainda com os ouvidos zumbindo e com "aquela" ressaca, e os olhos mais fechados do que normalmente, para começar a parte japonesa da celebração. Os amigos se juntavam e íamos de casa em casa para desejar feliz ano novo às famílias que conhecíamos e até algumas que não conhecíamos e ficávamos o suficiente para filar bóia e checar as menininhas. E cada um de nós se esforçava ao máximo para impressionar as mães das meninas-alvo. Afinal, uma palavra favorável delas era meio passo para a próxima etapa, um provável início de namoro.

    Cada família preparava a comidas com antecedência. Os destaques eram os "omochis" (bolinho de arroz branco, super pegajoso) que podia ser deliciado só ou então dentro de uma sopa de algas e shoyu chamado "ozooni", que é uma tradição ainda hoje seguida pelos descendentes nipônicos, para dar sorte no decorrer do ano. A minha futura sogra era uma cozinheira de mão cheia e uma de suas especialidades era um cozido japonês chamado “nishimê”. Toda essa comida tradicional é chamada de "oseti riori". Algumas famílias preparavam outros pratos típicos de ano novo, como arroz com azuki, um feijãozinho japonês (seki-han), mas também tinhamos empadinhas, coxinhas, cuscuz, pernil de lombo, brigadeiros, queijadinhas, essas coisas que os "brasileiros" comiam. E a ronda durava o dia todo. Comíamos até aquilo fazer bico!

    As crianças mais pequenas recebiam um envelope com dinheiro (otoshidama em japonês) dos adultos. O meu tio fotógrafo nos presenteava com tubos de filmes com dinheiro enrolado dentro....

    Voltando ao reveillon que está chegando, aqui em casa a parte japonesa do ano novo já está em andamento com o mochi pronto. Independente de como celebramos e atravessamos o ano - comendo lentilhas depois da meia-noite, vestido de branco, uma cuequinha verde-amarela para ter muita saúde e dinheiro (roupa de baixo com mais cores, isso pode?), essa é uma época de promessas, esperanças e renovação.

    Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo!
    Que tudo se realize no ano que vai nascer
    Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender
    Para os solteiros sorte no amor, nenhuma esperança perdida
    Para os casados nenhuma briga, paz e sossego na vida

    Francisco Alves/David Nasser

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    Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

    Merry Christmas !




    Pra não dizerem que não curto o Natal, resolvi escolher a ilustração mais engraçadinha de um Papai Noel bem fofinho que representasse o verdadeiro espírito natalino, dentre milhões disponíveis na internet. E aqui está o resultado da minha intensa pesquisa:



    Tenham todos um ótimo Natal!!! Ho ho ho!!!
    e bons pesadelos!

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    Domingo, Dezembro 20, 2009

    Retratos Japoneses no Brasil



    Será lançado em 2010 a antologia Retratos Japoneses no Brasil - Literatura Mestiça pela Annablume/Demônio Negro. A coletânea começou a ser organizada em 2008 por Marília Kubota, paranaense, editora do jornal MEMAI – Letras e Artes Japonesas, organizadora de eventos culturais, escritora, poeta, blogueira.

    A antologia tem contos e crônicas de dez autores nipo-brasileiros. A publicação desse trabalho deve muito ao meu irmão, Jiro Takahashi, ex-editor da Estação Liberdade, Geração Editorial, Nova Fronteira, Editora Ática e à Tereza Yamashita. Jiro apresentou o projeto, diagramado por Tereza, ao José Roberto e ao Vanderley Mendonça, editores da Annablume/Demônio Negro.

    O Jiro vai assinar a orelha do livro e a apresentação será feita por Nelson de Oliveira.

    Os autores são o internético Alexandre Inagaki, a mamãe fresca Gabriela Kimura, a jornalista "da colônia" de São Paulo, Mirian Lie Hatanaka, a escritora de infanto-juvenis e designer Tereza Yamashita, o professor de Literatura e poeta Ricardo Miyake, Adalgisa Naraoka, a antropóloga Simone Toji, além dos curitibocas Wilson Sagae e Marilia Kubota e, para baixar o nível desse grupo de feras, eu, que ainda estou boquiaberto pelo convite que recebi para participar dessa antologia.

    O livro está em fase final de revisão para ser enviado para a editora. Aguardem aqui notícias sobre a data de lançamento!


    A foto que ilustra este post é um trabalho antigo do meu filho Emerson no tempo em que ele fazia o 2o. ano do colegial.

    Tudo aí em cima, copiei do post da Marília Kubota no micrópolis de 10 de dezembro.

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    Sexta-feira, Novembro 20, 2009

    Tênis Japonês





    Pode estar surgindo um novo ídolo esportivo no Japão. Kurumi Nara, no tênis, um esporte que não produz grande nomes em termos mundiais. No fim da semana passada, clicando o meu controle remoto, navegando pelos canais como faço o tempo todo, me deparei com a final feminina do All Japan Tennis Tournament.

    Kurumi Nara uma jovem colegial de apenas 17 anos sagrou-se campeã feminina. Nara mostrou sinais de poder se tornar uma grande atleta, uma das que tem aquele algo a mais. E muita garra e perseverança. Além disso é simpática e se expressa com clareza e inteligência. Tem uma pequena desvantagem em relação às atletas da sua geração. É da turma dos baixinhos, a que pertenço. Ela treinou por anos na Academia de Tênis de Nick Bolletieri na Flórida, a mesma que formou cobrões como Agassi, Monica Seles, as irmãs Williams, Sharapova. Acho que vamos ouvir falar mais dela no futuro, quando ela começar a participar de torneios internacionais.
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    Sexta-feira, Novembro 06, 2009

    MENINO NÃO ENTRA!



    No teatro kabuki e noh, os homens representam mulheres há séculos, graças a um edito shogunal de 1626. Um Clube do Bolinha, onde meninas não entram. Gostaram tanto que mesmo hoje continuam mantendo essa tradição.

    Grupos teatrais no formato ocidental em que as mulheres tiveram acesso, nasceram e morreram, e sobrevivem no Japão de hoje. Mas tem um grupo que existe desde 1913 onde meninos não entram. O Takarazuka Revue, um Clube da Luluzinha. As mulheres representam também os papéis masculinos. E não tem nada de parecido com os tradicionais kabuki ou o noh. As peças escolhidas pelo grupo Takarazuka Revue são em sua grande maioria versões adaptadas de famosos filmes ou peças de teatro, todos ocidentais ou então de mangás.



    As atrizes que representam os papéis masculinos fazem o maior sucesso entre o seu fiel público, que é composto praticamente de mulheres. O que é que isso ssignifica? Que as mulheres japonesas tem tendências homossexuais ou bisexuais latentes e reprimidas?

    Os costumes utilizados são mais ao estilo de Las Vegas. E fazem isso de forma exagerada, tipo shojo mangá, os mangás destinados às garotas. Ou será que foi o Takarazuka que influenciou as criadoras desses mangás? Os “homens” são todos magros altos, maquiados e penteados impecavelmente. E acho que é disso que as mulheres buscam. Uma válvula de escape para ver o homem idealizado em suas fantasias, o príncipe encantado, o que os homens deveriam ser. Não aqueles que elas enfrentam de volta à realidade, em suas casas, machistas mandões, insensíveis, que roncam e arrotam além de serem carecas e barrigudos!

    Mais informações sobre Takarazuka aqui no site do espaço acadêmico ou em inglês no wikipedia.

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    Sábado, Outubro 24, 2009

    Coisa do Outro (lado do) Mundo





    O que você faria se alguém diz ter sido amiga de Tom Cruise numa encarnação passada? E além disso diz que viajou numa espaçonave e conheceu o planeta Vênus? Concordava com essa pessoa, com medo de contrariar ou mandava internar?

    Pois esse alguém vive no Japão, soltinha e bem casada. Uma mulher poderosíssima, Miyuki Hatoyama, 66, nascida em Shangai, China durante ocupação japonesa. Não sei se ela dá essas declarações espalhafatosas para tirar um barato da gente ou se está falando sério. Ela ocupa parte do seu tempo escrevendo livros de receitas de comidas espirituais e também é designer.

    Na década de 60 ela foi dançarina e atriz do grupo Takarazuka – que apresenta shows com muitas plumas e paetês, em que as mulheres fazem também os papéis masculinos. Veio depois para os Estados Unidos para estudar numa universidade em California e conheceu o seu marido que estudava em Stanford. Seu segundo marido. O primeiro era um dono de restaurantes e ela se separou para se casar com Yukio Hatoyama, jovem político, de uma família muito influente, econômica e politicamente. A família dele é a dona do Bridgestone, entre outras coisas, e o avô de Yukio foi primeiro-ministro do Japão..

    Miyuki Hatoyama está por trás da ascenção do seu marido Yukio Hatoyama ao post de premiê japonês no mês passado.

    Num país em que a mulheres são reconhecidamente recatadas, a senhora Hatoyama, está causando furor. Essa primeira-dama japonesa é completamente diferente de todas as que a precederam. Tenho a impressão que a imprensa mundial está adorando essa figura e vai dar muita cobertura a ela. Na semana passada, a Associação Japonesa de Jeans, a elegeu como Best Jeanist de 2009, por usar jeans com classe e num estilo inovador. Que a Michele Obama se cuide.

    Se você ainda pensa que as mulheres japonesas são submissas, que andam dois passos atrás dos seus maridos, podem tirar o cavalinho da chuva. Japão não vai ser o mesmo depois da chegada desse tufão.

    Quanto ao Tom Cruise, ela disse que ele era japonês numa encarnação passada, que eram muitos amigos e que gostaria de encontrá-lo novamente – disse que diria a ele, “puxa faz tempo que a gente não se vê” - e que gostaria de filmar com ele em Hollywood.

    Ah, sim, e quanto ao marido, Yukio Hatoyama, um dos fundadores do Partido Democrático Japonês, impôs uma derrota fragorosa ao desprestigiado Taro Aso. A vitória de Hatoyama se deve mais do que qualquer outro motivo, à crise econômica que afetou Japão e afastou os eleitores do LDP, o partido que esteve no poder praticamente durante todo o período pós segunda guerra. O ministro vai ter uma ajuda muito grande da primeira dama que tem armas de sobra para desviar a atenção da mídia nos momentos mais críticos....


    Foto da primeira-dama, daqui e o poster de uma das produções do Takarazuka, daqui

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    Domingo, Outubro 18, 2009

    O menino do balão





    Esta semana Colorado foi notícia no país inteiro porque um balão que possivelmente carregava um menino de seis anos voava pelos ares, desgovernado. Helicópteros de uma rede de televisão e também da Guarda Nacional acompanharam a trajetória desse balão e quando o balão aterrisou, nada do menino. Alguém disse ter visto um objeto caindo do balão e buscas se iniciaram, esperando pelo pior. O país inteiro acompanhou o drama da familia.

    Durante o tempo que o balão estava no ar, alguns detalhes sobre a família começaram a ser divulgadas. O pai do menino é inventor, que vive correndo atrás de furacões e tornados. A família tinha também participado de um programa muito popular chamado Wife Swap (Troca de Esposas) há pouco tempo. Quando ouvi isso, fiquei meio desconfiado e acredito que muitas pessoas também devem ter ficado com pulga atrás da orelha.

    A família procurou pelo menino, Falcon Heener, de 6 anos pela casa inteira, ligou para casas dos amiguinhos e nada. Depois se soube que o pai tinha chamado a estação de tv para pedir ajuda, antes de chamar a polícia. Mais pulga atrás da orelha! Começou a coçar à beça! Enquanto todos continuavam grudados na tv ou no computador para saber das últimas novidades, eu perdi interesse. Aí tinha coisa.

    Depois de quatro horas, o menino foi descoberto escondido num caixote de papelão na garagem da sua casa. Felizmente! Alívio geral e o país voltou à normalidade. No dia seguinte, fui ler toda a reportagem sobre a saga do balão e descubro que o menino é mestiço, filho de um americano e de uma japonesa. Ai ai ai ai ai...

    Não sei vocês, descendentes de outras nacionalidades, mas quando algo de bom acontece com algum nissei ou mesmo um asiático, eu abro um grande sorriso e me sinto bem. Mas quando alguém faz algo errado eu me sinto meio envergonhado como se eu tivesse alguma culpa. Coisa de velho japonês. Por isso fiquei torcendo para que essa família não estivesse pregando uma peça pro país ou pro mundo inteiro em busca de auto promoção barata. Torci para que os pais estivessem desesperados de verdade porque pensavam que o menino tinha realmente partido com o balão, numa travessura impensada.

    Mas torci em vão. Quando Wolf Blitz do CNN numa entrevista com a família Heenes perguntou ao Falcon porque ele não havia respondido quando os pais procuravam por ele, ele se virou para o pai e disse algo como: vocês (no plural, ou seja o pai e a mãe) disseram que estávamos fazendo isso para um show!

    Mal estar geral e o pai tentou se explicar mas o estrago já tinha sido feito. Com um mandado judicial a polícia do condado de Laramie, onde fica localizado Fort Collins, residência da familia, revistou a casa, levou computadores, arquivos e o sherife declarou à imprensa que tinha material de sobra para processar o casal.

    Os telespectadores que viram o Troca de Esposas em que a família participou disse que o pai tem sérios distúrbios mentais e que precisaria ser internado. Veja os comentários aqui. Tenho pena das crianças... E posso garantir que a grande maioria das mulheres japonesas são mais sãs do que a Mayumi Heene.


    Foto da família Heene, Mayumi, Richard, Bradford, Falcon e Ryo, tirado daqui.

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    Sábado, Outubro 03, 2009

    A Caldeira de Yellowstone, um Supervulcão





    As crianças de Wyoming aprendem desde cedo na escola que no Parque Nacional de Yellowstone, no cantinho noroeste do estado, se encontra o maior vulcão da América do Norte. Um vulcão totalmente diferente do que conhecemos. Tem uma craterazinha de 30 por 70 km, numa depressão ao invés de ter a sua cratera no topo de uma montanha. A frequência das suas grandes erupções que aconteceram no passado tem intervalos de 600 a 650 mil anos cada uma. Mas é um vulcão ativo e as evidências são visíveis por todo o lado. Uma câmara magmática, que chega a estar a apenas a 8km da superfície em alguns pontos, libera ou serve como combustível para milhares de geisers, termas, e outros acidentes geotermais de Yellowstone.


    Os 3 milhões de turistas que visitam o parque anualmente, principalmente no verão, vão para acampar, fazer caminhadas, ver e admirar a natureza, os geisers, as cachoeiras, os canyons, as florestas, os animais. A maioria desses turistas,não percebem que estão caminhando ou dirigindo em cima dessa enorme cratera, mais conhecida como Caldeira de Yellowstone.

    A última grande erupção ocorreu faz algum tempinho, há 640 mil anos. Ou seja, esse supervulcão pode voltar a ativa em um ou 10 mil anos e praticamente vivo ao lado dele. Felizmente vulcanologistas do U.S. Geological Survey e da Universidade de Utah que monitoram as atividades vulcânicas da região, em conjunto com o Parque Nacional de Yellowstone nos tranquilizam afirmando que supervulcões dariam diversos sinais advertindo uma erupção com décadas ou mesmo séculos de antecedência. Sinais como terremotos constantes, o inchaço da área ou pequenas erupções, essas coisas...

    Eu me lembro de um momento, no mês passado, dentro do Parque: num dos estacionamentos eu fui sair do carro e quase caí Estou ficando velho e preciso me exercitar pensei eu, achando que eu tinha perdido o equilíbrio nas pernas. Ou será que estava meio tonto por causa da altura - 2400m em média – em que o Parque Nacional está localizado? Acho que não foi nada disso.

    Cada ano, Yellowstone tem cerca de 3000, sim, isso mesmo, três mil terremotos. Tá certo que são pequenos, cada dia ocorre de 1 a 20 desses pequenos tremores quase imperceptíveis. Ás vezes, os terremotos são mais intensos, chegando a atingir 7.5 e 6.1 na escala Richter, como aconteceu recentemente em 1959 e 1975 respectivamente, fazendo estragos e causando mortes. No comecinho deste ano houve uma frequência irregular onde em apenas 12 dias houve mais de 1000 pequenos tremores. No mês passado teve 177 tremores e um deles foi aquele que senti no estacionamento.

    E mesmo assim, não precisamos nos preocupar, dizem aqueles vulcanologistas. Espero que eles saibam o que estão dizendo...

    Para aqueles que como eu, precisam ver para entender melhor, você pode checar aqui, um docudrama produzido pela BBC que foi mostrado nos Estados Unidos em 2005 pelo Discovery Channel. De acordo com a chamada do programa,”esta é uma história verdadeira ...só que não aconteceu ainda.” O filme bastante informativo mostra o que poderia acontecer se houvesse uma erupção cataclísmica em Yellowstone. Brianf55 baixou esse docudrama no Youtube dividido em duas partes, com cada parte tendo 6 segmentos de 8 a 10 min cada. Um assunto fascinante!

    Depois que vi esse filme, decidi procurar informações sobre um possível emprego e moradia na Patagônia... Brincadeira gente, gosto de viver perigosamente, e vou continuar aqui até ser soterrado pelas lavas ou cinzas vulcânicas, da mesma forma que o pessoal que se mudam para Los Angeles vão para lá, na esperança de pegar o Big One, o terremoto que vai acabar com toda a cidade.

    Quem quiser saber mais sobre o assunto, por favor siga os links e tire você mesmo as suas conclusões sobre a existência ou não de um perigo iminente de uma erupção.

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    Quinta-feira, Setembro 24, 2009

    Wyoming. Onde?! Wyoming!



    Recebemos uma rara visita do Brasil! Marga e Issamu e a minha eterna cunhada Di, a ex-esposa do meu irmão, que fica mais linda cada ano que passa, vieram aqui pra Wyoming. Uai homem? Wyoming?! Não sei o que eles fizeram de errado para terem de vir até aui. Só sei que mesmo sabendo que fica prá lá do fim do mundo, eles enfrentaram filas e interrogatórios para conseguirem vistos para nos visitar. E já que chegaram até aqui, resolvemos sair por aí para descobrir o que Wyoming (e Colorado) tem de bom. E fomos agradavelmente surpreendidos.

    Wyoming é um daqueles estados quadrados no meio do mapa dos Estados Unidos, que a gente ouviu muito nos filmes de faroeste. Assim como as cidades com nomes como Laramie, Cheyenne, reserva de tribos indígenas Shoshoni e Arapahoe. Tem ainda uma enorme criação de gados. As maiores fontes de renda para o estado são os poços de petróleo e a exploração de minerais, principalmente o carvão. Tem uma população de quase 600 mil habitantes numa área mais ou menos igual a do estado do Paraná. As maiores cidades são Cheyenne, a capital do estado com 60 mil habitantes e Casper, onde vivo, que tem cerca de 55 mil habitantes.

    Fomos recebê-los no aeroporto de Denver, que é a melhor opção, pois apesar dos 400 km que separa de Casper, fica mais em conta descer naquele moderno, bonito e super movimentado aeroporto. É o maior aeroporto americano em área e foi o décimo de todo o mundo em termos de movimento de passageiros no ano passado.



    Denver

    Há muita coisa para se fazer em Denver além das excursões aos inúmeros shopping centers que tomou grande parte do nosso tempo. É incrível a fascinação que as marcas famosas tem entre os compradores, principalmente brasileiros e japoneses! Aquele selinho, carimbo, a logomarca mágica que custa mais do que o produto em si...

    Apesar da intensa correria pelas lojas conseguimos arranjar uma folguinha para passear. Fomos ao Red Rocks, andamos pelo centro da cidade onde estão localizados os estádios de beisebol, de futebol, o Pepsi Center e muitos muitos restaurantes, incluindo aí um Fogo de Chão e o Rodízio (é o nome do restaurante!). Fomos ao Cirque du Soleil, provamos deliciosas e enormes sopas vietnamitas, comidas apimentadas coreanas, um breakfast no Panera e outro no Diner Chuck Wagon, um jantar num dos Old Chicago onde servem mais de 110 marcas diferentes de cerveja. Só tomei uma...as outras 109 ficam pra outra vez.

    Dakota do Sul

    Uma das maiores atrações daqui da redondeza são os rostos esculpidos de presidentes americanos nas rochas no Monte Rushmore em Dakota do Sul. Uma viagenzinha de 4 horas daqui de Casper para checar o patriotismo dos americanos. Depois de uma pequena caminhada e uns sorvetes, fomos para Deadwood onde muitos pistoleiros e bandidos fizeram história e que está sendo recontada numa série de tv. Um dos famosos nomes do faroeste americano, Wild Bill Hicock foi assassinado covardemente num saloon da rua principal quando estava entretido num jogo de poker. Isso aconteceu no Saloon Número 10 ainda em pleno funcionamento. Apesar do saloon estar cheio, decidimos não entrar, primeiro, por causa dessa reputação e segundo, porque não estávamos a fim de arriscar as nossas vidas. Toda precaução é pouca no faroeste! Entretanto, jogamos a nossa sorte em alguns dos muitos cassinos da cidade e nem é preciso dizer que não ganhamos nada, né. Deadwood é vizinha de Sturgis onde os motoqueiros americanos se juntam num monstruoso rally no início do mês de agosto, todos os anos. A cidade fica superlotada por semanas. E se você seguir o link, vai saber porque é tão popular...

    Wyoming

    Passamos também pelo Devil’s Tower onde os extra terrestres desceram e fizeram Contatos Imediatos de Terceiro Grau naquele filme de Steven Spelberg, da década de 70. Ao invés de extraterrestres, vimos um pessoal escalando a rocha. Pegamos estrada novamente, a Interestadual 80, até a Sheridan, passando por Gillette e suas enormes minas de carvão, a céu aberto.

    Saímos da I-80 e pegamos a Rodovia Estadual 14, atravessando o cenário impressionante do Canyon de Big Horns, passamos por Greybull e chegamos em Cody, a cidade que Buffalo Bill, outro personagem famoso do faroeste, fundou no final do século 19.
    O Buffalo Bill Historic Center localizado em Cody, é um dos museus com um dos acervos mais impressionantes sobre a história natural da região, da conquista (ou a invasão e apoderação) do Oeste e da história dos indígenas da área.

    Yellowstone National Park

    O Parque Nacional de Yellowstone foi o primeiro parque nacional no mundo inteiro. Foi criado em 1872, para preservar a natureza e os animais. Continua sendo um dos mais movimentados de todos os parque nacionais americanos e continua sendo um exemplo a ser seguido em todo o mundo. A maior atração alí são os geisers, e o mais famoso, o Old Faithful. E foi ali pertinho que ficamos durante todo o dia, caminhando e almoçando no Old Faithful Inn, o maior e mais antigo hotel do parque. Falo mais sobre o Yellowstone num outro dia.

    No parque vimos alces, veados e búfalos. É preciso dirigir bem devagarinho pois não se sabe quando vamos cruzar com animais que andam soltos em todo o parque.
    Wyoming e também o Colorado ainda não são destinos muito populares para turistas brasileiros. Em Wyoming não há muitas alternativas em termos de excursões mais populares entre os meus conterrâneos: as compras! Além de Wal Marts, só temos um shopping mall em todo o estado, muito mixuruca aqui em Casper. Mas Colorado é um paraíso ainda não descoberto e pode concorrer com muitas vantagens com qualquer um dos outros destinos como Nova Iorque ou Miami, para alegrar sacoleiros de todos os gostos e de todas as classes. E com mais uma grande vantagem: Denver tem mais dias de sol num ano do que outras grandes metrópoles americanas como Miami ou San Diego.
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    Terça-feira, Setembro 08, 2009

    Memória Escolar (2)



    Vamos voltar a falar da memória escolar! Como vocês sabem ou desconfiam, sou do tempo em que Tomé de Souza fazia campanha eleitoral para se tornar o primeiro Governador-Geral do Brasil. Portanto, aqui vai mais material para um papo com seus pais, tios e avôs.

    Nem caneta existia. Bom, pelo menos era assim no primeiro ano do antigo primário. Só usávamos lápis. Tínhamos aulas de caligrafia, aprendíamos a rabiscar as primeiras letras num caderno pautado, com linhas traçadas para fazer as minúsculas e maiúsculas. Eu mais apagava do que escrevia, cada folha era uma obra de arte, que a dona Floripes, a professora sem nenhum senso artístico, achava horrível e me obrigava a fazer tudo de novo.

    Aprendíamos um montão de hinos – o da Independência, o da República, o da Bandeira, o Cisne Branco e tudo mais que inculcava o espírito cívico bem cedinho nas cucas dos futuros cidadãos da nossa pátria.

    Usávamos também, um alongador metálico, onde colocávamos o nosso lápis para usar até sobrar somente um toquinho. Começávamos a decorar a tabuada, usávamos papel manilha para encapar os cadernos, goma-arábica para trabalhos ou no meu caso, trapalhadas manuais, oportunidade para fazer mais sujeira.

    No segundo ano, uma mudança brusca, aterradora. Tínhamos de escrever com caneta de pena! A gente comprava uma varetinha, a caneta porta pena, e na ponta encaixávamos penas de metal, que vinham em diversas espessuras e até fonts diferentes. Cada vez que escrevíamos algo, molhávamos a pena num recipiente de vidro que continha a tinta. Este vidrinho ficava encaixado num buraco bem no meio, na parte superior do banco escolar. Cada banco era divido por dois alunos. Já deu pra pressentir o drama que criava esse precário arranjo para alguém meio descuidado e meio desastrado? Não tinha um dia que não voltasse pra casa, sujo de tinta e camisas brancas manchadas. E nem o mata-borrão era de muita ajuda apesar de chupar um pouco da tinta em excesso. Infelizmente não existia Omo nem máquina de lavar roupa para aliviar a trabalheira da minha mãe.

    Felizmente, a indústria de tintas estava de olho nesses desastres e criou um recipiente, uma latinha metálica que foi desenhada para não entornar a tinta, mesmo que derrubássemos a latinha. Não sei que nome tinha essa criação tecnológica, mas não deve ter tido um marketing muito eficiente pois tenho certeza que nenhum de vocês ouviu falar desse produto.

    As coisas melhoraram um pouquinho quando ganhei uma caneta tinteiro Compactor. Gostaria mesmo era de ter uma Sheaffer ou uma Parker ou até uma Pilot, que chegou um pouquinho mais tarde. A Parker “51” ou “61”, não me lembro direito, era de uso exclusivo do meu velho, que acredito, deveria ser bem mais cara. Mesmo com esse pequeno avanço, acidentes aconteciam, os invevitáveis borrões, principalmente quando a tinta acabava e tinha que recarregar usando uma bombinha do tipo que se usa para conta gotas, depois de desenroscar o corpo da caneta.

    Aqueles que tinham uma das canetas da marca Parker (21, 45, 51, 61 etc) usavam as tintas da Parker, que se chamavam Quink. A última novidade era a tinta azul real lavável. Aqueles que tinham uma Sheaffer, o que aconteceu comigo alguns anos mais tarde, teriam que usar a Skrip, que era a tinta fabricada para ser usada com a caneta. A vida não era tão simples nos anos 50 como todos vocês pensam!

    Foi então que surgiu a salvação. Uma das maravilhas do século passado. A caneta esferográfica, que chegou nos anos 60, veio facilitar a minha vida escolar e depois, a profissional. E por tabela, a da minha mãe, que não precisava mais colocar uma tonelada de aguarrás nas camisas para tirar as manchas. Pelo menos, não com a mesma constância de antes...


    Fotos tirados deste site, daqui e também daqui.

    (Cópia do texto que postei no Playground dos Dinossauros desta semana – por conta de um pouquinho de falta de tempo e principalmente, de muita preguiça...).
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    Domingo, Agosto 23, 2009

    Um tipo inesquecível



    Crescendo no interior folheei por muito tempo as páginas daquela revista em formato de um livrinho com um monte de artigos e versões condensadas de livros. Sim, o Seleções de Reader’s Digest que meu pai assinava. Lia bastante e como outros da minha geração, parei de ler quando foi taxada de instrumento de propaganda do American Way of Life, reacionária e burguesa, pela polícia ideológica. Mas se todos os esquerdistas fossem coerentes, iriam deixar de ir ao cinema, ver tv, ler jornais. Muito sem graça isso, não é mesmo?


    O que eu quero dizer, era que uma das seções favoritas daquela revista, além das piadas (Piadas da Caserna, Rir é o Melhor Remédio), o Enriqueça o seu Vocabulário, era o Meu Tipó Inesquecível. E a partir disso, dei uma chacoalhada na minha velha cachola para lembrar de alguns dos meus tipos inesquecíveis. São vários.

    Um desses, encontrei aqui nos Estados Unidos. Era um Americano alto, com pinta de ter parado na década de 70, com cabelos longos como um hippie. Imagine um sujeito como Peter Fonda do Easy Rider, de cabelos compridos e de barba. O nome dele era Stephen Curtis Marshall, de Baltimore (foto ao lado). Era conhecido como Stephen St. Croix, nome que ele adotou depois de ter conhecido e se apaixonado pelas Ilhas de St Croix nas Bahamas.

    Ele era um dos fregueses mais frequentes de um restaurante que gerenciei em Lutherville, na área metropolitana de Baltimore em Maryland. Stephen era um gênio na área de remasterização sonora tendo inventado um processo que foi batizado de revectorização, que foi usado para digitalizar a parte sonora de filmes clássicos como E o Vento Levou, O Mágico de Oz. Ao mesmo tempo gostava de mexer com mecânica, envenenando os seus carros e suas motos. Toda vez que ele vinha com um novo brinquedo desses fazia questão de levar a gente para ver e explicar o que ele tinha modificado e como tinha feito tudo aquilo. Eu admirava o trabalho dele mas não entendia patavinas do que ele explicava.

    Ele tinha se tornado um milionário, ainda jovem, com a invenção do Marshall Time Modulator que os músicos usavam para modificar ou multiplicar as suas vozes. Esse processo foi utilizado também para criar aquela voz do Darth Vader do Guerra nas Estrelas. Ajudou a parte técnica nas gravações de Stevie Wonder e também de Michael Jackson. Viajava o tempo todo.

    Era um sujeito cujo ego era enorme e não cansava de contar as suas proezas. Eu não acreditava em tudo o que ele contava. Como é que um milionário como ele, que tinha o seu próprio jatinho, e que ele mesmo ajudava a pilotar em suas viagens para Europa vinha vestido como um hippie para comer no restaurante deixando uma gorjetinha mixuruca? Ele adorava sushi mas nada de coisa muito radical. A maioria da sua seleção não incluia os peixes crus. Ficou muito chegado ao Yuiti um jovem sushi chef japonês com quem dividíamos o nosso apartamento na época e em decorrência disso, virou nosso amigo também. Pois, a pedido do Steven, o Yuichi criou o St. Croix Roll, que ficou muito popular. Dizia Steven que em todos os suhi bares que ele frequentava mundo afora ensinava aos chefs como preparar um ótimo St. Croix Roll...Uma vez chegou até a jogar soft-ball (um beisebol mais leve...) com a gente.

    Contou me uma vez, que os seus cabelos compridos que muitas vezes vinham cobertos por uma bandana, eram para celebrar e honrar os seus amigos indigenas, os pimas. com quem conviveu na adolescência em Arizona.

    Quando decidi deixar Maryland em fins de 1996, para trabalhar numa área de esqui em Colorado ele disse que estaria em Denver dois meses depois e ligaria para a empresa, para combinarmos nos encontrar num dos muitos ótimos restaurantes japoneses de lá, para comermos sushis juntos. Quando cheguei ao novo emprego, os planos tinham mudado e estava fazendo um curso profissionalizante em Denver, e a ligação dele para a empresa não foi transmitida pra mim e acabamos não nos encontrando. Como ele surfava mas não esquiava, e eu nunca mais fui para Baltimore, nunca nos encontramos depois disso.

    Mais tarde li os artigos escritos por ele na revista MIX (uma pequena amostra aqui)onde ele era consultor técnico e assinava uma das colunas mais populares dessa revista, que se chamava Fast Lane, Mix é uma revista dirigida para músicos profissionais. Gostei mais dele ao ler nas páginas dessa revista os artigos nem sempre técnicos, mas coisas assim como a importância da música em sua vida.

    Ele continuou inquieto como sempre e criou mais equipamentos técnicos que hoje estão sendo utilizados pelo governo americano no combate ao terror e pela polícia do país inteiro. Ele faleceu em 2006 de câncer na pele. Os editores da revista juntaram uma seleção de seus artigos e botaram num livro, que pedi e estou aguardando. Não sei se com o tempo eu iria entender um pouco mais o que existia atrás do seu enorme ego e debaixo da sua carapuça de Peter Fonda do Easy Rider, mas com certeza os seus escritos vão me ajudar nesse processo.

    Viveu sempre na pista mais rápida como o nome da sua coluna na revista... .

    Foto da capa do livro Life in the Fast Lane, tirado deste site.

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    Sábado, Agosto 08, 2009

    Memória escolar (1)


    A grande mudança que ocorria quando saíamos da escola primária para entrar no ginasial eram os professores. Para cada matéria tinha um diferente. No primário era a mesma professora o ano todo até passar pro ano seguinte. A não ser que você repetisse de ano. Dona Floripes, dona Quininha, dona Rosária e dona Aparecida. Quatro professoras mais o seu Rubens e a dona Janete no Preparatório ou Curso de Admissão, em quatro anos. E só.

    No primeiro ano do ginasial do Gebara tínhamos mais professores do que tivemos durante toda a nossa longa jornada pelo primário que fiz todinho no Grupo Escolar Coronel Teodósio Lopes Pedroso. Nunca fui aplicado, dedicado ou disciplinado nos tempos de escola.

    Gostava das aulas de Educação Física apesar do meu primeiro professor ter sido um militar meio relaxado que não levava as suas funções como mestre muito a sério. O segundo, foi o seu Joaquim, que vinha de Marília, como outros grandes mestres da época. Ele dava aulas também no Senai de Marília. Esse sabia motivar os alunos! Promoveu torneios, trouxe o time de São Carlos, onde ele havia se formado, para jogar basquetebol em Duartina, nos ensinou a jogar handebol, fez o diabo. E sabia o nome de cada um dos seus alunos, inclusive dos japoneses!

    Eu gostava também dos desfiles com a fanfarra puxando o resto dos alunos, desfilando pela avenida principal da cidade. Nunca participei da fanfarra, para a felicidade de toda a população duartinense. Eu era (e ainda sou) péssimo em matéria de música... Via os jogos de futebol do time do ginásio, grudado no alambrado do campo. Admirava os meus colegas recitando poesias no palco, na frente de todos, as demonstrações de ginástica rítmica em datas cívicas. Ah, sim, que coisa mais linda! As garotas com as pernas de fora, alunas da dona Zuleide, que eu observava acanhado e tímido. Os meus olhos não conseguiam desgrudar daquele espetáculo no Estádio Municipal Theófilo Cordovil todo lotado!

    Do que mais me lembro? Dos uniformes caquis do ginasial – as meninas, mais elegantes, com blusas brancas e saias plissadas em azul marinho. Das sabatinas, as provas ou testes semanais que podiam ser escritas ou orais, que apesar do nome, não aconteciam aos sábados.




    E dos livros! Os de Geografia eram de Aroldo de Azevedo, os de História de Joaquim Silva, os de Ciências de José Coimbra Duarte, os de Matemática, em que me cansei de ficar para segunda época – o termo mais apropriado seria “segunda e última chance” - eram de Oswaldo Sangiorgi. Eu deixava os estudos para última hora, pois férias são férias e como que por milagre, passava de ano raspando. Não sei se tinha a mão do meu pai nisso, prometendo ao lendário professor Zé Antonio (que chamávamos de Vermelhão pelas suas costas), que eu iria ser mais aplicado no ano seguinte e que eu estava me esforçando ao máximo ou se pelo meu próprio esforço, o que duvido...

    Apesar do medo ou respeito que tinha pelos professores, no ginasial não houve ninguém que abusasse ou castigasse física ou verbalmente os alunos. Só fui ter um fascista como professor quando fui fazer o curso Científico no Colégio Aplicação em São Paulo. Era um professor de Física, recalcado que chamava todos os alunos de burro e berrava quando algum aluno não respondia às suas perguntas corretamente. Imagino como ele seria tratado hoje em dia se ousasse fazer isso com algum aluno... Depois daquele ano nunca mais quis saber de Física... Em compensação voltei a gostar de matemática graças ao professor Scipione Di Pierro Netto, que também dava aulas nessa escola.

    Os meus livros didáticos devem ter sido passados para os meus irmãos mais novos, pois era uma prática comum na época, mas não tenho lembrança disso. Preciso checar com os meus brothers. Hoje o livros parecem revistas, de tanta ilustração, fotos, quadros e muitos etc. Assim, até eu viraria um bom estudante!

    Você guardou ou ainda se lembra dos seus livros escolares ?

    Nas fotos, algumas capas dos livros escolares do século passado e o esquadrão do G.E. Benedito Gebara (Duartina, 5/5/1960) - Em pé: Prof. Colado, Dico, Vertão, Renê, Beto, Fernando, Puskas e Eliézer. Agachados: Hidequi, Lula, Nuno, Gilson, Carlão e seu Edgar. (foto cedida pelo Nuno Zanin, que tem uma memória incrível sobre os acontecimentos desse tempo).

    Fotos retirados dos sites de sebos e daqui.

    Este post foi também colocado no playground dos dinossauros com pequenas modificações.
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